Eleições e novo governo: o que revogar

É preciso propor, desde já, a anulação de quatro grandes retrocessos: o congelamento dos gastos sociais, a contrarreforma trabalhista, a obsessão pelo superávit primário e a política de juros

Por Paulo Kliass*, em Outras Palavras

O aumento da velocidade do calendário político-eleitoral e a elevada instabilidade a respeito das regras e condições do pleito de outubro contribuem para que as questões relativas às disputas dentro e fora dos partidos acabem por consumir o conjunto das prioridades dos grandes meios de comunicação em nosso país. Esse clima também se explica pelo ambiente de final de feira, onde um não-governo ilegítimo vai se rastejando para seu fim catastrófico e ainda disputa seus baixíssimos índices de popularidade com as margens de erro das pesquisas de intenção de voto. (mais…)

Ler Mais

Argentina: nada será como antes

Uma semana depois, balanço da jornada que quase levou à aprovação do direito ao aborto indica: lutas feministas tornaram-se mais fortes que nunca, espalham-se pelo continente e desafiam promiscuidade entre religião e Estado

Por Fernanda Paixão e Antônio Ferreira*, do Coletivo Passarinho, em Outras Palavras

Na madrugada da quinta-feira 9 de agosto, depois de mais de 17 horas de pronunciamentos, o Senado argentino vetou o projeto de lei de interrupção voluntária da gravidez (IVA). A longa jornada de mobilização nas imediações do Congresso desde as primeiras horas do dia 8 de Aborto, ou “8A”, como se intitulou a data histórica, terminava com o rechaço decidido por 24 senadores e 14 senadoras. Nas ruas, o lado dos lenços azuis “pró-vida”, à direita do edifício do Congresso, não economizou fogos de artifício e cartazes alçados com os dizeres “Cristo venceu”. O lema “Que seja lei”, difundido nos últimos meses por toda Argentina junto com a maré verde pró-aborto legal, ao final da noite deu lugar com força ao “Será lei”. Talvez não hoje, mas amanhã, como ressaltaram em seus discursos senadores que votaram pelo “sim”, como Pino Solanas e a ex-presidenta Cristina Kirchner. O projeto, que já foi apresentado ao Congresso Nacional sete vezes, agora espera o início das sessões legislativas de 2019 para ser apresentado novamente. (mais…)

Ler Mais

Como pesquisar para transformar?. Por Gilvander Moreira[1]

Ao fazer retrospectiva sobre a evolução da metodologia de pesquisa, Marcela Gajardo define a Pesquisa Participante como apropriação coletiva do saber, na produção coletiva do conhecimento, algo indispensável na luta por efetivação de direitos dos grupos explorados. Parte-se do princípio de que os grupos injustiçados em luta por direitos são sujeitos políticos. Assim, na década de 1960 se evolui da pesquisa temática para a pesquisa-ação. Buscam-se estratégias metodológicas que viabilizem a superação de dicotomias, tais como: sujeito-objeto, teoria-prática, “possibilitando uma produção coletiva de conhecimentos em torno de vivências, interesses e necessidades dos grupos situados histórica e socialmente” (GAJARDO, 1987, p. 18). (mais…)

Ler Mais

Dinheiro oculto em paraísos fiscais patrocina o desmatamento na Amazônia

Estudo mostra conexões entre ameaças ao meio ambiente e o capital que escapa ao controle dos Estados

Por Miguel Ángel Criado, em El País

Boa parte do dinheiro escondido nos paraísos fiscais acaba financiando a pesca ilegal e o desmatamento amazônico. É o que mostra um estudo que analisou os escassos dados públicos existentes sobre os movimentos desse capital opaco e seu impacto ambiental. Os resultados mostram que a maioria dos pesqueiros investigados por exaurir os mares tinha bandeira de conveniência. Enquanto isso, boa parte do investimento estrangeiro na pecuária e no cultivo de soja que estão desmatando a Amazônia procedem de paraísos como o Panamá, ilhas Cayman e Bahamas. (mais…)

Ler Mais

Naomi Klein: Foi o capitalismo, e não a “natureza humana”, que matou nossos esforços contra as mudanças climáticas

No The Intercept Brasil

Neste domingo, a revista inteira do New York Times foi composta de apenas um artigo sobre um único assunto: a falha em combater a crise global do clima durante os anos 1980, uma época em que a ciência sobre o tema estava consolidada e a política parecia se alinhar ao debate. Escrito pelo romancista Nathaniel Rich, esse trabalho de história é repleto de revelações privilegiadas sobre caminhos que deixamos de seguir que, em diversas ocasiões, me fizeram xingar a plenos pulmões. E, para não restar dúvida de que as implicações dessas decisões serão marcadas no tempo geológico, as palavras de Rich são enfatizadas por fotos aéreas de George Steinmetz, que tomam páginas inteiras e documentam dolorosamente o rápido desmantelamento dos ecossistemas do planeta, desde a água corrente onde o gelo da Groenlândia costumava estar até as grandes proliferações de algas no terceiro maior lago da China. (mais…)

Ler Mais

Ermínia Maricato: O desastre urbano e os despertares

Viagem ao fascinante, trágico e belo universo de Natal.-RN Em meio à especulação imobiliária e à segregação urbana, recomeçam práticas de democracia direta, da qual nossos partidos afastaram-se

Por Ermínia Maricato, em Outras Palavras

Tenho circulado por inúmeras cidades do Brasil para atender a convites acadêmicos e ao mesmo tempo para falar do BrCidades – um projeto para as cidades do Brasil, que é iniciativa da Frente Brasil Popular (FBP). (mais…)

Ler Mais

Boaventura: os conceitos que nos faltam

Direitos Humanos, Democracia, Paz e Progresso terão se transformado em biombos para ocultar um mundo cada vez mais desigual, violento e alienado? Mas como superá-los?

Por Boaventura de Sousa Santos, no Outras Palavras

Os seres humanos, ao contrário dos pássaros, voam com raízes. Parte das raízes estão nos conceitos que herdamos para analisar ou avaliar o mundo em que vivemos. Sem eles, o mundo pareceria caótico, uma incógnita perigosa, uma ameaça desconhecida, uma jornada insondável. (mais…)

Ler Mais