A nova batalha de Xangô contra a intolerância religiosa

No terreiro de Pai Duda, em Cachoeira (BA), drones de vigia precederam os ataques. Vieram então as caminhonetes com as multidões ferozes. Nos últimos 30 anos, violência contra religiões de matriz afro disparou. Em 2021, foram 581 ataques

Por Márcia Maria Cruz, na Piauí / Outras Palavras

O terreiro de candomblé Ilê Asé Oyá L’adê Inan, em Alagoinhas, cidade a cerca de 120 km de Salvador, é consagrado a Oyá, uma das divindades das religiões de matriz africana, senhora dos ventos e da tempestade. Quem comanda o local desde a sua fundação, há treze anos, é a ialorixá (mãe de santo) Roselina Barbosa, de 63 anos. Conhecida como Mãe Rosa, ela mora no terreiro em uma casa confortável, onde criou seus três filhos, todos formados em artes cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Além de cuidar de sua casa e do terreiro, dirigindo os ritos de sua religião, ela atende, na condição de mãe grande, as pessoas que buscam ajuda espiritual naquele ambiente calmo e bucólico.

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“Cota não é sobre ter antepassados negros. É sobre imagem”

DPCE

Duas mulheres negras pautaram os debates da abertura do seminário “Políticas afirmativas e cotas raciais: o papel das bancas de heteroidentificação”, ocorrido nesta sexta-feira (5/8) na sede da Defensoria Pública Geral do Ceará (DPCE), em Fortaleza. A promotora de Justiça da Bahia, Lívia Sant’Anna Vaz, e a assessora especial dos movimentos sociais no Governo do Ceará, Zelma Madeira, discutiram aspectos da formação social brasileira que demandam do Estado a implementação de políticas afirmativas.

“Cota não é sobre ter antepassados negros. Não é sobre as experiências de racismo de cada candidato. É sobre a imagem, a aparência dessa pessoa. Se eu, uma mulher negra, não posso usar a minha ascendência branca, como de fato tenho uma avó branca, para não sofrer racismo, pessoas brancas não podem evocar uma ancestralidade negra, independente do grau, para acessar uma política pública”, pontuou a promotora baiana.

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Negros nos parlamentos ou hipocrisia coletiva? Por Douglas Belchior

O Brasil precisa eleger lideranças negras do movimento negro. Pessoas que tenham compromisso com as propostas defendidas pelo movimento e que sejam representações diretas de quem é atingido pelo racismo. Não precisamos e não queremos mais ser representados por quem não vive os problemas que vivemos

No Diplomatique Brasil

Os parlamentos brasileiros, sejam eles em nível federal, estadual ou municipal, são protagonistas do processo político nacional. A Câmara Federal, por exemplo, instituiu o chamado orçamento secreto, maior dos escárnios. Afinal, o que deveria ser mais público numa república democrática do que o orçamento do Estado? O Brasil de Bolsonaro e Lira formalizou o que, em grande parte da história, fora feito com um tanto de discrição e zelo. O uso do dinheiro público para os interesses privados agora é regra formal e se explica pelo nome.

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Indígenas denunciam abuso de poder, constrangimento ilegal, intimidação e preconceito contra mulher indígena por agentes da PRF na BR 101 em Osório (RS)

Clarice Mbya Guarani, da comunidade indígena de Barra do Ouro, foi constrangida e agredida por policiais rodoviários após abordagem ao motorista da Uber de quem usufruía os serviços; os indígenas cobram providencias das autoridades

No Cimi

Lideranças Mbya Guarani denunciam abuso de poder, constrangimento ilegal, intimidação e preconceito contra mulher indígena por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do posto policial localizado na BR 101, em Osório, no Rio Grande do Sul (RS). Na tarde do dia 20 de julho de 2022, entre às 15 e 16 horas, Clarice Mbya Guarani da comunidade indígena de Barra do Ouro se dirigia de Uber para a Comunidade Sol Nascente, na mesma localidade, quando, após abordagem ao motorista da empresa de transporte privado Uber, de quem usufruía os serviços, foi constrangida e agredida por policiais rodoviários.

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Enquanto houver racismo, não haverá democracia

Por Myrella Santana*, no Marco Zero Conteúdo

No dia 19 de junho de 2022, Francia Márquez foi eleita a primeira vice presidenta negra da Colômbia. A América Latina tem vivenciado nesses últimos anos um momento de virada democrática, onde a maioria dos países estavam sob governos de direita com um projeto de país neoliberal e cada vez mais conservador e, neste ano, vão ter a oportunidade de mudar esse cenário com a eleição de um governo de esquerda.

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Unifesp lança Observatório da Violência Racial para denunciar genocídio negro

Iniciativa do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense vai monitorar dados e criar uma rede com movimentos antirracistas para repensar políticas públicas; para coordenadora, é preciso trazer a dimensão da memória pública das vítimas

Por Elisa Fontes, na Ponte

Somente nos primeiros seis meses deste ano o Brasil registrou casos de violência que envolveram espancamentos, uma viatura transformada em “câmara de gás”, abordagens truculentas e operações policiais em comunidades que terminaram em chacinas. O imigrante congolês Moïse Kabagambe, 24, e os brasileiros Genivaldo de Jesus Santos, 38, e Lucas Henrique Vicente, 27, foram algumas das vítimas da brutalidade tanto por parte de civis quanto por agentes da segurança pública e tinham características em comum: eram homens negros e de origem periférica.

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SP: “Botannica Tirannica” movimenta a cidade com debates e oficinas

Exposição de Giselle Beiguelman, no Museu Judaico de São Paulo, apresenta, a partir do próximo dia 23, uma programação para debater o decolonialismo, racismo, entre outros temas contemporâneos

Por Leila Kiyomura, Jornal da USP

A nova mostra Botannica Tirannica, de Giselle Beiguelman, com curadoria de Ilana Feldman, no Museu Judaico de São Paulo, vem surpreendendo o público com seu jardim que traz a estética do preconceito e o decolonialismo. A exposição, a partir do próximo dia 23, às 17 horas, inicia uma nova programação com oficinas, conversas e workshops.

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