Agudás, os escravizados que voltaram à África

A trajetória de africanos que, após trazidos ao Brasil, conquistaram sua liberdade e retornaram. Na antiga Costa dos Escravos, onde hoje são o Benim, Togo e Nigéria, formaram comunidades. O que isso significou para suas identidades

Por Monica Lima, no Geledés / Outra Palavras

No carnaval carioca de fevereiro de 2003, a Escola de Samba Unidos da Tijuca apresentou-se no desfile do Grupo Especial trazendo como enredo Agudás: os que levaram a África no coração e trouxeram para o coração da África, o Brasil! Na sinopse, foi recordada a luta pela liberdade e o retorno às praias africanas daqueles que de lá partiram, fazendo referência ao refluxo das espumas flutuantes. A letra do samba enredo, dos compositores Rono Maia, Jorge Melodia e Alexandre Alegria, fez lembrar que se tratava de uma vitória negra sobre as correntes.

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O genocídio negro, um ângulo do sistema penal brasileiro

Estar em conformidade com o sistema penal carniceiro e genocida do Brasil é desconhecer a história do nosso país, analisa Adriana Chaves na coluna Abolição

Por Adriana Chaves, na Ponte

Desde o início, por ouro e prata / Olha quem morre, então / Veja você quem mata
(Negro Drama, Racionais MC’s)

Falar sobre o genocídio negro no Brasil é compreendê-lo como um projeto de dimensão histórica que começa com a colonização portuguesa e a escravidão transatlântica.

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Em Gálatas, Opção pelos Pobres e “Escravidão, Não!” Por Gilvander Moreira*

Na Carta aos Gálatas, livro do jubileu de ouro do mês da Bíblia – setembro – em 2021, o apóstolo Paulo busca manter a unidade entre as primeiras comunidades cristãs em uma imensa diversidade, mas assevera que a Opção pelos Pobres é inegociável. “Não esqueçam os pobres!” (Gl 2,10), Paulo chega a colocar na boca dos chefes da igreja de Jerusalém. Esses “pobres” eram concretamente os “irmãos” da Judeia que viviam em uma pobreza extrema, reinava a fome. Na comunidade cristã de Jerusalém, quando a distribuição se tornou maior do que a entrada ou a produção de recursos, chegou uma hora em que os bens acabaram e a fome se generalizou. Sem produção suficiente, não se pode consumir e/ou distribuir. Em contexto de aumento da pobreza e de muita gente passando fome, sob a liderança do apóstolo Paulo e Barnabé, o espírito de comunidade nascido da fé em/de Jesus Cristo levou comunidades cristãs de outras regiões a fazerem doações para minorar a fome dos irmãos e irmãs. Isto era também uma expressão de unidade. O fato de pensar diferente não era motivo para ‘lavar as mãos’ como Pilatos diante do sofrimento de outras pessoas e comunidades.

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Do direito inalienável de derrubar estátuas. Por Vladimir Safatle

Um bandeirante é, acima de tudo, um predador. Celebrá-lo é afirmar um “desenvolvimento” de um país composto por uma nata encastelada em condomínios e uma grande massa que ainda hoje é caçada

El País

“Quem controla o passado, controla o futuro”. Essa frase de 1984, de George Orwell, é uma das mais importantes lições a respeito do que é efetivamente uma ação política. Toda ação política real conhece a importância de compreender o passado como um campo de batalhas. Ela compreende que o passado é algo que nunca passa por completo. A definição mais correta seria: o passado não é o que passa. O passado é o que se repete, o que se transfigura de múltiplas formas, o que retorna de maneira reiterada. O passado é o que faz CEOs falarem, em 2021, como senhores de escravos do século XIX, que faz transgêneros atualmente em luta falarem como pessoas escravizadas em luta séculos passados. Nosso tempo é espesso. Nas camadas dessa espessura convivem mortos e vivos, espectros, limiares e carne. Só mesmo uma noção pontilhista e equivocada de instante pode reduzir o presente ao “agora”. O “agora” é apenas uma forma, politicamente interessada, de bloqueio do presente. Pois quem luta pela liberação do passado, luta pela modificação do horizonte de possibilidades do presente e do futuro.

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Dowbor: a máquina histórica da opressão

Para justificar a extração voraz de riquezas, capitalismo constrói narrativas como arma para semear a docilidade das maiorias – e punir dissidências. Desafio vai além da economia: é hora de resgatar a História popular e descolonizada

Por Ladislau Dowbor, no Envolverde

Durante muito tempo, sobretudo nas escolas, a História de nossos países foi apresentada sob a luz do passado glorioso; e a de nossos vizinhos, em tons muito mais sombrios. Com foco em momentos-chave de dada mudança estrutural, sublinhava-se a importância das elites como “sujeitos da história”, reafirmando a perspectiva e os valores da “civilização ocidental”. Raramente somos preparados para pensar a História como um drama da humanidade, portanto, de todos nós, e que se desenrola diante dos nossos olhos, para além dos grandes feitos históricos.

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O esquecido Massacre de Zong, quando 132 escravizados foram lançados vivos ao mar

Na BBC

Em 1781, 132 africanos escravizados foram lançados vivos ao mar de um navio negreiro britânico chamado Zong para morrerem afogados.

Eles estavam doentes e, na visão do capitão da embarcação, representavam uma ameaça à sua margem de lucro — ao passo que a perda do que ele considerava na época sua “mercadoria” poderia ser compensada com o pagamento do seguro.

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Que abolição é essa que mantém povo escravo da fome e da morte?

Estatísticas mostram que população negra é a que mais morre na pandemia e a que mais sofre com o desemprego e a fome

Juliana Mittelbach, Brasil de Fato

Dia 13 de maio de 1888 é a data em que os livros didáticos celebram a ação da Princesa Imperial Regente que, em um ato de cristandade, sancionou a Lei nº 3353 de 1888, popularmente conhecida como Lei Áurea, marcando o fim da escravização de negros e negras no país. Contudo, comemorar a liberdade do povo negro reverenciando a família real portuguesa, principal responsável pelo longo regime escravocrata no Brasil, é uma ofensa a nossa ancestralidade.

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