Após a maior operação militar de reintegração de posse no estado de Rondônia, dois camponeses foram assassinados pela Polícia Militar
Andressa Zumpano – Setor de Comunicação CPT Nacional
No dia 29 de outubro, policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar de Rondônia, assassinaram dois camponeses pertencentes à Liga dos Camponeses Pobres (LCP). Gedeon José Duque e Rafael Gasparini Tedesco foram mortos na região de Nova Mutum, palco de uma das maiores operações policiais já registradas no Estado.
Antropóloga Lúcia Helena Rangel, que coordenou o relatório do CIMI, diz que o primeiro ano da pandemia misturou tudo: “violência, truculência, descaso e abandono do governo”
O assassinato do jovem Munduruku Josimar Moraes Lopes, 25 anos, e o desaparecimento – até hoje – de seu irmão, Josivan, 18 anos, na Terra Indígena Kwatá Laranjal, é um caso imortalizado como “a chacina no rio Abacaxis”, na Amazônia. A ofensiva de madeireiros na Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, com emboscadas letais contra os Guardiões da Floresta – conflito que vitimou Paulo Paulino Guajajara, executado enquanto caçava. 20 das 23 famílias Matsés – indígenas conhecidos como Mayoruna – remando mata adentro, fugindo de agentes de saúde infectados com a Covid-19 na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas – onde há a presença de quase 20 povos isolados, ainda mais vulneráveis à doença. Um evento político que promoveu aglomeração de centenas de indígenas no Mato Grosso do Sul e, após duas semanas, causou um surto do novo coronavírus, com as mortes de seis Terena na Terra Indígena Taunay/Ipegue, em Aquidauana (MS), em menos de 24 horas. Estas são apenas algumas das cenas de uma verdadeira Guernica, imagem à altura do que o ano de 2020 significou para os indígenas segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
A denúncia foi feita na sexta-feira, 1º de outubro, e divulgada pelo MP nesta terça-feira (5); o homem foi acusado dos crimes de estupro de vulnerável e homicídio com seis qualificadoras
O Ministério Público denunciou o homem de 33 anos acusado de estuprar e matar por asfixia a jovem indígena Daiane Griá Kaingang, de 14 anos, em Redentora, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Daiane foi encontrada morta no dia 4 de agosto, em uma região de mata à beira de uma lavoura nas proximidades da Terra Indígena Guarita.
Pecuarista Nestor Osvaldo Finger, o Gaúcho, era investigado por grilagem de terras, foi visto próximo de incêndios de paióis de camponeses e vinha ameaçando de morte líder da comunidade; para promotor, “tudo é muito assustador”
Os dias têm sido cinzas e tensos para as famílias de lavradores do povoado Vilela, no município de Junco do Maranhão, norte do estado. Tão cinzas quanto os paióis de arroz que encontraram devastados na manhã do dia 23 de agosto, uma segunda-feira, na Gleba Campina. Tão tensos quanto o medo que assola agricultores da região com mais uma morte, dessa vez, do fazendeiro suspeito de grilagem Nestor Osvaldo Finger, o Gaúcho, ocorrida na quarta-feira (22), no município.
Educador, jovem, camponês, gay. Lindolfo Kosmaski, morto no dia 1º de maio deste ano, teve seu corpo carbonizado. O crime, com indícios de homofobia, segue impune após quatro meses do ocorrido na cidade de São João do Triunfo, no estado do Paraná, onde residia.
No último dia 13, na região de Nova Mutum, distrito do município de Porto Velho, capital do estado de Rondônia, uma operação policial ceifou a vida de três trabalhadores rurais sem-terra, dois deles membros da mesma família, e um jovem amigo da família. Segundo informações, além dessas três mortes, cinco pessoas ainda estão desaparecidas. A área onde aconteceu mais esta tragédia rondoniense, está situada nas proximidades da região do Acampamento Dois Amigos e do Acampamento Thiago dos Santos, em União Bandeirantes, distrito do município de Porto Velho. O fato ocorreu na área da Fazenda Santa Carmem, um latifúndio ocupado em janeiro de 2021 e que tem registrado diversos atos de violência na região de Nova Mutum-Paraná, norte de Rondônia. A CPT RO divulgou nota em repúdio à intervenção e ao cenário brutal no Estado.