A Faixa de Gaza está à beira do abismo. Um novo relatório devastador do Integrated Food Security Phase Classification (IPC), divulgado em 12 de maio de 2025, traça um retrato sombrio de uma catástrofe humanitária em curso: 100% da população enfrenta níveis agudos de insegurança alimentar, com 470 mil pessoas — uma em cada cinco — já vivendo em condições de fome catastrófica. As conclusões do Snapshot IPC Gaza Strip Acute Food Insecurity and Malnutrition são tão contundentes quanto inescapáveis: a fome em Gaza não é uma ameaça distante — é uma realidade tangível, mortal e cada vez mais difícil de conter. (mais…)
genocídio
Sobre a nota da Conib acusando Lula de antissemitismo. Por Hugo Souza
A Conib acoberta genocídio com a coberta das acusações de antissemitismo. Israel é um um estado criminoso, genocida, e deveria ser tratado como tal.
No Come Ananás
No último domingo, 11, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) acusou o presidente Lula de antissemitismo.
“O presidente Lula mais uma vez faz declarações antissemitas de que há um genocídio em Gaza e que Israel mata deliberadamente crianças e mulheres ‘a pretexto’ de matar terroristas. Acusar judeus de matar crianças é uma das formas mais antigas e deploráveis de antissemitismo, e é lamentável e perturbador que o presidente do nosso país siga promovendo este libelo antissemita pelo mundo”, disse a Conib, em nota. (mais…)
O rastro do nazismo termina em Tel Aviv. Por Franco (Bifo) Berardi
Sinais de nova ofensiva contra Gaza convidam à reflexão indispensável. De que forma a criação dum enclave branco no Oriente Médio foi outra forma de segregar os judeus? E como este Estado reproduz o extermínio que vitimou seu povo?
Por Franco (Bifo) Berardi, em seu Substack | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras
Na Alemanha, país derrotado, o ódio transforma em determinação genocida. Mas não se deve acreditar que apenas a Alemanha seja responsável pelo extermínio. Poloneses, franceses, austríacos, húngaros, romenos, ucranianos, italianos são cúmplices, em diferentes gradações, da deportação e do extermínio dos judeus da Europa. (mais…)
Gaza: Virá a solução final de Israel?
Cada vez mais acossados pelo exército israelense, palestinos estão sem qualquer provimento para sobreviverem. Nova operação prevê invasão completa do território – e mais crimes de guerra. Trump quer elevar pressão por um plano de limpeza étnica
Por Tania Krämer, na DW
O gabinete de segurança de Israel aprovou por unanimidade, na segunda-feira (05/05), um plano para ampliar a ofensiva militar na Faixa de Gaza. Apelidado “Carruagens de Gideão”, ele incluiria a “conquista de Gaza” e sua ocupação. Foi ainda aprovada a mobilização de dezenas de milhares de reservistas para a operação. (mais…)
“Sem o genocídio da Palestina, o neofascismo não pode ser sustentado”. Entrevista especial com Rodrigo Karmy Bolton
Por: Márcia Junges, em IHU
Há um nexo inegável e inconveniente, muitas vezes recusado pela fé nas democracias liberais burguesas, que só existem gestadas pelo capitalismo: neofascismo e neoliberalismo se retroalimentam e são irmãos siameses. Não há com o que se espantar, dado que esse modelo de democracia tem seu limite precisamente no problema do capital. “Nesse sentido, o trumpismo é a intensificação de uma antropologia que coincide inteiramente com a economia, ou, se preferir, de um homem que nada mais é do que uma forma do capital. Assim, o fascismo em formação é uma deriva autoritária do capitalismo que tem como núcleo antropológico esse ciborgue que é o ‘capital humano’”, argumenta o filósofo chileno Rodrigo Karmy Bolton em entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Quando o capital é ameaçado, “então essa democracia não tem nenhum problema em transformar suas formas em dispositivos autoritários nos quais prevalecem o estado de exceção e outros dispositivos associados. (mais…)
“Tenho medo de me acostumar com a fome e de que o vazio se torne meu amigo”
Testemunhas da Faixa de Gaza relatam dois meses sem ajudas humanitárias
por Francesca Ghirardelli, em Avvenire, com tradução de Luisa Rabolini, em IHU
“Tenho medo de me acostumar com a fome, de me contentar com uma crosta de pão e uma pitada de sal sentada à beira da mesa, e de que o vazio se torne meu amigo”, escreve on-line com sua trágica caneta a poeta Fedaa Zeyad de Gaza. Enquanto a Faixa afunda no risco de carestia, ela conta ao Avvenire como é insuportável “a ideia de que crianças criadas na guerra se acostumem a refeições pobres em proteínas. Aquelas que nasceram em 2022 e que agora têm três anos acham que as lentilhas são o alimento mais importante. Elas não conhecem o conceito de frango. Israel nos castiga com o cerco mortal a todos os nossos sentidos”. Há nove semanas, as autoridades israelenses impediram a entrada de suprimentos e ajudas. “Sinto-me como se tivesse 70 anos, mas tenho 26”, confessa Reem Hamad, uma professora de inglês deslocada na Faixa ocidental. (mais…)
Vietnã, 50: A Grande Vitória. Capítulo 5
A quinta parte de nossa série sobre a heroica tomada de Saigon, em 1975. Debilitado e sem dinheiro de Washington, governo fantoche do Sul tentou resistir. Mas revolucionários arquitetaram uma brilhante investida final que, enfim, reunificou o país
por Daniel M. Huertas, em Outras Palavras
Capítulo 5 – Do Acordo de Paris à queda de Saigon (1973-1975)
“Esta será a mensagem final da estação de Saigon. Foi uma luta longa e perdemos. […] Aqueles que não conseguem aprender com a história são forçados a repeti-la. Esperemos que não tenhamos outra experiência no Vietnã e que tenhamos aprendido nossa lição. Saigon desligando” (mensagem derradeira de Thomas Polgar, chefe da estação de Saigon da CIA, um dos últimos estadunidenses a deixar a cidade de helicóptero) [1]. (mais…)
