Os “poetas sociais” e o 11º mandamento. Por Roberto Malvezzi (Gogó)*

No pensamento de Francisco, uma advertência: guardai a Natureza e os mais pobres da fúria do capitalismo — e se evitará a catástrofe. Para isso, mais que fé e cúpulas políticas, aposta na poética dos movimentos sociais para buscar soluções…

Outras Palavras

Nunca na história a correlação entre economia e ecologia foi tão clara e perturbadora. Nesse momento de covid-19, as autoridades sanitárias do mundo inteiro nos orientam a permanecer em casa (Oikós) para não expandirmos a disseminação do vírus e nos contaminarmos como pessoas. Por outro lado, premidos pelas necessidades básicas do cotidiano, muitas pessoas não têm seu sustento garantido e arriscam a própria vida para sair em busca do pão de cada dia.

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Boaventura: as estátuas do nosso desconforto

Se as derrubamos, não é porque nos incomodem, em si mesmas. Mas por estarem vivas as três formas de dominação – capitalista, patriarcal e colonial – que as colocaram em pedestais e nos trouxeram a um presente que precisamos superar

Por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

As estátuas parecem-se muito com o passado, e é por isso que sempre que são postas em causa nos viramos para os historiadores. A verdade é que as estátuas só são passado quando estão tranquilas nas praças, partilhando a recíproca indiferença entre nós e elas. Nesses momentos, que por vezes duram séculos, são mais intencionalmente visitadas por pombas do que por seres humanos. Quando, no entanto, se tornam objeto de contestação, as estátuas saltam do passado e passam a ser parte do nosso presente. Doutro modo, como poderíamos dialogar com elas e elas conosco? Claro que há estátuas que nunca são contestadas, quer porque pertencem a um passado demasiado remoto para saltar para o presente, quer porque pertencem ao presente eterno da arte. Estas estátuas só não estão a salvo de extremistas tresloucados, caso dos Budas de Bamiyan, do século V, destruídas pelos talibãs do Afeganistão em 2001.

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Depois da pandemia, a semana de quatro dias

Cresce o debate sobre saídas anticapitalistas para a crise. Depois de derrotar a covid-19, primeira-ministra da Nova Zelândia vai adiante. Propõe, para reestimular a economia sem ampliar a desigualdade, menos trabalho, com os mesmos salários

Por Van Badham* | Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

Agora, a popularidade de Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, pelo Partido Trabalhista, é estratosférica. Com a confiança que a popularidade lhe trouxe, seu governo passou a se posicionar mais nitidamente, promovendo ideias políticas que pareciam inimagináveis apenas alguns meses atrás. Uma delas, discutida no mês passado, encoraja o país a adotar uma semana de trabalho de quatro dias úteis

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“Os governos da direita e da extrema direita são muito bons para destruir, mas muito ruins para construir”. Entrevista com Boaventura de Sousa Santos

IHU On-Line

Os cenários a partir dos quais o sociólogo Boaventura de Sousa Santos fala são diversos. Assim como pode oferecer uma conferência sobre as perspectivas de paz na Colômbia, diante de vários líderes sociais e estudantes da Universidade Autónoma Indígena Intercultural, em Popayán [Colômbia], também pode conversar sobre o colonialismo no principal auditório da Universidade da CalifórniaIrvine, ou pode dar uma aula sobre as consequências nefastas do patriarcado na Universidade de Barcelona.

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Reinventar modos de viver a partir dos territórios. Por Cândido Grzybowski

Do Ibase

Estamos naquele impasse quase total, de absoluta incerteza. Experiência única para a maioria no mundo inteiro. Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma vivência compartida entre todas e todos, um momento de extraordinária tomada de consciência de destino comum planetário. Nunca vivenciamos tal situação de total dependência, tendo os mesmos medos e incertezas sobre o amanhã e o depois de amanhã, ao menos nós das atuais gerações. E, no entanto, desperta uma profunda sensação de direito coletivo à vida, com um futuro a sonhar e construir, como condição do próprio viver. Eis o desafio!

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Noam Chomsky: “Se não conseguirmos um ‘Green New Deal’, ocorrerá uma desgraça”

Voz de referência da esquerda nos EUA, o pensador pede uma grande mudança de rumo. Afirma que colocar funções públicas sob controle privado explica grande parte do desastre na crise do coronavírus

por Marta Peirano, em El País

O norte-americano Noam Chomsky (91 anos) é o fundador da linguística contemporânea e o pensador crucial da esquerda contemporânea. Também é um dos grandes impulsores da Internacional Progressista, a plataforma que reúne o The Sanders Institute, o Movimento pela Democracia na Europa 2025 (DiEM25), representantes do Sul global, Índia, África e América Latina. Em plena pandemia eles se lançam para bloquear uma escalada do neoliberalismo e “abrir a porta a alternativas progressistas preocupadas com o bem-estar das pessoas e não pela acumulação de riqueza e poder”. O encontro foi tela com tela.

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