Tecnologia, Ignorância e Violência

Ao ambicionar o domínio da natureza, ciência ocidental abriu caminho para o controle das sociedades; e ao perseguir obsessivamente a informação, produziu a explosão da ignorância. É preciso buscar as origens filosóficas deste paradoxos

Por Pablo Rubén Mariconda, do Scientiae Studia , em Outras Palavras

Meu objetivo neste texto é discutir o irresistível impulso tecnológico do Ocidente para o controle, domínio ou conquista da natureza, delineando em conformidade com Hermínio Martins, Experimentum humanum, duas tradições de caracterização desse impulso tecnológico de controle: a prometeica, segundo a qual o domínio da natureza serve a fins humanos, ao bem humano e, particularmente, à emancipação de toda a espécie humana; e a fáustica, que critica o otimismo dos argumentos prometeicos e avança uma concepção niilista segundo a qual a tecnologia não tem qualquer objetivo humano para além de sua própria expressão. No cerne dessa disputa encontra-se a questão crucial da passagem do domínio da natureza para o domínio dos seres humanos e, muito particularmente, a da sobrevivência da espécie humana. Essa discussão servirá para encaminhar um primeiro questionamento das concepções eugênicas do trans-humanismo vinculadas à biotecnologia, ao automatismo e à inteligência artificial: melhoria prometeica ou extinção fáustica da espécie humana?

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Como o Facebook está patenteando as suas emoções

Nos últimos anos, a plataforma acelerou os registros de patentes relacionadas à modulação de reações emocionais dos usuários

Por Ethel Rudnitzki, Rafael Oliveira, Agência Pública

“O Facebook ajuda você a se conectar e compartilhar com as pessoas que fazem parte da sua vida.” É essa mensagem que aparece na sua tela ao se fazer o login na rede social – ou antes de criar a sua conta, se você não for um dos 130 milhões de brasileiros que usam o Facebook.

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Como surgem as teorias conspiratórias da direita?

Em entrevista, pesquisadores falam sobre as teorias mais disseminadas pelos principais apoiadores de Bolsonaro e Olavo de Carvalho

Por Redação A Pública

Globalismo? Climatismo? Marxismo cultural? Em março, a Casa Pública recebeu a socióloga Sabrina Fernandes, do canal TeseOnze, o pesquisador Marco Antônio Perruso, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRRJ, para um debate sobre teorias da conspiração, mediado pelo jornalista da Piauí Herald Roberto Kaz. Aqui, alguns trechos dessa conversa:

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Escolas na mira das corporações da internet

Diversas secretarias de educação fecharam parcerias com Google e Facebook. Com ações suspeitas — como usar estudantes para divulgar ferramentas — educação brasileira é usada para captura de dados e propaganda gratuita

por Fabiana Oliveira, em Outras Palavras

“Crie rimas sobre as ferramentas do Google for Education e torne-se um Rap-baixador no Brasil”. É com esta chamada que o Google se dirige a professores, sugerindo que eles incentivem seus alunos a fazer rimas sobre as ferramentas do Google for Education e também que gravem suas manifestações. A proposta, entretanto, não explicita como e nem para quê os vídeos serão utilizados. Segundo especialistas, a falta de transparência e a ausência de informações detalhadas é exemplar do grau de liberdade com que as empresas de tecnologia têm atuado nas escolas brasileiras. No horizonte da empresa estaria a coleta de dados dos usuários norteada pelo capitalismo de vigilância.

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Deep Fake, a mais recente ameaça distópica

Estas pessoas não existem: são “criadas” por Inteligência Artificial. Fotos, vídeos e textos muito verossímeis multiplicam os riscos de manipulação total. Emerge imenso problema: como regular a ciência, em meio à crise civilizatória?

Por Michael K. Spencer | Tradução: Gabriela Leite, em Outras Palavras

Em 2019, vivemos em um mundo no qual vídeos e imagens deepfake de pessoas, totalmente fabricadas, podem ser criadas por inteligência artificial

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A tecnologia que confina o humano. Entrevista especial com Marildo Menegat

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Quem já não se pegou boquiaberto com as respostas da assistente virtual  Siri, da Apple, ou outra assistente qualquer como a Bia, do banco Bradesco? Mais do que dar a impressão de que já vivemos o futuro em que homens e máquinas convivem a todo instante, esses robôs revelam muito sobre a evolução humana no contexto da revolução 4.0. E essa revolução pode evidenciar algo não tão positivo. Para o professor Marildo Menegat, é preciso superar esse deslumbramento e sedução pela  tecnologia para de fato apreender o que ela tem feito com nossa humanidade. “Os boots falam, mas não lhes pergunte se o tempo está bom, ou se andam estressados com tanto trabalho. Eles delimitam a conversação na resolução de uma mediação na qual você mesmo se torna a representação de uma coisa, no caso, o dinheiro-consumidor”, observa. Ou seja, podemos afirmar que ela confina a relação na base do estímulo-resposta, sujeitando o próprio humano, aquele que interage com a máquina. “As pessoas vão desaprendendo a riqueza e a inteligência presente no uso cotidiano da linguagem. Para falar com máquinas  ninguém precisa decorar mais do que uma única oração”, acrescenta.

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Virtual e perigoso

No dia 13 de março dois ex-alunos de uma escola estadual em Suzano (SP) entraram no lugar onde estudaram, mataram oito pessoas, feriram outras 11 e depois tiraram as próprias vidas. Ainda em março, o aluno de uma escola de Belo Horizonte publicou nas redes sociais uma imagem onde mostrava duas réplicas de arma de fogo e uma faca. Na legenda, uma mensagem dirigida à escola: “Segunda tem”. Dias depois, 11 adolescentes foram identificados como fontes de falsas ameaças a diferentes escolas no Distrito Federal

por Pedro Calvi / CDHM

A sequência desse tipo de caso, logo após o episódio de Suzano, os especialistas estão chamando de “contágio”. Ou seja, pela divulgação massiva através de redes sociais ou imprensa, outros jovens buscam ficar conhecidos e, quem sabe, famosos.

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