A luta (e a criação) anti-racista vão ao cinema

“O nó do diabo” recria a escravidão e suas sequelas em diferentes momentos históricos. Em “Auto de Resistência”, cinco casos de matança de inocentes disfarçadas de confronto no Rio de Janeiro

Por José Geraldo Couto*, em Outras Palavras

Sob qualquer ponto de vista, o traço essencial de nossa formação como sociedade, nosso pecado original, nosso trauma não resolvido, é sem dúvida a escravidão, que imperou oficialmente entre nós por mais de trezentos anos e deixou marcas profundas. Dois filmes em cartaz, um de ficção e um documentário, investigam com brio e vigor essa infâmia histórica e seu legado de segregação e violência nos dias de hoje. (mais…)

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Achille Mbembe: O devir-negro do mundo

Reviravolta: no instante em que o capitalismo quer reduzir-nos todos a coisa e mercadoria, o negro tornou-se símbolo do oposto: desejo consciente de vida, força engajada no ato de criação

Por Achille Mbembe | Tradução: Sebastião Nascimento, em Outras Palavras

Queríamos escrever este livro* à semelhança de um rio com múltiplos afluentes, neste preciso momento em que a História e as coisas se voltam para nós, e em que a Europa deixou de ser o centro de gravidade do mundo. Efetivamente, esse é o grande acontecimento ou, melhor diríamos, a experiência fundamental da nossa época. Em se tratando, porém, de medir as implicações e avaliar todas as consequências dessa reviravolta, estamos ainda nos primeiros passos.De resto, se tal revelação nos é graciosamente concedida, se ela suscita perplexidade ou se, em vez disso, mergulha-nos num tormento, uma coisa é certa: esse desmantelamento, também ele carregado de perigos, abre novas possibilidades para o pensamento crítico, e isso é parte do que tentaremos examinar neste ensaio. (mais…)

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A Abolição veio, mas não libertou e nem democratizou o país

Neste 13 de maio só a continuidade da luta e da rebeldia são plausíveis, não há comemorações, pois o Estado continua assumindo o papel repressivo do senhor de engenho

Por Raumi Joaquim de Souza*, na Página do MST

A Lei Áurea, sancionada em maio de 1988, não aboliu somente a escravatura, mas também a esperança de ser livre. Mas, como já diria o ditado: “a esperança é a última que morre”. E neste 13 de maio completou 130 anos de uma abolição inacabada e o povo negro prossegue ainda explorado construindo sua história e edificando a preço de sangue e suor a sonhada liberdade. Decretou-se abolição, mas no sentido político e social não se resolveu o problema da desigualdade social e racial, pelo contrário, intensificou e institucionalizou o racismo. (mais…)

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Muito além da princesa Isabel, 6 brasileiros que lutaram pelo fim da escravidão no Brasil

Conheça a história de Luís Gama, André Rebouças, Maria Tomásia Figueira Lima, Adelina, Dragão do Mar e Maria Firmina Reis, importantes abolicionistas brasileiros

por Amanda Rossi e Camila Costa, em Folha de S.Paulo

O fim da escravidão no Brasil completa 130 anos em 13 de maio deste ano. Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil Pedro 2º, assinou a Lei Áurea, decretando a abolição – sem nenhuma medida de compensação ou apoio aos ex-escravos. (mais…)

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130 anos de uma abolição inacabada

A lei que aboliu a escravidão após três séculos de trabalho forçado libertou e ao mesmo tempo abandonou pessoas

Por Juliana Gonçalves, em Brasil de Fato

Conservadora e curta, com pouco mais de duas linhas, a Lei nº 3.353, a chamada Lei Áurea, decretou, no dia 13 de maio de 1888, o fim legal da escravidão no Brasil. Mas se a escravidão teve seu fim do ponto de vista formal e legal há 130 anos, a dimensão social e política está inacabada até os dias atuais. Essa é a principal crítica de estudiosos e militantes dos movimentos negros à celebração do 13 de maio como o dia do fim da escravatura. (mais…)

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MPF recomenda alteração do nome de avenida de bandeirante escravocrata em Manaus (AM)

Nova identificação da avenida Domingos Jorge Velho deverá ser escolhida por participação popular

O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação à Prefeitura de Manaus para que altere o nome da avenida Domingos Jorge Velho, bandeirante brasileiro que tornou-se reconhecido por ter comandado, no final do século XVII, a campanha final contra o Quilombo dos Palmares, em defesa do sistema escravista no Brasil. A Prefeitura tem o prazo de 45 dias para promover a mudança no nome da avenida, localizada no bairro Dom Pedro, zona Oeste de Manaus, devendo a nova identificação homenagear personalidade histórica, lugar ou elemento com referência à causa negra, a ser escolhido por participação popular.

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Brasil viveu um processo de amnésia nacional sobre a escravidão, diz historiadora

Sancionada pela princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888, a lei que aboliu a escravidão após mais de três séculos de trabalho forçado no Brasil “saiu muito curta, muito pequena, muito conservadora”, descreve Lilia Moritz Schwarcz

Em entrevista à BBC Brasil, a historiadora diz que as consequências dessa virada de página abrupta, sem políticas para incluir os ex-escravos à sociedade, são sofridas até hoje. (mais…)

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