Um País que não ama suas meninas e suas mulheres

Viviana Santiago* – Huffpost Brasil

Aos meus ouvidos chega a notícia: no Rio de Janeiro, uma menina foi vitima de um estupro coletivo. Mas diante de toda a comoção que se gera na sociedade, me quedo com uma inquietação: Por que diante de todas as denúncias apresentadas, por que diante do vídeo, do relato, do corpo massacrado, ao invés de buscar encontrar os culpados, parte significativa da sociedade vem usando sua energia para destacar a participação ativa da adolescente e sua culpa no ocorrido?

Diante da notícia desse, mas também dos outros estupros coletivos vivenciados no Brasil (não nos esqueçamos de Castelo do Piauí), pode-se ver o mesmo movimento social: denúncia, profunda comoção frente a divulgação da notícia e, em seguida, a divisão da sociedade em quatro grupos plenamente visíveis: o primeiro grupo busca encontrar a culpa das vítimas nesse processo, o segundo grupo procura naturalizar o crime como se homens fossem seres incapazes de conter seus desejos sexuais, um terceiro grupo que pensa que casos como esse são isolados e não representam nenhum aspecto da prática da sociedade, além de um quarto grupo que desde o primeiro momento vai demarcar esse tipo de crime como violência sexista e de gênero. (mais…)

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Feliciano e o estupro da índia Maria Caetana, por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

A índia Maria Caetana, se viva estivesse, certamente reforçaria o coro de vaias ao discurso machista do deputado Marco Feliciano (PSC/SP vixe, vixe) nesta quinta-feira (9), na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, que afirmou não existir no Brasil a cultura do estupro, insinuando que só é currada quem não se dá ao respeito e que os recentes estupros coletivos das meninas de 14 e de 16 anos, no Piauí e no Rio, foram episódicos e datados. Mas a história desmente o pastor-deputado. Os gritos desesperados de Maria Caetana, no séc. XIX, chegam até nós através dos registros policiais. (mais…)

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Por que mulheres ficaram contra a vítima de estupro coletivo no Rio?

Dupla de advogados tenta responder por que parte da sociedade ainda culpa a jovem pelo crime

Marina Rossi – El País

“A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil e a culpa nunca é da vítima”. A voz, saída de um megafone no entardecer na avenida Paulista na última quarta-feira, deu início a uma marcha – de mulheres em sua maioria – contra o machismo e em protesto ao estupro coletivo de uma jovem de 16 anos ocorrido no Rio de Janeiro na semana passada. A segunda informação da frase que abriu a marcha – “a culpa nunca é da vítima” – deveria ser óbvia. Mas não é. (mais…)

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Entre a manipulação da Bíblia e a posse da Vagina, por Eliane Brum

Os protestos contra a cultura do estupro apontam para onde se movem os Brasis e onde de fato está a oposição

No El País Brasil

O levante das mulheres contra a cultura do estupro no país governado pelo interino Michel Temer (PMDB) e pelo Congresso mais retrógrado desde a redemocratização forma o retrato mais preciso desse momento histórico tão particular do Brasil. A oposição atual não é entre um governo chamado de “golpista” e um governo que já foi apresentado como “popular”. Ou entre a presidente afastada pelo processo de impeachment e o vice que conspirou para afastá-la. O embate é entre o Brasil que emergiu das manifestações de junho de 2013 e o Brasil que se agarra aos privilégios de classe, de raça e de gênero. É esse o confronto político mais amplo que determina o curso dos dias.

Nem Temer, PMDB e partidos aliados representam todas as forças conservadoras de um lado, nem Dilma Rousseff, Lula e o PT são capazes de representar o outro campo. Como a Operação Lava Jato já mostrou, com todas as críticas que se pode – e se deve – fazer aos seus flagrantes abusos e aos personalismos inaceitáveis de alguns servidores públicos, PMDB e PT são, em alguns aspectos cruciais, mais semelhantes do que diferentes. Em alguns aspectos, obviamente não todos, mais sócios que se desentenderam do que opositores de fato políticos, no que a política tem de mais profunda, que é a sua potência transformadora. É fundamental compreender onde de fato está a oposição hoje, para além do Impeachment x Golpe. (mais…)

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“Estupro não é consequência de desemprego ou ingestão de álcool”

Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão, rebate as afirmações do Secretário da Segurança de São Paulo de que casos de estupro estariam relacionados à crise econômica

Por Tatiana Merlino, em Ponte

“Estupro não é consequência de desemprego ou da ingestão de bebidas alcoólicas, é uma das mais graves violações dos direitos humanos das mulheres, uma violência que agride e aliena uma pessoa do que ela tem de mais íntimo – o seu próprio corpo”, afirma Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, rebatendo as declarações do recém-empossado secretário de Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho. (mais…)

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Mulheres, política e violência

“Nossa mulher, graças a Deus, é essencialmente caseira e doméstica e é no lar que ela exibe suas boas e más condições. É ali que reside a sua força e sua graça. Os que ainda temos algo, ainda que pouco, de latinos não queremos, não toleraremos, a mulher politiqueira, a mulher de ação oradora, jornalista ou redentora do povo”
(Armando Silano, El Tiempo, Bogotá, 03/08/1935)1

Flávia Biroli* – Blog da Boitempo

Existe alguma relação entre o ministério sem mulheres de Michel Temer e o recente estupro coletivo da adolescente de 16 anos, no Rio de Janeiro, além do fato de ambos terem despertado forte reação nos movimentos de mulheres no Brasil? (mais…)

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