Coronavírus: já tínhamos sido avisados

Há seis meses a ONU alertava: um vírus devastador poderia nos levar a uma pandemia. Governantes ignoraram risco iminente. Agora, enfrentarão nova ordem social – e do confinamento pode emergir uma governança solidária e global

Por Juan Luis Cebrián*, no El País España | Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

Em setembro do ano passado, um relatório das Nações Unidas e do Banco Mundial alertava sobre o sério risco de uma pandemia que, além de dizimar vidas humanas, iria destruir a economia e provocar um caos social. O chamado era para nos prepararmos para o pior: uma epidemia planetária, de uma gripe especialmente letal, transmitida por vias respiratórias. Apontava que um germe patogênico desse tipo poderia tanto surgir de forma natural, como ser projetado e criado num laboratório, com o fim de virar uma arma biológica. E fazia um chamado aos EUA e às instituições internacionais para que tomassem medidas para afastar aquilo que já se mostrava, certamente, à espreita.

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Ou desaceleramos ou morremos todos

Na esteira do tráfego aéreo, a pandemia espalhou-se — interrompendo fluxos de produtos e pessoas. Rompeu-se, mesmo à força, o “imperativo da fluidez”, descrito por Milton Santos, revelando: podemos viver sem correr e consumir tanto

por Antonio Gomes de Jesus Neto*, em Outras Palavras

Se há algo inerente à humanidade, é o movimento. Por exemplo, não seria possível pensar o continente africano atual sem as milenares migrações bantu e, na escala mundial, a China se lançou aos mares antes mesmo dos portugueses darem início ao que se chama, romanticamente, de Grandes Navegações. No século XIX, os trens e telégrafos ingleses mudaram a forma (e a velocidade) pela qual o planeta interagia, e daí à aviação comercial, já no século XX, foi um pulo. Assim, entramos no século XXI animados com a possibilidade de circular rapidamente pelo mundo em poucas horas (senão em um clique), mas sem pensar nas possíveis consequências disso.

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“Nós estamos vivendo uma agiotagem institucionalizada”, diz economista Amyra El Khalili

No país dos juros mais altos do mundo, a TV Diálogos do Sul recebeu a Amyra El Khalili para falar sobre a economia do Brasil

Mariane Barbosa, Diálogos do Sul

Uma das primeiras operadoras de pregão da Bolsa de Mercadorias & de Futuros (BM&F), a beduína palestino-brasileira, economista e ativista ambiental Amyra El Khalili criticou a alta taxas de juros cobrados no país. “Nós estamos vivendo uma agiotagem institucionalizada”.

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David Harvey: Política anticapitalista em tempos de coronavírus

Quarenta anos de neoliberalismo na América do Norte e do Sul e na Europa deixaram o público totalmente exposto e mal preparado para enfrentar uma crise de saúde pública desse calibre, apesar de sustos anteriores como a SARS e o Ebola fornecerem avisos abundantes e lições convincentes sobre o que seria necessário ser feito.

No Blog da Boitempo

Ao tentar interpretar, entender e analisar o fluxo diário de notícias, tenho a tendência de localizar o que está acontecendo em dois cenários distintos, mas interligados, de como o capitalismo funciona. O primeiro cenário é um mapeamento das contradições internas da circulação e acumulação de capital, à medida que o valor monetário flui em busca de lucro através dos diferentes “momentos” (como Karl Marx os chama) de produção, realização (consumo), distribuição e reinvestimento. Este é o arranjo da economia capitalista como uma espiral de expansão e crescimento sem fim. Fica mais complicado à medida que é analisado, por exemplo, através das rivalidades geopolíticas, desenvolvimentos geográficos desiguais, instituições financeiras, políticas estatais, reconfigurações tecnológicas e a rede em constante mudança de divisões do trabalho e relações sociais.

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O coronavírus: o perfeito desastre para o capitalismo do desastre. Por Leonardo Boff

Em LeonardoBoff.com

A atual pandemia do coronavírus representa uma oportunidade única para repensarmos o nosso modo de habitar a Casa Comum, a forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos com a natureza. Chegou a hora de questionar as virtudes da ordem do capital: a acumulação ilimitada, a competição, o individualismo, a indiferença face à miséria de milhões, a redução do Estado e a exaltação do lema de Wallstreet: ”greed is good”(a cobiça é boa). Tudo isso agora é posto em xeque. Ele tem dias contados.

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A crise que definirá nossa geração

Em exílio, mundo é obrigado a se repensar suas prioridades, seus líderes e seu destino

por Jamil Chade, em El País

Nesta semana, recebi um email profundamente triste. Uma antiga colega jornalista havia falecido. Nenhuma relação com o coronavírus. Mas o mesmo email trazia uma segunda notícia dramática: a cerimônia prevista para seus obséquios estava cancelada. Desta vez sim, a culpa era do coronavírus. Um enterro solitário.

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Coronavirus, el padre ausente y la crisis del capitalismo

El coronavirus obliga al Estado a actuar como padre de unos hijos a los que nunca atendió. Además, es aprovechado por algunos gobiernos para inyectar capital en industrias que de otro modo se ahogarían víctimas de la poca demanda. ¿Qué lecciones nos dejará la pandemia más grande de la historia moderna?

Por José Carlos Díaz*, en Servindi

La crisis global provocada por la pandemia del COVID-19, en adelante “coronavirus”, no solo ha desnudado la fragilidad de la especie humana como ecosistema, sino también varios fracasos sociales y económicos.

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