A esquerda que abriu mão da crítica. Por Luis Felipe Miguel

A empatia revolucionária com os desvalidos não romantiza suas consciências, não abre mão da crítica e, muito menos, abdica do trabalho de fornecer ferramentas para que superem seus limites. A alternativa é uma empatia superficial, brumosa, tingida de preconceito e condescendência arrogante travestida de bom-mocismo.

No Blog da Boitempo

Este texto nasce em reação a duas polêmicas que surgiram nas esquerdas nas últimas semanas – ou, antes, que ressurgiram, pois são cíclicas. Uma é sobre o chamado “lugar de fala”. A outra, sobre como caracterizar o comportamento de pessoas que apoiam ativamente líderes e políticas que, na prática, as condenam à morte; em particular, ao veto ao substantivo “burrice”, tão chocante. Embora tenham sido debates separados, eu os aproximo aqui porque julgo que remetem a um denominador comum: a sobrevalorização da experiência crua dos agentes sociais, expressão do anti-intelectualismo hoje dominante, e a consequente inibição de qualquer engajamento crítico com a autoexpressão dos próprios agentes.

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Nem luto, nem melancolia. Por Mauro Iasi

Não é a vida que segue. É a morte, que segue em seu macabro trabalho auxiliada pelas hordas daqueles que a amam mais do que a vida. Lutemos para que os arqueólogos do futuro, quando escavarem os restos de nossa civilização não encontrem como nossa principal realização a indiferença.

“Na minha opinião, a desorientação e a paralisia
da nossa capacidade funcional, sob a qual penamos, são
essencialmente determinadas pela circunstância de
não conseguirmos manter a nossa anterior atitude perante a
morte e de ainda não termos achado outra nova”
SIGMUND FREUD

No Blog da Boitempo

Mais de três milhões de pessoas infectadas. Mais de cem mil mortos. Os dados são estarrecedores por si mesmos, ainda mais se somarmos a esse quadro macabro os vinte milhões de casos e os mais de setecentos mil mortos pela pandemia no mundo todo. Nossa reação, no entanto, é muito estranha. Parece-nos preocupar muito mais o andamento da vida, a suposta volta a normalidade ou, pior, os efeitos econômicos que podem se desencadear.

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Cabe à cidadania ativa criar possibilidades de outro futuro – parte I. Por Cândido Grzybowski

Do Ibase

Estamos mergulhados em uma conjuntura de impasses e incertezas, que exige visão estratégica, determinação e sentido de urgência. De um lado, a pandemia com suas ameaças à vida no aqui e agora. De outro, devido a ela, foram postos a nu e convergiram todos os males das corrosivas e destrutivas estruturas e processos em que assenta a globalização capitalista neoliberal. Como nos lembra o equatoriano Alberto Acosta, a pandemia não pode ser vista dissociada do “… patriarcado, colonialismo, discriminação, extrativismos, violências, ecocídios, etnocídios, imperialismos…”. E nós, cidadania brasileira, temos isto tudo combinado com a ameaça fascista e o desgoverno do capitão presidente. Bota desafio para pensar e agir em tal contexto!

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Bolsonaro e o ocaso da teoria política moderna

A teoria política moderna se fundamenta em algumas premissas que a crise da sociedade burguesa plenamente desenvolvida se encarrega de solapar.

Por Mauro Luis Iasi, no Blog da Boitempo

“Outrora, o bem dos particulares produzia o tesouro público; agora, porém, o tesouro público torna-se patrimônio dos particulares. A República é uma presa; sua força não passa do poder de alguns cidadãos e da licença de todos.” MONTESQUIEU

A teoria política moderna se fundamenta em algumas premissas que a crise da sociedade burguesa plenamente desenvolvida se encarrega de solapar. A ordem burguesa nascente preocupava-se com o Estado – considerado como necessário e inevitável para a existência da vida em sociedade –, mais precisamente, com as maneiras de evitar que a forma política torna-se um poder que se volta contra os cidadãos controlando-os ao invés destes o controlarem.

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Pós-pandemia COVID19: uma proposta em “construção socioeconômica” na América Latina e no Caribe

O que são commodities ambientais?

Por Amyra El Khalili*, Pravda.ru

As commodities ambientais são mercadorias originárias de recursos naturais, produzidas em condições sustentáveis, e constituem os insumos vitais para a indústria e a agricultura. Estes recursos naturais se dividem em sete matrizes: 1) água; 2) energia, 3) biodiversidade; 4) floresta (madeira); 5) minério; 6) reciclagem; 7) redução de emissões poluentes (no solo, na água e no ar).

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Thomas Piketty, o socialismo participativo é um cenário aberto para a crise que virá

IHU On-Line

As grandes agitações político-ideológicos recém começaram. Em seu último, monumental, livro Capital e ideologia (em português, pela Editora Intrínseca, com lançamento previsto para julho), Thomas Piketty observa-os a partir de uma ideia norteadora contra as antigas e novas desigualdades que serão produzidas pela crise desencadeada pela pandemia de Covid-19. O economista francês fala de um “socialismo participativo“, cujo objetivo é provocar uma transformação radical do modo de produção capitalista e de seu regime de propriedade, que deveria ser transformado em uma “propriedade social e temporal que também pode exigir uma reforma constitucional”. Nessa perspectiva, o tão comentado retorno do estado à cena assume uma conotação política precisa.

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Na pandemia, entre a espada e a flor

Por Aluísio Câmara*, Marco Zero Conteúdo

Vivemos em loop, definitivamente. Uma gripe epidêmica volta com nova roupagem 100 anos depois, vitimando milhares de pessoas. Encontra ainda um enorme despreparo de nossa sociedade em cuidar de si mesma e avança em terreno fertilizado pela desassistência do poder público. Como se não bastasse, o cenário político é incerto e extremado, como se estivéssemos caminhando célere para um confronto não consensual e nada democrático. Mas afinal, nesse percurso e ritmo que estamos seguindo, com polarizações tão antagônicas e conflituosas, quem poderá encontrar uma alternativa não violenta e totalitária?

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