O dia seguinte. Por Eliane Brum

Se Bolsonaro ameaça o Supremo em plena Paulista e o impeachment não sair da gaveta, ele ganhou o 7 de Setembro e a democracia acabou no Brasil

No El País

O sentido da manifestação golpista de Jair Bolsonaro neste 7 de Setembro será dado nos próximos dias. Se Bolsonaro usou a máquina de Estado para ameaçar e declarou, em plena Avenida Paulista, que não cumprirá decisão do Supremo Tribunal Federal e depois de tudo isso nada acontecer com ele, o golpe avança. Se Bolsonaro não for responsabilizado criminalmente e o impeachment não sair da gaveta de Arthur Lira (PP), ele ganha. Esse é o único jogo que Bolsonaro sabe jogar. Essa é a história de Bolsonaro, sempre testando limites e pagando pra ver. Começou planejando ataque terrorista quando ainda era militar e seguiu afrontando a lei e contando com a impunidade. Deu certo até hoje. Tão certo que chegou a presidente da República. Bolsonaro é criatura produzida pela omissão e/ou conivência das instituições: as jurídicas e o Parlamento.

(mais…)

Ler Mais

Memórias frágeis. Por Valério Arcary

11 de agosto de 1992: o impeachment de Fernando Collor

Em A Terra é Redonda

Não levo muito a sério as lembranças dos outros. Não confio nem sequer nas minhas. Sei que nossas mentes são incansáveis em atribuir novos sentidos ao que passou. Mas isso não quer dizer que a memória do que foi não seja, de alguma maneira, válida, mesmo quando um pouquinho inexata, desde que seja honesta. Escrever sobre o passado só faz sentido, também, se tivermos a disposição de assumir os erros. Senão, é pomposo e ridículo.

(mais…)

Ler Mais

Brasil: já estivemos no inferno. Por Elaine Tavares

no Palavras Insurgentes

Talvez essa nova geração não conheça, mas já estivemos no inferno. Muitas vezes. E só para lembrar dos tempos de agora podemos falar da ditadura militar. Dias duros, de mortes, torturas e desaparições. Também passamos por um longo período de “distensão”, saindo do regime dos milicos para novamente passar às mãos da boa e velha elite civil. Não foi fácil cruzar o umbral da ditadura. As lutas foram grandiosas e massivas: batalha pela anistia, batalha pelas diretas. Quantas lágrimas de frustração e ódio vivemos depois dos gigantescos comícios e atos que mobilizaram multidões, e que se esfumaçaram numa decisão de cúpula, para uma eleição indireta? Depois de tantos anos de dor, a tal democracia vinha tutelada, pelas mãos de um congresso infame. E nos tocou Tancredo Neves como presidente, um velhinho simpático, mas de passado claro sobre quem e o que defendia. Mas, o diabo ainda queria mais, e o Tancredo morreu, ou foi morrido. E quem assumiu a presidência? Nada menos do que o príncipe do Maranhão, José Sarney, e nós tivemos de aguentar seus marimbondos de fogo por cinco anos inteiros.  

(mais…)

Ler Mais

Bolsonaro é o grande responsável pela disseminação da epidemia no Brasil. Por Drauzio Varella

Não é por acaso que somos o segundo país com o maior número de mortes

Na Folha

A explicação é que não há como explicar.

A formação em ciência exige humildade para analisar opiniões e ideias opostas às nossas, o contraditório é parte intrínseca do pensamento científico. Não fosse assim, até hoje acharíamos que a Terra é plana e que o Sol foi criado para girar em torno dela.

(mais…)

Ler Mais

A hipocrisia de fazer do ministro Pazuello o bode expiatório para tentar salvar Bolsonaro. Por Juan Arias

Esta história de querer fazer de Pazuello um bode expiatório leva a pensar se os militares não se sentirão humilhados ao ver um general da ativa investigado por crimes contra a vida

No El País

O fato de o Supremo Tribunal Federal ter acatado o pedido de inquérito  apresentado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, por seus possíveis crimes no combate à pandemia em Manaus, enquanto poupou o presidente Bolsonaro, é uma grande hipocrisia. É fazer de Pazuello o bode expiatório para salvar seu chefe.

(mais…)

Ler Mais

As frias rajadas de indiferença no enfrentamento à COVID-19

Por Luiz Antônio Alves Capra, no Justificando

Desde o momento em que a Covid-19 alastrou-se por nosso país temos sido, ao mesmo tempo, testemunhas e vítimas da uma tragédia. Contam-se os mortos, em um tétrico efeito multiplicador, resultado das desastradas ações e omissões do Estado brasileiro, em mais de 200 mil vítimas.

Sobram estatísticas quanto ao número de curados, cínica desfaçatez daqueles que, em dado momento, sequer pretendiam contabilizar os mortos. Essa tarefa, na realidade, foi suprida por um consórcio de veículos de comunicação, evitando que fosse o tamanho da tragédia varrido para debaixo do tapete.

(mais…)

Ler Mais

Aras é a antessala de Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional. Por Conrado Hübner Mendes

Corte tem no procurador-geral a omissão de que precisa

Na Folha

Jurista leão de chácara é aquele que empresta vocabulário, gravata e biografia à violência. Não lhe falta vontade de servir e sujar as mãos. Regimes autocráticos alugam esse bando para organizar, sob o verniz do direito, a repressão e a mútua proteção. O lugar da profissão jurídica na história universal da infâmia política varia entre servidão e complacência. Descontadas as exceções.

(mais…)

Ler Mais