A carta abaixo, recentemente divulgada entre mídias internacionais e órgãos de direitos humanos, foi escrita por Heloisa Helena Costa Berto, ex-moradora da Vila Autódromo, em consequência ao aumento perturbador dos ataques violentos aos seguidores de religiões afro-brasileiras e a seus locais religiosos em todo o Brasil. O número de casos relatados de intolerância religiosa no Estado do Rio de Janeiro cresceu quase 40% este ano em relação ao mesmo período do ano passado. Os números do ano passado, no entanto, já tiveram um aumento de 119% em relação aos reportados em 2015. Esses dados abrangem os casos em que os seguidores de Candomblé e Umbanda foram espancados, torturados e até mortos e casos em que indivíduos foram forçados a destruir os seus próprios artefatos sagrados e centros religiosos. No contexto de uma força crescente de líderes evangélicos conservadores na política em todo o Brasil, as autoridades até agora não tomaram medidas efetivas para proteger os direitos dos cidadãos à religião ou, de fato, proteger suas vidas e casas contra ataques. (mais…)
intolerância religiosa
Estado e fé: STF decide polêmica sobre como ensinar religião nas escolas
De um lado, associações católicas e evangélicas. De outro, órgãos tão díspares quanto a Federação das Associações Muçulmanas e a Liga Secular Humanista do Brasil. No meio, crianças do ensino fundamental – e os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
Nesta quarta-feira, o STF deve retomar o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4439, que discute diretrizes sobre o ensino religioso nas escolas. (mais…)
O segredo do sucesso: bata no negro
Edson Lopes Cardoso* – Brado Negro
A edição nº 17 do “Jornal do MNU”, de set./out./nov. de 1989, traz dois textos sobre passeata de adeptos da Igreja do Reino Universal (IURD) realizada em Salvador, no dia 14 de agosto de 1989. A passeata era uma manifestação política de grande hostilidade contra as religiões de matriz africana e tachava seus seguidores de “criminosos e infanticidas”. (mais…)
Em Meio à Crescente Violência Religiosa-Racial, Caminhada Reúne Milhares em Apoio à Tolerância Religiosa
Tyler Strobl – RioOnWatch
Milhares de pessoas foram às ruas de Copacabana no domingo, 17 de setembro, para participar da 10ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa e exigir tolerância religiosa e respeito à luz da violência contínua contra os praticantes e os locais de culto das religiões afro-brasileiras como Candomblé e Umbanda. Múltiplos grupos religiosos de toda a região metropolitana participaram para mostrar uma frente unida contra a intolerância e a violência baseada no ódio. “A passeata é para a gente poder mostrar nossa cara, combater a intolerância e fazer com que as pessoas saibam que cada um tem seu espaço, que ninguém é melhor nem pior que ninguém, e principalmente todos têm a liberdade para expressar seu dogma, sua religiosidade, sua forma de pensar”, refletiu Saulo D’Iemanjá, um praticante de Umbanda da Zona Norte do Rio. (mais…)
Ataques a religiões de matriz africana fazem parte da nova dinâmica do tráfico no Rio
Juliana Gonçalves – The Intercept Brasil
“Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus”, diz um traficante, ordenando que uma yalorixá destrua as imagens do seu terreiro em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, divulgado na quarta-feira (13). Em outro vídeo que circula nas redes sociais, um homem “lembra” a um pai de santo que o chefe não quer macumba no local: “É só um diálogo [segurando um taco de baseball escrito diálogo] que eu tô tendo com vocês. Da próxima vez eu mato”, diz. As cenas absurdas são uma amostra de uma onda de ataques a terreiros de umbanda e candomblé comandados por traficantes que seguem acontecendo no Rio de Janeiro. (mais…)
“Querem substituir a Constituição pela Bíblia”, diz sacerdote de matriz africana
Atos de violência contra terreiros de candomblé viralizam nas redes; movimento contra racismo religioso chama ato em SP
Juliana Gonçalves, Brasil de Fato
“Quebra tudo, apaga as velas, arrebenta as guias todas! O sangue de Jesus tem poder!”. Essas e outras palavras de ordem fazem parte de um vídeo que viralizou pelas redes sociais, neste final de semana. (mais…)
Wòn kò lè gbà á lówó wa! O proselitismo racista não vai nos privar da nossa ancestralidade
Winnie Bueno e Marcela Lisboa* – Justificando
As expressões religiosas das tradições de matriz africana são atravessadas por um histórico de supressões de direitos, limitações e criminalizações que se inserem desde o período colonial até o auge daquilo que conhecemos por estado democrático de direito. No período colonial, as ordenações do reino criminalizavam com pena capital as tradições religiosas de matriz africana, bem como punia organizações festivas, associativas, políticas e religiosas dos escravizados. Já na vigência do Império, o código criminal elencava uma série de punições dispostas a frear a rebeldia dos negros e negras contra a escravidão, entre essas leis figuravam aquelas que puniam a existência de uma fé distinta da cristã de cunho católico, diretamente relacionada com a imagem universal de civilidade e humanidade. (mais…)
