Fortalecendo a intersetorialidade em tempos de emergência climática na luta contra as iniquidades em saúde

Mudanças climáticas, perda de biodiversidade, degradação ambiental, pandemias, resistência aos antimicrobianos, riscos na segurança dos alimentos e insegurança alimentar são faces da mesma crise sistêmica global, profundamente interconectadas com o modelo econômico capitalista dominante. A implementação de estratégias baseadas na abordagem Uma Só Saúde torna-se essencial para enfrentar os desafios contemporâneos de forma mais efetiva, promovendo uma visão sistêmica que integra as dimensões da saúde humana, animal, vegetal e ambiental

Quando a pandemia de COVID-19 nos impactou com consequências catastróficas, ficou ainda mais evidente que nossa abordagem fragmentada da saúde havia falhado sob diversas perspectivas, como na detecção precoce, na adoção de medidas de controle oportunas e na capacidade de resposta ágil e efetiva. Igualmente, na fragilidade da coordenação e compartilhamento de dados, na interrupção de outros serviços essenciais e na disseminação massiva de desinformação. Esta situação reafirmou a urgência da incorporação de uma visão integrada compreendendo saúde humana, animal, vegetal e ambiental, entendendo que neste último deve-se considerar um sistema socioecológico complexo que engloba elementos bióticos e abióticos interconectados, fundamentais para a sustentabilidade da vida e da saúde. Não há “Uma Só Saúde”, também conhecida como “Saúde Única”, sem compreender que a crise sistêmica global, incluindo a relação das mudanças climáticas, degradação ambiental, ameaças na biodiversidade e a ocorrência de emergências de saúde pública, como as epidemias e pandemias, estão profundamente interconectadas com o modelo econômico capitalista. (mais…)

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Cidades e comunidades como ecossistemas de resiliência: a urgência de uma COP dos territórios

Rafael Reis*, Brasil de Fato

A realização da COP30, em 2025, na cidade de Belém do Pará, representa um marco histórico e simbólico. Pela primeira vez, a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) será sediada na Amazônia, bioma central para o equilíbrio climático planetário. (mais…)

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Experiências do SUS mostram como promover justiça climática e sustentabilidade

Katia Machado (IdeiaSUS Fiocruz)

Belém se prepara para receber, de 10 a 21 de novembro, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) — um dos mais importantes eventos globais dedicados à sustentabilidade. A conferência reúne líderes de todo o mundo com o objetivo de reforçar os compromissos firmados no Acordo de Paris e conter o aumento da temperatura do planeta em até 1,5ºC até o final do século. (mais…)

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As barragens e o capitalismo de desastres. Por Henri Acselrad

Para além da tragédia abrupta, o desastre é um processo contínuo de transferência de custos, onde a “vida ecológica dos rejeitos” expropria o futuro de comunidades inteiras em nome do lucro

Em A Terra é Redonda

1.

Neste mês de novembro de 2025, completam-se dez anos da ocorrência do desastre da Samarco/Vale/BHP em Mariana e na Bacia do Rio Doce. Grande quantidade de estudos alimentou a discussão sobre esta tragédia e aquela que se seguiu, em Brumadinho em 2019, apontadas como expressões de um capitalismo extrativo “de desastre”[i]: após a baixa nos preços das commodities, as empresas haviam buscado ampliar sua produção, apoiando-se no baixo custo operacional proporcionado pela expansão da produção, na precarização das relações de trabalho e no afrouxamento das normas de segurança. (mais…)

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Após décadas de luta, Tribunal de Justiça da Bahia condena empresas por contaminação por chumbo em Santo Amaro da Purificação

Tania Pacheco

“Com o reconhecimento de que a Justiça tardou, mas para que corresponda à expectativa do dito popular de não falhar, determino que publique-se. Registre-se. Intime-se e Cumpra-se.”

Foi com essas palavras que a juíza Emília Gondim Teixeira, do Tribunal de Justiça da Bahia, encerrou e mandou publicar sua sentença que – esperamos – encerrará décadas de luta da população de Santo Amaro da Purificação contra empresas que a tornaram famosa não por ser a terra natal de Bethânia e Caetano, mas pelos seus habitantes dramaticamente contaminados por chumbo.

Era o dia 4 de novembro de 2025, quase 20 anos após a realização do I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, que aconteceu de 28 a 30 de novembro de 2005 na Universidade Federal Fluminense. Foi ali que Raimundo Konmannanjy, então representante da ONG Acbantu e da Rede Kôdya, da Bahia, denunciou o que se passava na cidade onde durante três décadas, de 1960 a 1990, a escória de chumbo chegou a ser usada pela Prefeitura para tapar buracos nas ruas e pavimentar até parques infantis. (mais…)

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Crime da Samarco-Vale/BHP: ‘Nunca haverá indenização nem reparação justas’

MAB denuncia impunidade e continuidade do crime da Samarco-Vale/BHP após 10 anos

Por Mariah Friedrich, Século Diário

“Nunca haverá indenização justa nem reparação justa, pois nada trará de volta as vidas que se foram. Nós repudiamos o que a Justiça fez em não culpar as empresas pelos crimes contra a vida. A vida humana faz parte do meio ambiente, porque ela vive na natureza, e eles não se responsabilizaram por essas vidas”. A crítica de Varner Santana Moura, coordenadora estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e integrante do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce (CFPS Rio Doce), reflete sobre os dez anos que se passaram desde o 5 de novembro de 2015, data do maior crime socioambiental da história do Brasil e um dos maiores do mundo, cometidos pelas mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton. (mais…)

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Audiência Pública em Sergipe discute vazão desordenada da CHESF e impactos no Rio São Francisco

No dia 7 de novembro, o CPP Regional Bahia e Sergipe e o Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) realizam Audiência Pública em Aracaju, que reunirá pescadores e pescadoras, quilombolas e ribeirinhos

Por CPP

No dia 7 de novembro, às 9h, na Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (ALESE), em Aracaju, a deputada Linda Brasil (Psol), o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras de Bahia e Sergipe (CPP) e o Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) realizam a Audiência Pública do Rio São Francisco. O evento reunirá pescadores, quilombolas e comunidades ribeirinhas para discutir a vazão desordenada da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) e os impactos nas comunidades que dependem do Rio para sobreviver. (mais…)

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