Silvia Federici: “O capitalismo ameaça a nossa reprodução, envenenando o solo, as águas”

Confira entrevista com a filósofa Silvia Federici, que virá ao Brasil em outubro, sobre a possibilidade de um renascimento da caça às bruxas e o papel do capitalismo no esgotamento da terra e dos seres humanos

por Susana de Castro*, Le Monde Diplomatique Brasil

Existiria um renascimento da ‘caça às bruxas’? A ideologia do ‘feminismo natural’ sedimenta a exploração do trabalho feminino? Há vias de transformações possíveis em meio às formas capitalistas de produção e reprodução? Alicerçada nestes questionamentos, esta entrevista com a intelectual feminista Silvia Federici, autora de Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva (Editora Elefante, 2019), aborda os limites do capitalismo e o resultante esgotamento dos seres humanos, mas também aponta para o que acredita serem formas de “reprodução em comum”, caminhos mais cooperativos experimentados por mulheres na organização das atividades reprodutivas. Federici estará no Brasil para participar do XIX Encontro da Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (Anpof), que acontece entre os dias 10 e 14 de outubro, na cidade de Goiânia. (mais…)

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Documentário reúne visões de mundo e experiências que se conectam para influenciar o pensamento coletivo

A partir de 11 depoimentos no documentário “Inspira”, jornalista tenta mostrar que tudo e todos estão conectados

Por Redação RBA

A cena se dá durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, mas poderia ser hoje. Da tribuna, o jovem indígena Ailton Krenak, 34 anos à época, se dirige aos parlamentares enquanto espalha tinta no rosto: “Os senhores não poderão ficar alheios a mais essa agressão movida pelo poder econômico, pela ganância, pela ignorância do que significa ser um povo indígena”. Povo com seu jeito de viver e pensar, lembra, que nunca pôs em risco sequer os animais, quanto mais a vida de outros seres humanos.

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Commodities ambientais: o paradigma organicista como contraponto à privatização e financeirização da natureza. Por Amyra El Khalili

Sumário: O que são Commodities Ambientais? – Separação a se fazer do joio do trigo – Mercantilização da Natureza? – Sua eminência parda: o Mercado – Créditos de carbono e de compensação ambiental – Economia verde versus economia socioambiental – Uma abordagem estruturada para a elaboração de projetos econômico-financeiros para o mercado de “Commodities Ambientais” – 1 Apresentação: O Direito e a Economia Socioambiental – 2 Introdução – 3 Políticas públicas e o aspecto socioeconômico – Proposta de “Plano de trabalho e roteiro de projetos econômico-financeiros para o mercado de Commodities Ambientais” – Referências.

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Carta aberta de amor e de luta das Mulheres Sem Terra

Na Carta das Mulheres Sem Terra, as camponesas denunciam as violências estruturantes, do sistema capitalista que agride os corpos e adoece as mulheres, a mercantilização da vida, dos territórios e da natureza. 

Da Página do MST

Entre os dias 7 e 14 de março de 2022 acontece em todo o país a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, com o lema: Terra, Trabalho, Direito de Existir. Mulheres em Luta não vão sucumbir! São diversas ações simbólicas acontecendo em todo país este mês, com a participação das mulheres do campo e da cidade. 

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Capitalismo é idolatria do mercado? Por Gilvander Moreira[1]

Diversas vezes nos seus escritos, Karl Marx se refere ao capitalismo como um Moloch, um ídolo que exige o mundo inteiro como um sacrifício devido e como um monstruoso deus pagão, que só quer beber néctar na caveira da morte. A crítica da economia política de Marx está recheada de referências à idolatria: Baal, Moloch, Mammon, Bezerro de Ouro. E Marx usa também o conceito de fetichismo (Cf. LOWY, 2007, p. 301). Essas referências inspiraram teólogos da Teologia da Libertação, tais como Franz Hinkelammert, Enrique Dussel, Hugo Assmann e Jung Mo Sung, na elaboração da Teologia da Economia que compreende o capitalismo como idolatria do mercado e do capital, pois o mercado e o capital são endeusados.[2] No altar do mercado, o deus capital sacrifica seres humanos e toda a biodiversidade para continuar reproduzindo os ossos do capital.

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Privatização da fé: riqueza é bênção de Deus? Por Gilvander Moreira[1]

Somente nos anos de 1845 e 1846, na obra A Ideologia Alemã, Karl Marx e Engels analisam o fenômeno religioso como realidade social e histórica produzida materialmente e condicionada pelas relações sociais, “o que significa, é óbvio, que a questão pode ser representada na sua totalidade” (MARX apud LOWY, 2007, p. 300). Após A Ideologia Alemã, poucas vezes Marx se dedicou a escrever sobre religião. Entretanto, sendo questionado sobre o papel da política na Idade Antiga e da religião na Idade Média – como sendo preponderante, alegavam vários pensadores – no primeiro volume de O Capital, em uma nota de rodapé, Marx demonstra sua interpretação materialista da história. Diz ele: “Nem a Idade Media pode viver do Catolicismo nem a Antiguidade da política. As respectivas condições econômicas explicam, de fato, por que o Catolicismo lá e a política aqui desempenham o papel dominante” (MARX apud LOWY, 2007, p. 300).

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Dos horrores do capitalismo. Por Elaine Tavares

em Palavras Insurgentes

Um homem foi queimado vivo na Beira-Mar (morada dos ricos) em Florianópolis. Estava rolando uma festa ali, mas ninguém viu. O homem era pobre e preto. A mídia diz que ele tinha passagem pela polícia, como se isso justificasse. O horror. Ele lembra que ouviu risos. Ou seja, quem ateou fogo nele, riu, achou engraçado. E foi embora, certo da impunidade. A polícia não sabe de nada, não tem imagens no local (coisa bem estranha, visto que é a região mais nobre da ilha) e chegou a pensar que ele tinha sumido do hospital, aparentemente sem se importar muito. 

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