Eu tinha 20 anos quando comecei a trabalhar na TV. Foi em Caxias do Sul, uma cidade de porte médio. Ainda assim, em pouco tempo percebi que a gente, que aparecia na telinha, era uma espécie de celebridade. As pessoas nos tratavam de maneira diferente. Nas lojas, nos restaurantes, na igreja. Lembro que a cada estação, a empresa de malhas Petenatti, mandava sua coleção de presente e as vinícolas – dezenas delas – mandavam caixas de vinhos nas festas especiais. No começo eu achava bem bacana. Não compreendia ainda que aquilo era só uma maneira – nada sutil – de comprar nossa simpatia.
(mais…)liberdade de expressão e de informação
RS – Paraninfo tem discurso desrespeitado por familiares e amigos (?) de formandos que o escolheram
Paraninfo da turma de formando em Comunicação Social da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), o professor Felipe Boff fez seu discurso acompanhado por vaias e ameaças, no dia 8 de março. Motivo? Reafirmava para seus alunos, que não por acaso o haviam escolhido, a importância do jornalismo e da liberdade de imprensa na defesa da democracia, sob ataque pelo atual ocupante do Palácio do Planalto. Felipe Boff levou a fala até o fim, aplaudido de pé pelos formandos que enfrentavam assim os ataques de familiares e amigos (?) fascistizados e incapazes de respeitá-los.
O discurso pode ser lido na íntegra abaixo, após a pequena explicação de abertura que Felipe Boff também publicou em sua página no Facebook.
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Os carregadores de voz
por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes
O jornalismo é um fazer que, segundo o teórico Adelmo Genro Filho, deveria ser uma forma de conhecimento capaz de transitar entre o singular, o particular e o universal. Ou seja, aquilo que é único no acontecimento, sendo mostrado na relação com o todo. Só assim o leitor, espectador ou ouvinte poderá compreender o que realmente aconteceu, porque terá à sua disposição toda atmosfera do fato. A universalidade. Fazer jornalismo assim não é para qualquer um. Precisa estofo. Isso significa que a pessoa que escreve, narra e descreve, tem de carregar dentro de si uma boa bagagem intelectual. Há que ter lido muita literatura, muitos livros de história, há que conhecer em profundidade os grandes dramas do seu espaço geográfico, há que ter capacidade de descrição profunda da realidade.
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Órgãos da Administração Federal deverão ser orientados quanto ao direito à liberdade de expressão de servidores, recomenda PFDC
Solicitação foi encaminhada à Comissão de Ética da Presidência após servidora do Incra ser coagida por se pronunciar durante audiência pública que debatia questões fundiárias
Na PFDC
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), por seu grupo de trabalho Reforma Agrária, encaminhou nesta quinta-feira (20) à Comissão de Ética da Presidência da República uma Recomendação para que órgãos de toda a Administração Pública Federal e Comissões de Ética que atuam nesse âmbito sejam orientados quanto à garantia do direito à liberdade de expressão de servidores públicos.
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A nova batalha por Assange e pelo jornalismo
Extradição aos EUA será decidida a partir de 24/2. Se autorizada, fundador do Wikileaks ficará incomunicável, e poderá ser condenado a 175 anos. Perseguição vira precedente para calar imprensa crítica. Mas a resistência também cresce
Por Nozomi Hayase | Tradução de Simone Paz Hernández, em Outras Palavras
Na audiência da última quinta-feira, em Westminster, Londres, foi estabelecido o cronograma do caso de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos. As equipes jurídicas de Assange nos EUA fizeram um pedido para que a audiência de extradição fosse dividida em duas fases. Seu advogado de defesa, Edward Fitzgerald, explicou ao tribunal que eles não estarão prontos para apresentar o corpo principal de suas provas até depois da primeira semana da audiência, que começar, segundo se prevê, no final de fevereiro.
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Mais de 40 entidades enviam Carta Aberta sobre a denúncia do MPF contra o jornalista Glenn Greenwald
“O direito de jornalistas reportarem com base em fontes primárias que evidenciam irregularidades cometidas por autoridades públicas é um aspecto crucial da liberdade de imprensa. O Ministério Público Federal (MPF) abusou do seu poder ao acusar Glenn Greenwald de exercer essa atividade” – diz denúncia de mais de 40 entidades nacionais e internacionais contra a ação do MPF.
A Carta foi encaminhada aos presidentes da República, da Câmara dos Deputados, do Senado, do Supremo Tribunal Federal; ao Procurador Geral da República; à Corregedora Geral do Ministério Público Federal; e à Procuradora Federal dos Direitos dos Cidadãos.
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Glenn Greenwald: “Muitos acreditam que a liberdade de imprensa deveria ser crime”
Denunciado pelo MPF, jornalista falou à Pública que ação contra ele é “abuso de poder” e que episódios que viveu na Vaza Jato são “mais drásticos” do que o caso Snowden
Por Anna Beatriz Anjos, em Agência Pública

“Publiquei milhares de documentos secretos do mundo todo, do governo mais poderoso [EUA], e nunca aconteceu nada, mas aqui no Brasil estamos publicando documentos menos sensíveis e um procurador do Ministério Público está tentando me processar”. É assim que o jornalista norte-americano Glenn Greenwald se refere à denúncia que o procurador da República Wellington Divino de Oliveira ofereceu contra ele e mais seis pessoas na última terça-feira (21). O representante do Ministério Público Federal (MPF) imputou ao grupo crimes relacionados à invasão de celulares de autoridades brasileiras no caso que deu origem à série de reportagens Vaza Jato, publicada pelo The Intercept Brasil em parceria com outros veículos como a Agência Pública.
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