SUMAÚMA publica, com exclusividade, o relato da venezuelana Patri. Ela chegou ao Brasil aos 27 anos, após sofrer sucessivas violências em seu país. Entre 2021 e 2022, trabalhou como prostituta em cinco acampamentos de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami. Suas memórias, escritas e desenhadas em pequenos cadernos, escancaram as vozes das mulheres que se equilibram na linha fina entre a sobrevivência e a brutalidade
por PATRI, em Sumaúma
A escrita autobiográfica de Patri
por Marcela Ulhoa*
Patri é seu nome fictício, uma escolha para proteger sua identidade em terra de violências. Uma parte das memórias aqui compartilhadas foi escrita por ela em um pequeno caderno azul de espiral e a outra é resultado de uma conversa que tivemos em Boa Vista, Roraima, no início de março de 2023. Desde que saiu da Venezuela em direção ao Brasil, em 2017, Patri mantém o hábito de escrever e desenhar suas vivências e percursos. Ela coleciona cadernos que contam detalhes de sua infância, da relação com as mães (a adotiva e a biológica), namorados, sua jornada como migrante, mãe, prostituta e mulher no garimpo. Sonha em publicar um livro algum dia, juntando as peças de sua vida. Para Patri, seus relatos representam a oportunidade de conversar com mulheres como ela. “Eu não sabia nada, falaram que fazia dinheiro rápido no garimpo. Se eu tivesse lido alguma história parecida com a minha, eu teria pensado muitas vezes antes de ir ou teria ido mais preparada.” (mais…)
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