A contingente necessidade de soluções para a viabilização do ensino remoto emergencial durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, em 2020, foi uma janela de oportunidade sem precedentes para que as Big Techs avançassem ainda mais no campo da educação, especialmente nas instituições públicas. Os impactos dessa invasão foram notáveis desde as primeiras semanas, trazendo repercussões importantes sobre o trabalho docente, na qualidade do ensino e na reprodução e aprofundamento das desigualdades. Mas outros elementos, menos visíveis no auge da crise sanitária, precisam ser melhor compreendidos, especialmente em relação aos desdobramentos dessa tomada de assalto promovida pelas grandes empresas de tecnologia. (mais…)
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Degradação nas condições trabalhistas e a perda de sentido do trabalho. Entrevista especial com Mônica Olivar
“É urgente uma escala de trabalho em que possamos viver e não sobreviver”, diz a pesquisadora do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH) da Fiocruz
Por: Letícia Fagundes e Patricia Fachin, em IHU
No dia a dia, não são poucas as queixas dos trabalhadores em relação às rotinas extenuantes de trabalho. De outro lado, empregadores alegam que as novas gerações não querem mais trabalhar. As reclamações cotidianas, contudo, revelam uma situação mais complexa: “houve uma degradação nas condições de trabalho nos últimos anos”, diz Mônica Olivar ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. “O que percebemos foi uma perda de sentido do trabalho. Hoje, o trabalho é muito voltado para algo burocratizado, organizado através de algoritmos, metas numéricas, objetivos quantitativos, coisas que não fazem muito sentido para os trabalhadores”, pontua na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)
A população negra não pode seguir invisível na diplomacia climática
A omissão institucional reforça desigualdades históricas e compromete a efetividade das respostas à crise climática e à desigualdade social
Por Ester Sena, Fernanda Pinheiro da Silva, Gabriel Dantas, Iradj Eghrari, Letícia Leobet e Mariana Belmont, Le Monde Diplomatique Brasil
Os escravizados africanos e os afrodescendentes desempenharam um papel central na construção histórica, cultural, social e também no capital econômico estrutural do Brasil. Desde os tempos coloniais, a contribuição das populações negras foi essencial para o desenvolvimento do país e constituição da identidade cultural, no qual apesar da condição violenta e desumana, se forjou as raízes dos saberes ancestrais negros nesse território, tornando a população negra uma “pretalhada inextinguível” nas palavras de Monteiro Lobato. (mais…)
O papel das mulheres na transição para sistemas alimentares sustentáveis e na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas
Diante da persistente desigualdade de gênero no meio rural, como as políticas públicas podem valorizar e fomentar o trabalho das mulheres, reconhecendo sua contribuição para uma produção mais sustentável e essencial no combate à fome e à insegurança alimentar e nutricional?
Por Marisa Singulano, Amanda Leão Cardoso e Maria Cristina Teixeira Braga Messias*, Le Monde Diplomatique
A crise ambiental e climática não afeta da mesma forma os diferentes grupos sociais. As mulheres estão entre as mais impactadas pelas mudanças climáticas, em razão de desigualdades sociais, econômicas e políticas historicamente construídas. Como consequência, são desproporcionalmente afetadas por eventos climáticos extremos. Ao mesmo tempo, ocupam posições de destaque na linha de frente das respostas aos desastres, como mostram análises recentes sobre a resiliência e o engajamento político das mulheres no enfrentamento da crise climática. Elas também desempenham um importante papel na construção de estratégias voltadas à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Esse protagonismo é especialmente evidente na agricultura e na alimentação. Nesses contextos, elas ocupam posições centrais na construção de sistemas alimentares sustentáveis, que, por sua vez, têm potencial para contribuir com a redução dos desequilíbrios ambientais e climáticos. (mais…)
MC Poze: para a justiça burguesa, mais importante do que o crime é aquele que o comete
Por Gabriel Miranda, no Blog da Boitempo
No livro Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos, o sociólogo francês Loïc Wacquant pontua, logo nas páginas iniciais da obra, que “a segurança é concebida e executada não tanto por ela mesma, mas sim com a finalidade expressa de ser exibida e vista, examinada e espionada: a prioridade absoluta é fazer dela um espetáculo, no sentido próprio do termo” (Wacquant, 2007, p. 9). Ao ver as imagens do MC Poze do Rodo sendo conduzido até a delegacia no dia 29 de maio, não pude deixar de recordar a referida obra e, em específico, a citação acima. Afinal, o que foi aquilo senão um espetáculo? Uma peça teatral apresentada ao longo de séculos e que, agora, teve como um de seus protagonistas MC Poze. (mais…)
Audiência no MPF reforça pacto por 200 dias letivos em áreas de violência armada e discute medidas de reparação
Evento do fórum estadual da educação debateu o papel do Conselho Nacional de Educação na construção de soluções
Procuradoria da República no Rio de Janeiro
O Ministério Público Federal (MPF) sediou audiência popular do Fórum Estadual da Educação para discutir a violação do direito à educação causada pela violência na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, especialmente a violência armada. O evento, realizado na última sexta-feira (30), foi conduzido pelo professor Waldeck Carneiro, teve duração de 2h30 e reuniu representantes de diversas instituições públicas, sociedade civil e academia, com o objetivo de buscar soluções para reparar os danos causados aos estudantes. (mais…)
Acesso a especialistas num país de medicina privatizada
O que a Demografia Médica revela, no momento em que o governo lança Agora Tem Especialistas? Com recursos públicos, país forma profissionais para o setor privado e cria grande fosso no SUS. Como reverter essa tendência e desprivatizar a atenção especializada?
Mário Scheffer em entrevista a Gabriel Brito, em Outra Saúde
O mês de junho se inicia com uma novidade de peso nas ambições do SUS, através do anúncio do programa Agora Tem Especialista. A iniciativa visa reduzir de vez a espera por cirurgias no país, representa uma tacada política que certamente será instrumento de campanha eleitoral em 2026 e é tratada por Alexandre Padilha como um objetivo primordial de sua gestão no Ministério da Saúde. (mais…)
