Negacionismo, gatopardismo e transicionismo. Por Boaventura de Sousa Santos

Pandemia mostra: o fim do mundo que conhecíamos já começou, e seu desmoronar pode ser brutal. Três grandes tendências entrarão em choque. Há chance de evitar o futuro-distopia – mesmo que ele já esteja cravado em nós

No Outras Palavras

A pandemia do novo coronavírus veio pôr em causa muitas das certezas políticas que pareciam ter-se consolidado nos últimos quarenta anos, sobretudo no chamado Norte global. As principais certezas eram: o triunfo final do capitalismo sobre o seu grande concorrente histórico, o socialismo soviético; a prioridade dos mercados na regulação da vida não só econômica como social, com a consequente privatização e desregulação da economia e das políticas sociais e a redução do papel do Estado na regulação da vida coletiva; a globalização da economia assente nas vantagens comparativas na produção e distribuição; a brutal flexibilização (precarização) das relações de trabalho como condição para o aumento do emprego e o crescimento da economia. No seu conjunto, estas certezas constituíam a ordem neoliberal.

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Boaventura: “Só os míopes desprezam a utopia”

Confinado numa aldeia portuguesa, ele acaba de concluir novo livro. A pandemia abre o século XXI, argumenta, e surgem três cenários possíveis. É preciso lutar, com “otimismo trágico”, pela saída pós-capitalista. Ou aguardar, em apatia, o pior

Boaventura de Sousa Santos a José Cabrita Saraiva, no I / Outras Palavras

No livro que acaba de enviar para a editora defende que o século XXI começa agora. Entre as mudanças que antevê, aponta o fim do turismo internacional e o redimensionamento de centros comerciais.

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Por dentro de uma invenção democrática: a Campanha Internacional por um Currículo Global da Economia Social Solidaria se reúne 16 e 17 de março, no Rio

Uma  Campanha da sociedade civil global, auto-gerida, promove articulações e quer fortalecer a educação que vai além da escola e da Academia, dialogando com a vida, os movimentos sociais e construindo a  outra economia possível. Em cinco meses e sem contar com nenhum recurso  financeiro, a proposta da Campanha por um Currículo Global da Economia Social Solidaria já conquistou a adesão de organizações e redes, não apenas na América Latina, como também na Europa e na África. Em breve, vozes de outros continentes poderão  se fazer  ouvir, à medida que mais redes se unem à Red Educacion y Economia Social Solidaria-REES e a outras inicialmente  envolvidas.

Por Madza Ednir*, especial para Combate (mais…)

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Como sair do ódio? Uma entrevista com Jacques Rancière

Eric Aeschimann entrevista Jacques Rancière

No blog da Boitempo

Guerra ou política? Segundo Jacques Rancière, a política passa longe das artimanhas jurídicas e institucionais da política de gabinete. É uma forma de ação e de subjetivação coletiva que constrói um mundo em comum, no qual se inclui também o inimigo. A ação política cria identidades não-identitárias, um “nós” aberto e inclusivo que reconhece e fala de igual para igual com o adversário. A guerra, pelo contrário, tem como protagonista fundamental formações identitárias fechadas e agressivas (sejam elas éticas, religiosas ou ideológicas) que negam e excluem o outro do mundo partilhado. Entre o outro e o eu, nada em comum. (mais…)

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