Ensaio sobre a interiorização do crime organizado. Por Priscila Pedrosa Prisco

O Rio produz a marca, a disciplina, a narrativa. É o território-escola, território-marca, território-sacrifício. Mato Grosso oferece fluxos que o Rio não tem: corredores, silos, armazéns, fazendas, garimpos, pistas clandestinas, rios e zonas de sombra regulatória

Em Outras Palavras

Mito, deslocamento e o olhar da fronteira

Sou uma carioca vivendo na fronteira com a Bolívia e, desse deslocamento, aprendi a olhar o Rio por contraste: a favela continua a pulsar como coração simbólico do crime brasileiro, mas já não reúne sua infraestrutura operacional. Em Mato Grosso a distância entre mito e logística aparece com nitidez desarmante. Manifesta-se no imaginário juvenil, nos corredores universitários, nas conversas em que “ir à favela” figura como um rito estético e identitário. Muitos que visitam o Rio escolhem ver uma favela não como estudo, mas como experiência: ingresso num santuário de mitos que confere pertencimento. (mais…)

Ler Mais

O lento processo de descolonização do Brasil. Por Sérgio Alarcón

Há uma hipótese sociológica, cada vez mais difícil de negar, segundo a qual a elite de poder no Brasil não é apenas “rica”, mas constitui um núcleo relativamente fechado, entrelaçado por décadas (e às vezes séculos) de casamentos, compadrios, heranças fundiárias e redes de confiança que atravessam gerações.

Não se trata de uma classe dominante no sentido marxista clássico, mas de uma continuidade aristocrática que sobrevive às mudanças de regime, à industrialização e até à redemocratização.

Não é qualquer milionário de primeira viagem que entra nesse círculo. A riqueza pode até circular com certa velocidade; o acesso ao núcleo duro do mando, quase nunca. (mais…)

Ler Mais

Mais de 300 procuradores do MPF defendem atuação da PFDC quanto à chacina nos complexos da Penha e Alemão

Mais de 300 procuradores do MPF assinam nota de apoio ao Procurador Federal dos Direitos do Cidadão, Flávio Dino, e ao Procurador Regional dos Direitos do Cidadão Adjunto no Rio de Janeiro, Julio José Araujo Junior, acusados pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro de politizarem suas atuações quanto à investigação da chacina de 28 de outubro de 2025, no RJ. Leia abaixo:

***

“As procuradoras e procuradores do Ministério Público Federal abaixo-assinados vêm manifestar sua profunda solidariedade a Nicolao Dino de Castro e Costa Neto e a Julio José Araujo Junior, respectivamente, Procurador Federal dos Direitos do Cidadão e Procurador  Regional dos Direitos do Cidadão Adjunto no Rio de Janeiro, que foram, durante o  Congresso Nacional do Ministério Público, injustamente acusados pelo Procurador Geral de Justiça do Rio de Janeiro, de oficiar de forma enviesada, extrapolando o âmbito de suas atribuições. (mais…)

Ler Mais

‘Foras da lei, já nos bastam os bandidos’. Por Hugo Souza

Um tijolaço no secretário de Segurança Pública que tentou liquidar a Polícia Federal e outro no governador de estado que age abertamente como chefe de grupo de extermínio.

No Come Ananás

Em meados da década de 1980, no âmbito da conhecida luta de Leonel Brizola contra o boicote e a sabotagem que ele sofria das Organizações Globo, o então governador do Rio de Janeiro começou a publicar artigos pagos na imprensa carioca — primeiro no Jornal do Brasil, depois em O Globo — para fazer circular suas ideias. Os espaços nos jornais eram pagos em parte pelo PDT, em parte por contribuições voluntárias depositadas em conta concorrente exclusiva para este fim, movimentada apenas para financiar a publicação dos “tijolaços” de Brizola. (mais…)

Ler Mais

Nota: ANADEP manifesta repúdio e reafirma legitimidade constitucional da Defensoria Pública

A Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (ANADEP) repudia, com veemência, as declarações do Procurador-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, proferidas em tom ofensivo e desrespeitoso à Defensoria Pública durante o 26º Congresso Nacional do Ministério Público.

Em sua declaração, o Procurador afirmou que: “A Defensoria Pública hoje é um braço político, não cumpre sua missão constitucional e quer ser um Ministério Público ideológico”. (mais…)

Ler Mais

Nota Pública da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR)

“A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) manifesta apoio ao Subprocurador-Geral da República e Procurador Federal dos Direitos do Cidadão, Nicolao Dino, e ao Procurador Regional dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro, Júlio José Araújo.

O Subprocurador-Geral Nicolao Dino tem mais de três décadas de carreira respeitável no Ministério Público Federal. O Procurador Júlio José Araújo, por sua vez, é profissional reconhecido por sua atuação firme, cujas manifestações decorrem da sua independência funcional, pilar que sustenta a legitimidade do Ministério Público. (mais…)

Ler Mais

CNDH: Nota Pública de desagravo em razão das declarações proferidas pelo Procurador-Geral de Justiça do Rio de Janeiro contra o Subprocurador-Geral da República e a Defensoria Pública da União

NOTA CNDH Nº 75/2025

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), órgão público federal, integrado por  representações do Estado e da sociedade civil, fundado pelos Artigos 5º e 204, II, da Constituição Federal de 1988, em consonância com a Lei nº 12.986/2014, e inspirado nos Princípios de Paris, adotados pela Comissão de Direitos Humanos da ONU (1992) e pela Assembleia Geral da ONU (1993), no exercício de sua missão institucional de promoção, defesa e controle social dos direitos humanos no Brasil, vem a público manifestar profunda preocupação e firme repúdio às declarações proferidas pelo Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, dirigidas ao SubprocuradorGeral da República Nicolao Dino, à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e à Defensoria Pública da União (DPU). (mais…)

Ler Mais