Família Bolsonaro, além de ser responsável pela maioria dos ataques, cria ambiente que permite crimes como aqueles praticados contra indigenista e jornalista
“Agora podemos levá-los para casa e nos despedir com amor”. Foi assim que Alessandra Sampaio, esposa do jornalista britânico Dom Phillips, se expressou após a notícia de que os corpos de seu marido e do indigenista Bruno Pereira foram encontrados.
Nos dias 27 e 28 de junho a Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), irá julgar o Estado brasileiro pela omissão e não responsabilização dos envolvidos no assassinato do trabalhador rural Antonio Tavares e às lesões sofridas por 185 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por parte de agentes da polícia militar, durante a repressão de uma marcha pela reforma agrária realizada em 2 de maio de 2000, na Rodovia BR-227, em Campo Largo (PR).
Wesley Silva recebia série de ameaças de fazendeiros locais; assassinato pode estar ligado a conflito fundiário envolvendo o ex-senador Ernandes Amorin
Wesley Flávio da Silva, presidente da associação rural Nova Esperança, foi assassinado na última sexta-feira, 17 de junho, por volta das 9h da manhã, dentro do Projeto de Assentamento Nova Floresta, no município de Campo Novo de Rondônia, localizado a 322 km de Porto Velho (RO).
Procurador-Geral da República ouviu críticas sobre a ‘atuação tímida’ do Estado contra o crime; Polícia diz ter encontrado a embarcação de Bruno Pereira e Dom Phillips
A primeira visita de Augusto Aras como Procurador-Geral da República a Tabatinga (AM) durou menos de doze horas. Aras desembarcou na manhã deste domingo, 19 de junho, na cidade do oeste amazonense na sede do 8º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro, fez um sobrevoo em Atalaia do Norte (AM) e depois seguiu para a sede da Procuradoria da República em Tabatinga. Lá, fez uma série de reuniões com membros da Polícia Federal, do Ministério Público Estadual, da Secretaria de Segurança Pública e da Procuradoria Geral da Justiça do Amazonas e de uma comissão de lideranças indígenas da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari). No fim da tarde, seguiu para Manaus, onde realizará novos encontros com órgãos estaduais.
A Polícia Federal (PF) divulgou em nota o descarte da possibilidade de haver mandantes por trás dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips no Vale do Javari. Segundo a nota, não há evidências para apoiar a teoria e os assassinatos provavelmente foram cometidos por motivos pessoais. A linha de investigação era considerada devido ao trabalho das vítimas na proteção dos indígenas da região.
“Na Amazônia, a bala que mata jornalistas, ativistas e indígenas é comprada com o dinheiro da grilagem, do garimpo ilegal e da madeira roubada. Sob Bolsonaro, esses crimes aumentaram seus negócios, seu poder e sua atuação e hoje estão mais preparados do que nunca para eliminar quem atravessa seu caminho”. Com esta fala de Marcio Astrini, do Observatório do Clima, Daniela Chiaretti abre no Valor uma série de reações poderosas ao assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips no Vale do Javari.
O assassinato brutal do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips na Amazônia tem causado indignação internacional, o que levou os Estados Unidos e a União Europeia a cobrar justiça.