Os capitalistas de desastre. Por Luiz Marques

Em “A doutrina do choque”, Naomi Klein mostra como o mercado aproveita os desastres naturais para beneficiar os negócios de suas corporações

No Sul21

Naomi Klein é uma premiada jornalista canadense, com publicações em diversos idiomas. Em A doutrina do choque: A ascensão do capitalismo de desastre (Nova Fronteira, 2008), propõe um olhar sobre a história do “Estado corporativista” onde a globalização – codinome do livre mercado – aproveita a chance de desastres naturais (Sri Lanka), golpes militares (Chile), guerras (Iraque) e atos terroristas (Estados Unidos) para alterar a legislação da economia em prol de corporações na área da construção civil, saúde, segurança, turismo, etc. Tal tem sido o modus operandi do sistema para implementar “a nova razão do mundo”, na direção de uma distopia anarcocapitalista. Os choques servem para minar e exterminar resquícios do Estado de Providência, no imaginário social e no real. (mais…)

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Do Rio Grande do Sul à Amazônia: como o capitalismo muda os rios

Ao norte e ao sul, a ideologia do Estado mínimo e da exploração extrema colabora para o colapso das condições de vida

Murilo Pajolla, Brasil de Fato

Estive várias vezes no interior do Rio Grande do Sul antes da catástrofe climática deste ano. Em Encantado, uma cidade pequena, vi famílias inteiras se banharem e pescarem num rio Taquari limpo e tranquilo. “Que privilégio!”, eu pensava. (mais…)

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O nome do culpado é capitalismo

Marx não foi, evidentemente, um ambientalista avant la lettre. É inútil buscar nele uma presciência milagrosa sobre os desafios ecológicos que enfrentamos hoje. Mas a crítica ao capitalismo, a seu caráter predatório, à violência que ele engendra, cujos mecanismos foram em grande medida desvendados por Marx e pelos pensadores que seguiram seus passos, tudo isso é essencial a qualquer enfrentamento consequente da crise ambiental.

Por Luis Felipe Miguel, Blog da Boitempo

Os gaúchos ainda esperam a água baixar para voltar às suas casas, contam os mortos e avaliam a medida da devastação. Nem por isso os negacionistas do colapso climático se calam. Aferram-se ao fato de que no passado também ocorreram cheias (a de 1941, em Porto Alegre, é sempre evocada) para enquadrar a tragédia como “fatalidade”. Prosseguem na cruzada contra o método científico, usando casos isolados para contestar regularidades e tendências, tal como fizeram durante a pandemia do novo coronavírus. (mais…)

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Respeitem os vários tipos de fé dos povos do Rio Grande do Sul: “Não os julguem!”. Por frei Gilvander Moreira

Sigo comovido com o sofrimento dos povos do Rio Grande do Sul, nossos irmãos e irmãs, e indignado com o capitalismo, com o agronegócio, os desmatadores, os empresários das monoculturas desertificadoras e com quem fomenta o uso de combustíveis fósseis, pois é este projeto de morte – a idolatria do mercado – que nos levou às mudanças climáticas e está nos encurralando com a Emergência Climática com eventos extremos cada vez mais frequentes e letais. As sirenes da Emergência Climática estão gritando de forma estridente. (mais…)

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Carrossel dos afetos políticos. Por Luiz Marques

Afetos de solidariedade e empatia com a dor das individualidades e coletividades são entorpecidos pelas leis do Estado

A Terra é Redonda

Na abertura dos anos 1990, Pierre Bourdieu publica a pesquisa A miséria do mundo. A brochura de capa dura, para que o signo da miséria não se convertesse na miséria do signo, vira best-seller com 80 mil exemplares vendidos. Destrincha a “miséria de condição” dos subalternos no capitalismo e a “miséria de posição”, o lugar específico dos atores sociais no subespaço de pertença. “Estabelecer a grande miséria como medida exclusiva de todas as misérias é proibir-se de perceber e compreender os sofrimentos característicos da ordem social e o desenvolvimento de todas as formas da pequena miséria, onde se acham os elementos que ajudaram na formação de cada personalidade”. Pois é. (mais…)

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A formação de uma consciência coletiva de resguardo aos direitos indisponíveis

Por Leandro Martins Müller e Emily Nunes Teles*

A história do direito do trabalho confunde-se com a própria história dos direitos sociais, desde o arremesso de tamancos nas máquinas de produção como protesto e exercício da força coletiva, até a positivação dos direitos sociais nas cartas políticas pelos Estados que passaram a legitimar o viés de bem-estar social. (mais…)

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