No capitalismo só não há espaço para dois entes: o ser humano e a natureza. Entrevista especial com Eleutério F. S. Prado

Por: Patricia Fachin – IHU On-Line

O ponto final na curta história do projeto de estado de bem-estar social, iniciado no pós-guerra, parece ter sido colocado com a crise financeira mundial de 2008. Se o capitalismo atual, impulsionado pela financeirização, não encontra limites matemáticos, alcançando uma cifra 350% superior ao PIB mundial, defronta-se com a barreira que lhe confere alguma materialidade: o ser humano e a natureza. “É bem evidente hoje que os problemas ecológicos, tais como o aquecimento global, a poluição das águas potáveis, a acidificação dos oceanos, a destruição das espécies, etc. ameaçam o capitalismo porque ameaçam a própria continuidade da vida humana na Terra. Eis que a natureza, assim como o ser humano que faz parte dela, não está integrada ao capital; eis que ambos estão apenas subordinados e que, por isso mesmo, podem contrariar a lógica de expansão insaciável que caracteriza sobretudo o modo de existência da produção capitalista”, pontua Eleutério F. S. Prado, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. (mais…)

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David Harvey: “Vivemos no mundo da servidão por dívidas”

Por , no The Intercept Brasil

Ao longo do último ano, experimentamos todos uma sensação de vertigem política. Parte disso, claro, decorre do fato de o atual presidente dos Estados Unidos ser Donald Trump — e de ele estar constantemente encadeando um absurdo no outro, normalmente quando a gente mal começa a debater sobre o primeiro.

Estamos correndo o tempo todo, e fica difícil tomar pé de onde estamos e onde estivemos. Poder parar e olhar para as coisas de uma perspectiva mais ampla se torna um luxo quase inacessível. Isso terá sérias consequências. Estamos sofrendo alterações em nossos cérebros, na forma como processamos as notícias e as informações, nos nossos conceitos de resistência e tirania. Já vivemos em uma sociedade que não estuda sua própria história — a história nua e crua –, e muitas vezes os acontecimentos em curso são analisados num vácuo que raramente inclui o contexto histórico necessário para compreender o que é novidade, o que é antigo e como chegamos até aqui. (mais…)

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A Oxfam avisa: a desigualdade pode ser vencida

Mídia não enxerga a principal novidade do mais novo relatório sobre injustiça social. Há inúmeros caminhos para superar o problema – basta vontade e força política para adotá-los

Por Inês Castilho, no Outras Palavras

“Nossa economia é construída nas costas de
trabalhadores mal remunerados, frequentemente mulheres,
que recebem baixos salários e são privados de direitos básicos.
É construída à custa de trabalhadoras como Dolores,
que trabalha em frigoríficos de frangos nos Estados Unidos
e desenvolveu uma deficiência permanente
que não lhe permite segurar seus filhos pela mão”
(do relatório da Oxfam)

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Arqueologia de Bonecos – desafiando o descarte e o caos

Por Alenice Baeta, para Combate Racismo Ambiental

Quem faz o caminho entre a capital mineira Belo Horizonte para a cidade vizinha setecentista Sabará situada no vale do rio das Velhas, passando pela BR 262 via Bairro Alvorada onde há um estreitamento da pista, sem acostamento, pode notar um local em sua margem munido de inúmeros bonecos de pano e de pelúcia dispostos em varal, ripas, árvores e arames. Impressiona a paisagem desse lugar. A primeira vontade é parar e olhar com calma este local inesperadamente diferente, mas não dá… O trânsito e o caos urbano não permitem num primeiro momento…      (mais…)

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Odeio os indiferentes, por Antonio Gramsci

Quem verdadeiramente vive, não pode deixar de ser cidadão e partisano. A indiferença e a abulia são parasitismo, são canalhice, não vida

Na Carta Maior

Há 70 anos, no dia 27 de abril de 1937, morria o filósofo italiano Antonio Gramsci, num hospital penitenciário, apenas seis dias depois de recuperar formalmente a liberdade, após sofrer mais de 10 anos de prisão – metade da rigorosa pena aplicada pelo tribunal de Mussolini – em condições subumanas. (mais…)

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A eliminação dos custos associados ao direito e à proteção do trabalhador constitui a espinha dorsal da reforma trabalhista. Entrevista especial com Ludmila Abilio

Patricia Fachin – IHU On-Line

Quando se trata de analisar os efeitos negativos da reforma trabalhista, um percentual significativo da população merece atenção, porque ele será o mais prejudicado com as mudanças que terão como consequência imediata “a eliminação de uma ampla gama de postos formais tais como se constituem hoje no setor de serviços para a reinserção de um exército de trabalhadores agora transformados em trabalhadores intermitentes. Eles vão ganhar por hora, não terão descanso remunerado, não terão garantia alguma sobre o quanto recebem, verão, do dia para a noite, a sua renda que já é mínima ser rebaixada e tornada ainda instável, entre outras maldades”, afirma a socióloga Ludmila Abilio à IHU On-Line. (mais…)

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Bullying, retrato de um sistema

Em novo livro, dois sociólogos propõem: é hora de perceber que as intimidações violentas não são desajustes individuais. Elas reproduzem a disputa incessante que o capitalismo estimula

Charles Deber e Yale Magrass, entrevistados por Mark Karlin, em Truthout* – Outras Palavras

O que causa o bullying? Ao analisarem o fenômeno nos Estados Unidos, em Bully Nation, os sociólogos Charles Derber e Yale R. Magrass mostram como as desigualdades de poder, o militarismo e o capitalismo agressivo tornam tanto o bullying pessoal como o institucional um lugar-comum. A seguir, em entrevista à revista Truthout, Charles e Yale abordam o tema a partir de um ponto de vista original. Para eles, as crianças que intimidam as outras, de forma violenta, não estão se mostrando desadaptadas. Ao contrário, são as que assimilaram, de maneira crua e não mediada, algumas das características centrais de um sistema cada vez mais reduzido à luta de todos contra todos. (mais…)

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