Geógrafo e professor do Instituto Federal de Brasília (IFB), o baiano Tássio Barreto Cunha assistiu à expansão do agronegócio em seu Estado natal muito antes do reconhecimento oficial da região do Matopiba, em 2015. A familiaridade com o impacto sobre as comunidades tradicionais e com as andanças nos territórios o levou a percorrer nove mil quilômetros durante o trabalho de campo realizado no desenvolvimento de sua tese de doutorado. A pesquisa abrangeu análises sobre questões relacionadas à terra, água e trabalho no contexto do avanço da fronteira agrícola no Oeste da Bahia. Em entrevista exclusiva à Eco Nordeste, o pesquisador resgata os elementos históricos e naturais do povoamento e da formação social da região, aponta fatores econômicos globais para a chegada das empresas do agronegócio e menciona dados sobre os impactos decorrentes do desmatamento e do uso exagerado das águas na irrigação. Leia a entrevista a seguir.
Por Camila Aguiar, da Agência Eco Nordeste / MST
CAMILA AGUIAR – Quais são as características da formação dos povos tradicionais no oeste da Bahia?
TÁSSIO CUNHA – Para entender as comunidades, sem dúvida alguma é preciso entender o processo histórico de povoamento no território brasileiro. A Bahia é um ponto central do País porque é o Estado que representa a chegada dos portugueses, as primeiras invasões no território, os primeiros golpes que nós sofremos, desvirtuando e desestruturando todos os moldes civilizatórios das nossas populações tradicionais, dos povos originários, e depois com os povos africanos escravizados. (mais…)
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