Diante da persistente desigualdade de gênero no meio rural, como as políticas públicas podem valorizar e fomentar o trabalho das mulheres, reconhecendo sua contribuição para uma produção mais sustentável e essencial no combate à fome e à insegurança alimentar e nutricional?
Por Marisa Singulano, Amanda Leão Cardoso e Maria Cristina Teixeira Braga Messias*, Le Monde Diplomatique
A crise ambiental e climática não afeta da mesma forma os diferentes grupos sociais. As mulheres estão entre as mais impactadas pelas mudanças climáticas, em razão de desigualdades sociais, econômicas e políticas historicamente construídas. Como consequência, são desproporcionalmente afetadas por eventos climáticos extremos. Ao mesmo tempo, ocupam posições de destaque na linha de frente das respostas aos desastres, como mostram análises recentes sobre a resiliência e o engajamento político das mulheres no enfrentamento da crise climática. Elas também desempenham um importante papel na construção de estratégias voltadas à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Esse protagonismo é especialmente evidente na agricultura e na alimentação. Nesses contextos, elas ocupam posições centrais na construção de sistemas alimentares sustentáveis, que, por sua vez, têm potencial para contribuir com a redução dos desequilíbrios ambientais e climáticos. (mais…)
