Uma ‘nova’ política precisa superar o “apego religioso” ao Estado, a “fetichização do progresso” e a “secundarização das questões ambientais”. Entrevista especial com João Paulo do Vale de Medeiros

por Patricia Fachin, em IHU On-Line

O “apego religioso” da esquerda ao Estado, sua “fetichização do progresso” e a “secundarização das questões ambientais”, especialmente na América Latina, demonstram que a esquerda tem “dificuldade em lidar com cenários mais complexos, como foi o caso dos atos de junho de 2013, cujo erro de análise quase era cometido mais uma vez com a greve dos caminhoneiros, onde uma parte da esquerda, dessa vez minoria, adotou o pensamento cartesiano”, avalia João Paulo do Vale de Medeiros, professor de Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. (mais…)

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Ciclo progressista chegou ao fim e está em crescimento uma nova direita. Entrevista especial com Raúl Zibechi

por Vitor Necchi, em IHU On-Line

O ciclo progressista na América do Sul chegou ao fim e está em crescimento uma nova direita, “mais ofensiva e militante que as anteriores”, entende o uruguaio Raúl Zibechi. Ele elenca três fatores para se chegar a esta conjuntura: citando Noam Chomsky, afirma que “os Estados Unidos já não possuem a força para impulsionar golpes e acabam por apoiar as direitas de cada país”; sob governos progressistas, as direitas se tornaram mais fortes; por fim, a incompreensão da esquerda após a crise de 2008 e a reativação dos movimentos populares, e, conforme Zibechi, “quando a esquerda não compreende, põe a culpa na direita, no império e nos meios de comunicação”. (mais…)

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Tragedia: “La dominación está unida y la resistencia está fragmentada”

El conocimiento occidental ha impuesto un programa en todo el mundo basado en la imposibilidad de pensar otro mundo distinto al capitalista. Boaventura de Sousa habla de “epistemicidio” para definir cómo ese programa occidental ha subyugado el conocimiento y los saberes de otras culturas y pueblos

Por Pablo Elorduy, en El Salto / Servindi

Boaventura de Sousa (Coimbra, Portugal, 1940) estuvo en Madrid para presentar Justicia entre Saberes. Epistemologías del Sur contra el epistemicidio (ediciones Morata) una crítica a la jerarquía que el pensamiento occidental ha establecido contra los otros pueblos del mundo. De Sousa saca una pequeña grabadora para registrar la conversación con El Salto. Está acostumbrado a este tipo de conversaciones. No en vano, ha recorrido el mundo como organizador del Foro Social Mundial, ha trabajado en la Universidad de Wisconsin-Madison en Estados Unidos y la de Warwick, en Reino Unido.  (mais…)

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A economia se descolou da vida das pessoas. Uma análise do documento ‘Oeconomicae et pecuniariae quaestiones’. Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo

IHU On-Line

O que está exposto no documento  Oeconomicae et pecuniariae quaestiones — Considerações para um discernimento ético sobre alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro, publicado na semana passada pelo Vaticano, “é o descolamento do funcionamento da economia capitalista, comandada pela finança, da vida concreta das pessoas”, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo à IHU On-Line, ao comentar o texto, na entrevista a seguir, concedida por telefone. “Há no texto um tratamento muito interessante dessas relações entre o que podemos chamar de a ‘ética cristã’, particularmente católica, e o movimento da economia hoje, e as dificuldades que há na vida das pessoas por causa do funcionamento da economia. É uma combinação muito rica do ethos moral católico da igualdade e da fraternidade, que se retomou pelo Iluminismo”, frisa. (mais…)

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Do boom ao caos econômico: erros e acertos da política petista. Entrevista especial com Laura Carvalho

por Patricia Fachin, em IHU On-Line

Em Valsa brasileira: do boom ao caos econômico (Todavia, 2018), a economista Laura Carvalho propõe algumas explicações para entender como a economia brasileira passou de um boom econômico entre 2006 e 2010 para uma das piores recessões econômicas da sua história. Para além dos reflexos positivos e negativos da conjuntura internacional, a economista sugere que o período de 2006 a 2015 seja analisado a partir de erros e acertos dos governos petistas. Na avaliação dela, o “principal acerto” do governo Lula “foi perceber que a redução das desigualdades brasileiras poderia funcionar como um motor do desenvolvimento econômico”. Além disso, frisa, ele “entendeu perfeitamente que o mercado interno, em um país continental como o nosso, tem um papel fundamental, que precisava redistribuir renda e fazer investimentos públicos, investindo em infraestrutura física e social”. (mais…)

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Tudo está parecendo fora de lugar, por Cândido Grzybowski

do Ibase

Já estamos entrando em maio, a poucos meses das eleições. Nos 30 anos que nos separam daquele momento da Constituinte e da nova Constituição, talvez seja a primeira vez que, a essa altura, não sentimos no ar aquele clima de eleição chegando. Claro, todo mundo sabe que o único fato relevante até aqui foi a prisão de Lula, visando impedir que este grande líder de nosso tempo, gostemos ou não, dispute o pleito para presidente. Conversas de bastidores, naqueles espaços pouco iluminados da política e da costura de acordos, estão acontecendo, muito mais do que vaza nos noticiários e redes. Mas, por que estes papos sem transparência parecem não interessar ao povo? Será que a insatisfação com os representantes políticos e os partidos chegou ao ponto de levar muita gente a dar as costas à própria política? Já há muitos que fazem prognósticos de grande abstenção e votos brancos ou nulos nas eleições de outubro. (mais…)

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A democracia brasileira está ‘balançando’. O crime organizado é uma das principais ameaças. Entrevista especial com Daniel Aarão Reis

por Patricia Fachin, em IHU On-Line

Para além da crise política, “o crescimento exponencial do crime organizado (tráfico e milícias) tornou-se, hoje, uma das principais ameaças à democracia brasileira”, diz o historiador Daniel Aarão Reis à IHU On-Line. Segundo ele, “o caos urbano e a violência indiscriminada são incompatíveis com um regime de liberdades democráticas. O assassinato de Marielle Franco é uma trágica evidência neste sentido, suscitando a convicção de que o crime organizado faz o que quer, quando, como e onde quer. Esta situação, aliás, é um dos principais ingredientes no processo de fortalecimento de uma extrema-direita violenta, excludente, racista e antidemocrática”. (mais…)

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