Uma reflexão: Em um mundo onde streaming financia drones autônomos, qual é o custo real de uma playlist?
A dialética perversa do streaming
A história do Spotify encarna uma das contradições mais brutais do capitalismo tardio. Em 2006, Daniel Ek e Martin Lorentzon fundaram em Estocolmo uma startup que prometia resolver a “crise da pirataria” transformando o compartilhamento livre em mercadoria controlada. O discurso fundacional era sedutor: democratizar o acesso à cultura, remunerar artistas de forma justa, desafiar os oligopólios das gravadoras. “Música para todos”, proclamavam, como se o slogan não carregasse em si a violência simbólica de transformar a arte em commodity algorítmica. (mais…)
