Como Paul Robeson se tornou socialista?

Os encontros de Paul Robeson com o movimento trabalhista internacional inspiraram sua trajetória socialista e anti-imperialista.

Por Taylor Dorrell, na Jacobin

Num fresco dia londrino em 1928, o admirável ator e cantor afro-americano Paul Robeson sentou-se para um almoço muito aguardado. Junto a ele estavam seus novos conhecidos: a Miss Douglas, o dramaturgo irlandês Bernard Shaw e a Miss Calvin Coolidge, esposa do presidente dos EUA, Calvin Coolidge. Robeson testemunhou um debate acalorado entre Shaw e Coolidge. O tópico era o socialismo. “Quando Shaw me perguntou o que eu achava do Socialismo”, recordou mais tarde Robeson, “eu não tinha nada a dizer. Eu nunca realmente tinha pensado sobre o Socialismo.” (mais…)

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Polêmica: em busca da soberania perdida

A globalização está em crise. Direita deu-se conta e evoca ideia de nação que se liga a Propriedade, Privilégio e (falsa) Segurança. Esquerda demora-se, porque não enxerga as possibilidades de uma luta do povo contra o capital e suas misérias

Por Fernando Marcelino, em Outras Palavras

O historiador Eric Hobsbawn apontava que o os governos dos Estados-nações e Estados territoriais modernos apoiam-se em três presunções: primeiro que tenham mais poder do que qualquer outra unidade que opere em seus territórios; segundo, que os habitantes dos seus territórios aceitem mais ou menos de bom grado sua autoridade; e terceiro, que eles possam proporcionar aos habitantes serviços que de outra maneira não poderiam ser prestados com efetividade, como a manutenção da lei e da ordem. Por mais de duzentos anos, até o final da década de 1970, a ascensão do Estado moderno deu-se de forma contínua e independentemente da ideologia e da organização política. Nos últimos quarenta anos, a tendência se inverteu. O Estado neoliberal abandonou muitas de suas atividades diretas tradicionais. O Estado territorial perdeu o monopólio da força armada, da estabilidade e do poder. Ao minar a influência do Estado na condução da sociedade, o (neo)liberalismo passou a desmontar o aparelho estatal, privatizando suas funções para o mercado ou simplesmente retirando-o da responsabilidades antes estratégicas, como o uso legítimo da violência, política monetária e cambial, política externa, energia, infra-estrutura, indústria, serviços de saúde e educação e cultura (HOBSBAWN, 2007). (mais…)

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Sobre a arrogância dos “povos escolhidos”

A ideia da “escolha divina” – tão típica de Israel e dos EUA, mas que vai além – demoniza, humilha e exclui os que pensam diferente. Ela se repete em todos os momentos em que a humanidade “perde o horizonte”, como neste início do século XXI

por José Luís Fiori, em Outras Palavras

Agradecemos a Deus pela bomba atômica
ter vindo para nós, e não para os nossos inimigos;
e oramos para que Ele possa nos guiar
para usá-la em Seus caminhos,
e para Seus propósitos”.

Presidente Harry, S. Truman, citado in Perry Anderson,
“A política externa norte-americana e seus teóricos” (mais…)

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Orientalismo e colonialismo. Por João Quartim de Moraes

Há orientalistas, mas não ocidentalistas. Se o Oriente se tornou objeto de estudo, é porque tinha se tornado antes objeto de dominação dos ocidentais

Em A Terra é Redonda

Na Introdução de Orientalism, o livro publicado em 1978 que o tornou merecidamente célebre, o grande intelectual palestino Edward Said assume que muito do “investimento pessoal” em sua obra deriva da consciência de ser “oriental”. As aspas são carregadas de ironia, como bem sabem seus leitores. Nascido em 1935 numa família cristã, em Jerusalém, ainda bem garoto ele e seu povo conviveram com as atrocidades de que se encarregavam os esquadrões da morte facho-sionistas para roubar terras e casas de seus legítimos proprietários árabes. (mais…)

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O recado do Império, por meio da mídia, a Lula foi claro: não ouse desenvolver o Brasil

“A gritaria despertada pela decisão óbvia de refinar no Brasil o petróleo brasileiro revela que a guerra híbrida ainda não acabou”

Por Leonardo Attuch, Brasil 247

Bastou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, anunciarem a retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, para que todas as máscaras caíssem. A mídia corporativa brasileira, supostamente democrática e civilizada, cerrou fileiras contra uma decisão elementar tomada pela Petrobras e pelo governo Lula: a de refinar no Brasil o petróleo brasileiro. É uma medida correta por vários motivos. Não apenas porque a obra interrompida pela Lava Jato precisa ser finalizada, como também porque é muito mais eficiente processar derivados no Brasil do que importar de outros países, como Rússia e Estados Unidos. Além disso, estando presente no refino e também na distribuição, como se espera que ocorra em breve, a Petrobras terá melhores condições para praticar preços consistentes com uma estratégia de desenvolvimento nacional e de proteção aos consumidores brasileiros. Em outras palavras, uma estratégia de soberania energética, como definiu o ministro Paulo Pimenta. (mais…)

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Chomsky no Brasil

O aniversário de 95 anos do grande linguista e intelectual dissidente nos faz recordar sua ligação com o Brasil – com sua atitude militante generosa que enxerga o mundo com o olhar dos de baixo.

POR Hugo Albuquerque, Jacobin

Avram Noam Chomsky completa 95 anos hoje. Para além do seu histórico de lutas notório, que começa nas discussões políticas da adolescência, passa pelo choque com a opressão aos palestinos nos anos 1950, testemunhada presencialmente, e alcança a maturidade na resistência à Guerra do Vietnã, que o tornou mundialmente famoso . Mas Chomsky também tem uma ligação grande com nosso país, conhecendo bem a dinâmica das nossas lutas e sendo um presença importante no nosso debate. (mais…)

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Os tratores do medo. Por Tarso Genro

As ações humanitárias para salvar crianças e populações civis passaram a ser “ataques à existência de Israel”

No A Terra é Redonda

A tradição dos oprimidos nos ensina, diz Giorgio Agamben, que o “estado de exceção em que vivemos” (no cenário mundial) “é a regra”. E segue, na esteira de Walter Benjamin: “devemos chegar a um conceito de história que se corresponda com este fato […] porque o poder não tem hoje outra forma de legitimação do que a situação de perigo grave a que apela em todas as partes de forma permanente e que, ao mesmo tempo, se esforça e o produz secretamente”.[1] (mais…)

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