Os efeitos perversos das discriminações sociais são naturalizados para permitir a destruição ambiental. Entrevista com o pesquisador Diogo Rocha

Por Tatiane Matheus*, ClimaInfo

Atualmente, no Brasil, há 620 conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde no Brasil, de acordo com o Mapa que compila e analisa esses dados desde 2010. O agronegócio, a mineração, as madeireiras, o garimpo, a especulação imobiliária e o próprio Estado são geradores de conflitos ambientais. Apesar de o racismo ambiental não configurar como categoria de classificação nesse mapeamento, grande parte dos conflitos ambientais no Brasil envolve, de alguma forma, processos relacionados a ele. (mais…)

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Em busca de espaços e tempos abolicionistas

É preciso abolir as prisões, mas também a exploração pelo trabalho, a gentrificação, o extrativismo predatório e toda e qualquer expressão de submissão que seja imposta a nós, enquanto partes dos povos que ocupam este mundo

Por Vitor Costa, A Ponte

Apesar da constante interpelação que abolicionistas sofrem em relação à validade, à concretude e às possibilidades de se realizar o horizonte abolicionista, o abolicionismo resguarda capacidades de enfrentamento crítico que cabem ser levadas adiante com entusiasmo. Primeiro, vale lembrar: ser abolicionista depende tanto do domínio de categorias analíticas teóricas como da capacidade de observar as contradições sociais onde estamos inseridas – e não se concentra em uma mente única, individual e iluminada. (mais…)

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Os desclassados e o voto em 2022. Por Marcio Pochmann

Com globalização e ruína da sociedade industrial, um novo sujeito social emergiu no país. Precarizado, ele vive o vale-tudo da disputa individual. É refém do extrativismo — financeiros, de recursos naturais e dados digitais. Entendê-lo será essencial

em Outras Palavras

A busca atual pela melhor compreensão da trajetória do voto nas eleições de 2022 se transformou na “gota d’água” que move parcela importante do corpo de pensamento social no aprofundamento do entendimento do que é a sociedade brasileira nos dias de hoje. Um inegável sinal de que a dominância das análises tradicionais sobre a prevalência de certa estabilidade da estrutura social teria perdido sentido explicativo. (mais…)

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O marketing da alienação total. Por Ladislau Dowbor

Três corporações gigantes – Alphabet, Meta e Apple – estão prestes a controlar a publicidade no Ocidente. Suas mensagens são repetidas a exaustão. Sua lógica é a da infantilização extrema. Elas alegam que tudo é apenas “informação gratuita”

Outras Palavras

A narrativa é a de que eles nos veiculam suas mensagens para melhor nos servir. Se estamos assistindo a um filme, ele é interrompido com alguma mensagem ensaboada, que vem junto com a lábia de que eles estão “nos oferecendo” esse filme gratuitamente. Nada disso é grátis, claro, pois os custos estão incluídos nos produtos que compramos. Pagamos a eles para colocarem a mensagem publicitária na mídia. Precisamos disso? Os fundamentos econômicos disso tudo é que pagar diretamente a quem faz os produtos culturais nos permitiria ter uma cultura melhor a custos muito mais baixos. (mais…)

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O capitalismo verde na Amazônia contra Chico Mendes. Por Amyra El Khalili

Especial para Pravda.Ru.

O sindicalista Chico Mendes teve sua projeção internacional a partir de sua famosa viagem a Washington na década de 80, para denunciar os impactos das obras da BR 364 na Amazônia ao Banco Mundial.  No entanto, logo após o seu assassinato ocorreu uma “metamorfose” com a tentativa de transformação de seu legado político radicalmente anticapitalista – com fundamentação teórica marxista – reduzindo as suas bandeiras em defesa pelos direitos humanos em apenas uma luta pela preservação da floresta. (mais…)

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Onze pistas falsas sobre o clima. Por Michael Löwy

Contestação de lugares-comuns que dificultam o combate à mudança climática

Em A Terra é Redonda

Encontramos um grande número de lugares-comuns nos vários discursos sobre o clima, repetidos mil vezes em todos os matizes, que constituem pistas falsas, que levam, voluntariamente ou não, a ignorar as verdadeiras questões, ou a acreditar em pseudossoluções. Não me refiro aqui aos discursos negacionistas, mas àqueles que se dizem “verdes” ou “sustentáveis”. Estas são afirmações de natureza muito diversa: algumas são verdadeiras manipulações, fake news, mentiras, mistificações; outras são meias-verdades, ou um quarto de verdade. Muitas estão cheias de boa vontade e de boas intenções – e, como sabemos, delas o inferno está cheio. É neste caminho que estamos: se continuarmos com o business as usual – mesmo que pintado de verde – dentro de algumas décadas, nos encontraremos numa situação muito pior do que a maioria dos círculos do inferno descritos por Dante Alighieri na sua Divina Comédia. Os onze exemplos seguintes são apenas alguns desses lugares-comuns a evitar. (mais…)

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O agronegócio e a distribuição desigual dos riscos. Por Henri Acselrad

Campeão mundial no uso de agrotóxicos, o Brasil tem mostrado ocupar também a primeira posição em termos de ecosubordinação aos fluxos do capitalismo global

Em A Terra é Redonda

“O agro é o único setor da economia brasileira que não tem medo da concorrência internacional” – declarou um candidato à presidência[i]. Faltou acrescentar que, para exportar suas commodities agrícolas, o Brasil ocupa o primeiro lugar do mundo no consumo per capita de agrotóxicos, com 5.2 litros por pessoa ao ano.[ii] Ou seja, a mencionada competitividade se apoia, em parte, no fato de que nenhum país quer concorrer com o Brasil no uso recorde de substâncias que contaminam os rios, solos e a saúde dos trabalhadores. A toxicidade é, assim, intrínseca ao modelo agrícola em vigor, que concentra nos países do hemisfério Sul os principais males ambientais associados à lucratividade das corporações agroquímicas. Senão vejamos. (mais…)

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