“Essa ideia do fim da história é uma invenção dos conservadores”. Entrevista com Thomas Piketty

IHU

“O fim da história é uma invenção dos conservadores”.  Thomas Piketty (França, 1971) retorna com todo o seu arsenal ideológico em seu novo livro Breve historia de la igualdad (Deusto) [Uma breve história da igualdade].

O economista francês rejeita as teses imobilistas da direita e expõe que desde o século XVIII, após a  Revolução Francesa, “a verdadeira fonte de prosperidade econômica é esse movimento para alcançar mais igualdade, tanto política como social e econômica”.

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Marxismos e cristianismos. Por Michael Löwy

Nota crítica sobre diversas publicações acerca da relação entre marxismo e cristianismo

Em A Terra é Redonda

Os primeiros socialistas do século XIX na Europa, seja Saint-Simon e seus seguidores, Cabet e os comunistas franceses, ou Wilhelm Weitling, o fundador da Liga dos Justos alemã, eram religiosos e reivindicavam uma herança cristã. Foi apenas com Marx e Engels que surgiu um socialismo não-religioso, ou mesmo ateu. O texto fundador desta inflexão é um artigo de Marx publicado em 1844 no Deutsch-franzözische Jahrbücher.

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Ecossocialismo. Por Michael Löwy

Em A Terra é Redonda

É imprescindível a emergência de uma civilização social e ecológica baseada numa nova estrutura energética e num conjunto de valores e estilos de vida pós-consumistas

Capitalismo e crise ecológica

A civilização capitalista contemporânea está em crise. A acumulação ilimitada de capital, a mercantilização de tudo, a exploração implacável do trabalho e da natureza e a catástrofe ecológica daí resultante comprometem as bases de um futuro sustentável, pondo em perigo, assim, a própria sobrevivência da espécie humana.

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Divisão do trabalho, propriedade e escravidão. Por Gilvander Moreira*

Como acontecem as relações sociais em uma sociedade capitalista? A ideologia dominante diz que no capitalismo há liberdade. Qual? Para quem? Na realidade, no capitalismo, a tríade “divisão do trabalho, propriedade privada capitalista e escravidão” tecem relações sociais escravocratas que causam superexploração da dignidade humana e de toda a natureza. Vejamos! “A linguagem é tão antiga quanto a consciência – a linguagem é a consciência real, prática, que existe para as outras pessoas e que, portanto, também existe para mim mesmo; e a linguagem nasce, tal como a consciência, do carecimento, da necessidade de intercâmbio com outras pessoas” (MARX; ENGELS, 2007, p. 34). Iniciada na divisão do trabalho na família, a divisão do trabalho transformou o mundo da produção e o mundo das relações sociais. Com a divisão do trabalho, dividem-se as famílias na sociedade ficando opostas umas às outras, estabelecendo a distribuição desigual do trabalho e do seu produto. Assim, se cria, na família, de forma embrionária, a noção de propriedade, em que mulher e filhos passam a ser coisas/escravos do homem. A noção de propriedade diz respeito ao poder de dispor da força de trabalho alheia. Assim, divisão do trabalho, propriedade e escravidão constituem a tríade que sustenta a sociedade capitalista.

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A força contra a razão. Por Valério Arcary

Ninguém lutou mais pela democracia no Brasil do que a esquerda

Em A Terra é Redonda

“Coube sempre o melhor quinhão, a quem mais força teve, e não razão” (Sabedoria popular portuguesa).

A disputa eleitoral de 2022 já começou na mídia comercial expressando uma fração da classe dominante que se posiciona pela defesa de uma terceira via, anti-Lula e anti-Bolsonaro, seja lá quem for. Os principais meios de comunicação atuam, escandalosamente, como um “partido acima dos partidos”. O pretexto, desta vez, para a manipulação dos incautos, foram as recentes eleições na Nicarágua, em que Daniel Ortega foi reeleito para um quarto mandato. Outras incontáveis vezes, nos últimos anos, estes liberais de araque se calaram, em indisfarçável conivência, quando as hordas exasperadas da extrema-direita se lançaram às ruas gritando: “O Brasil não será uma Venezuela” e “Vai para Cuba”.

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A nova Guerra Fria. Por Boaventura de Sousa Santos

A prevalência atual do poder cru traz consigo um péssimo presságio e um enorme desafio para a democracia liberal

Em A Terra é Redonda

A discrepância entre princípios e práticas é talvez a maior especificidade da modernidade ocidental. Qualquer que seja o tipo de relações de poder (capitalismo, colonialismo e patriarcado) e os campos do seu exercício (político, jurídico, econômico, social, religioso, cultural, interpessoal), a proclamação dos princípios e dos valores universais tende a estar em contradição com as práticas concretas do exercício do poder por parte de quem o detém. O que neste domínio é ainda mais específico da modernidade ocidental é o fato de essa contradição passar despercebida na opinião pública e ser mesmo considerada como não existente.

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Boaventura: A perigosa emergência dos “regimes híbridos”

Na guerra fria contra a China e no ressurgimento da ultradireita estão chaves da lógica atual de dominação capitalista. Ela mantém o discurso da democracia e dos direitos humanos – para desclassificar como sub-humanos os divergentes…

por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

Na crônica anterior comecei a analisar a crescente prevalência e maior visibilidade do poder cru em relação ao poder cozido tendo-me centrado numa das manifestações deste fenômeno,da vitória sobre o adversário ao extermínio do inimigo. Continuo agora a análise, centrando-me na segunda manifestação, a hiper-discrepância entre princípios e práticas.

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