Por Matheus Cosmo, no blog da Boitempo
“Ela sabia de muitos casos tristes, em que tudo havia dado errado. Procurou se lembrar de algum que tivesse tido um final feliz. Não lembrou. Esforçou-se mais e não atinou com nenhum. Não esmoreceu. Relembram tanto, falavam tanto daqueles casos tristes, que, até ela, só se lembrava deles. Não tinha importância. O caso dela, quando voltasse para buscar os seus, haveria de ser uma história de final feliz.“
— Conceição Evaristo
“Eu acho que você não deveria parar, sua avó ficaria orgulhosa de você. Nós não podemos fazer as coisas sozinhos, entende? Precisamos estar juntos.“
— Jeferson Tenório
O ano de 2025 marca exatos dez anos desde o lançamento do filme Que horas ela volta?, de Anna Muylaert. Recentemente, em bate-papo realizado com a própria diretora, num encontro promovido pelo Museu Lasar Segall, na cidade de São Paulo, Anna afirmou sentir-se realizada com o reconhecimento de que sua obra teria dado forma e perspectiva de coletividade a toda uma geração de Jéssicas; a um alto número de pessoas que, inaugurando determinadas posições em seus respectivos núcleos familiares, finalmente vieram a ocupar algumas das públicas carteiras universitárias, outrora reservadas à exclusividade de postos familiares e à manutenção de certos privilégios de classe, rompendo assim, no limite de suas atuações e perspectivas, determinados e esperados ciclos de opressão, esvaziamento e violência, ainda que para isso, sem que soubessem de imediato, tivessem de inaugurar alguns outros tantos desses mesmos postos – agora, entretanto, sendo em tudo diferentes, por vezes mascarados por uma fantasiosa, porém real, ideia de inclusão. É também sobre este processo que o mais recente longa-metragem de Vitor Rocha, Aprender a sonhar, que chegou às telas nacionais nas últimas semanas, se propõe a falar. (mais…)
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