Segundo a arquiteta e professora, o apagamento da população em situação de rua responde a lógicas burguesas do passado que levam em conta uma massa trabalhadora que pensa a cidade só para quem “produz”
Por João Vitor Santos, no IHU
Uma das marcas do segundo reinado no Brasil, no século XIX, foi o empenho e a campanha de Pedro II para resolver problemas urbanos na cidade do Rio de Janeiro. Afinal, o tempo já corroía as bem-feitorias do passado e a cidade crescia e se modernizava com uma classe burguesa. E como esse processo é chamado? Modernização urbana da cidade do Rio de Janeiro. Não surpreende que o processo pelo qual muitas metrópoles passam hoje continue sendo chamado de modernização. O problema, como aponta a professora e arquiteta Vera Santana Luz, é que lógicas burguesas que orientavam essa modernização e embelezamento urbano sigam valendo. “A cidade do século XIX é a exteriorização concretizada da organização social e forma de produção da sociedade burguesa, portanto nasce com o propósito de consolidar os processos de industrialização, circulação e troca de mercadorias — acumulação de riqueza e espoliação do trabalho”, aponta.
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