O massacre de Cláudio Castro. Por Paulo Sérgio Pinheiro

Mais de trinta anos após o Carandiru, a espetacularização do extermínio persiste não por ineficiência, mas como projeto de poder que instrumentaliza a morte para fins políticos, desafiando o Estado Democrático de Direito

No A Terra é Redonda

Décadas de experiência demonstram que o uso estratégico da inteligência é o caminho mais eficaz para enfrentar o tráfico de drogas e as milícias. Operações baseadas em informações precisas reduzem riscos para a população e para os agentes de segurança. Apesar desse consenso, o Brasil insiste em ações espetaculosas e militarizadas, incapazes de desarticular redes criminosas ou atingir os fluxos financeiros que as sustentam.
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Narcoterrorismo: A arma retórica da necropolítica e do imperialismo. Por Carol Proner*

Do Rio de Janeiro ao Caribe, a guerra ao “narcoterrorismo” revela-se um projeto duplo de dominação: internamente, consolida a necropolítica sobre as periferias; globalmente, recicla o imperialismo sob um novo jargão jurídico-militar

No Brasil 247

1. A brutalidade como método

Extrema brutalidade policial, disse a ONU sobre a operação mais letal da história do Rio de Janeiro. O escritório da ONU no Brasil afirmou que as autoridades devem garantir investigação independente, protetiva às famílias, testemunhas e defensores de direitos humanos, tendo assegurada a possibilidade de responsabilização de crimes inafiançáveis, como homicídios ilegais, execuções sumárias e tortura. (mais…)

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Identificada em restaurante, Jacqueline Muniz, professora da UFF, sofre ameaças de internautas após crítica a massacre no Rio

Jacqueline Muniz teve sua imagem publicada nas redes sociais acompanhada de mensagens com incitação à violência

Brasil de Fato

Jacqueline Muniz, professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), foi alvo de ameaças no sábado (1º), quando estava em um restaurante no Humaitá, bairro na zona sul do Rio de Janeiro. Ela foi fotografada e sua imagem foi compartilhada nas redes sociais acompanhada de mensagens de incentivo ao uso da violência física. (mais…)

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Há surpresa nas pesquisas sobre o Rio? Por Gilberto Maringoni

1. OS INDICATIVOS DAS SONDAGENS de opinião pública mostram que a maioria da população carioca aprova a matança patrocinada por Claudio Castro no Alemão e na Penha. Segundo o Datafolha, 57% dos moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro consideram a operação um “sucesso”. Já a pesquisa Genial/Quaest mostra que 64% da população do estado do RJ aprovam o raid das forças de segurança. Os levantamentos têm metodologias distintas, mas a tendência é convergente.

2. ANTES QUE APAREÇAM OS OPORTUNISTAS de sempre, falando em “pobre de direita”, vale dizer que a Quaest revela algumas nuances. Segundo a amostragem, 50% dos moradores do estado avaliam que a PM deve tentar prender uma pessoa com fuzil na mão antes de atirar, contra 45% que defendem atirar primeiro. Um total de 52% opina que o estado está mais inseguro depois do massacre, contra 35% que pensa o oposto. (mais…)

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Por trás do massacre, o cálculo eleitoral da direita?

Há algo brutal demais no morticínio praticado pela polícia fluminense esta semana. E se o objetivo não tiver sido o “combate ao crime organizado”, mas causar uma comoção capaz retomar a pauta conservadora e mudar os rumos das eleições de 2026?

Por Beto Vasques, em Outras Palavras

Estudo do Instituto Democracia em Xeque sobre a megaoperação policial no Rio de janeiro aponta para uma virada na pauta política, até então centrada na agenda de reestabelecimento das relações entre os governos do Brasil e EUA e seus possíveis impactos na reversão do tarifaço, das sanções contra autoridades brasileiras e a escalada das operações militares norte-americanas nas águas do Caribe e os riscos de uma eventual ação militar no continente sul-americano. (mais…)

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Rio: Direita planta a farsa do narcoterrorismo. Por Reynaldo Aragon Gonçalves

A chacina desta semana não é resultado apenas de uma ação policial. Com apoio da mídia, Cláudio Castro emplaca narrativa planejada para fabricar instabilidade, importar a doutrina de segurança dos EUA e enfraquecer Lula em plena disputa de soberania

No Outras Palavras

Drones sobrevoando o Complexo da Penha, granadas lançadas sobre um território densamente povoado, mais de uma centena de mortos, escolas fechadas, medo generalizado. As imagens correram o mundo antes mesmo que os fatos fossem apurados — e bastou uma frase do governador Cláudio Castro para fixar o enquadramento desejado: “é narcoterrorismo”. Essa palavra, lançada ao espaço informacional com a frieza de quem sabe o que diz, não é apenas um erro semântico. É uma arma. (mais…)

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O que está por trás do “Consórcio da Paz” de estados aliados

Em tom eleitoral, governos de direita elogiam operação policial mais letal da história recente do Brasil. Plano de apoio mútuo contra crime organizado confronta governo federal

por Heloísa Traiano, em DW

Na esteira da megaoperação que deixou pelo menos 121 mortos em favelas do Rio de Janeiro, sete governos estaduais acordaram a formação de um “Consórcio da Paz”, pelo qual deverão prestar apoio mútuo para combater o crime organizado. (mais…)

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