A Revolução 4.0 e a reedição das lógicas das revoluções burguesas. Entrevista especial com Gaudêncio Frigotto

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

As revoluções burguesas que iniciam no século XVII e seguem até o século XIX varrem toda a Europa e trazem um novo regime sociopolítico mundial. Caem os reis absolutistas, mas sobram os burgueses liberais. E, se por um lado o Estado se organiza em torno da universalidade e da cidadania, com o tempo, percebe-se que esses avanços de fato não tocam a vida dos mais pobres. Para o professor Gaudêncio Frigotto, o momento que vivemos, da chamada Revolução 4.0, tem provocado uma espécie de atualização dessas desigualdades. “Trata-se de um processo contínuo de substituição na atividade produtiva do trabalho vivo (força física e mental dos trabalhadores) em trabalho morto (máquinas, computadores, robôs etc.). O que a história mostra é que aqueles capitalistas ou grupos que se valem de uma tecnologia que lhes permite, em menos tempo e com menos pessoal, produzir mais lhes dá vantagens na competição com os demais capitalistas”, analisa.

(mais…)

Ler Mais

Bolsonaro, Moro e Witzel fogem de diretor da Human Rights Watch no Brasil

‘Bolsonaro não está acima da lei’, diz Kenneth Roth, preocupado com os esbirros autoritários do ex-capitão

por Alexandre Puti, em CartaCapital

A democracia não dá à pessoa eleita a liberdade para violar os direitos humanos. Bolsonaro não está acima da lei. É assim que um líder se torna um ditador, é assim que governos autoritários aparecem.” A áspera declaração é do advogado americano Kenneth Roth, diretor-executivo da Human Rights Watch. Preocupado com a deterioração dos direitos das mulheres, das pessoas LGBT, dos povos indígenas e dos cidadãos sob a custódia do Estado, ele visitou o Brasil entre 14 e 17 de outubro. Desejava externar as suas preocupações para as autoridades nativas, mas não foi recebido por quem mais deveria ouvir seus alertas.

(mais…)

Ler Mais

“Oligarquias agrárias e das empresas de mineração voltaram ao comando”

‘Cristo aponta para a Amazônia’, dizia Paulo VI. É o que lembra o dominicano Xavier Plassat, que vive no Brasil desde a década de 1980

por Leneide Duarte-Plon, em CartaCapital

O dominicano Xavier Plassat, que vive no Brasil desde a década de 1980 como consequência de sua amizade com o frei Tito de Alencar (suicida na França em 1974), sublinha a importância do Sínodo sobre a Amazônia para o Brasil e para o planeta. Coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a denunciar o trabalho escravo, Plassat, que mora em Araguaína, no Tocantins, conta como o controle desse problema vem sendo dificultado pelas novas autoridades brasileiras. Ele informa também como se agravaram os problemas de conflitos de terra em todo o Brasil, especialmente nas regiões mais recuadas do território. Diz Plassat: “Nossa equipe regional da CPT acompanha, nos aspectos pastoral, organizativo e jurídico, uns 30 grupos, somando mais de mil famílias, estabelecidas em terras de quilombo, em acampamentos, em áreas de ocupação e em assentamentos consolidados. Liminares de despejo concedidas à revelia das provas apresentadas, violências gratuitas, ameaças contra pessoas e criminalização passaram a ser o nosso cotidiano”.

(mais…)

Ler Mais

#SínodoAmazônico: apresentados os relatórios dos Círculos Menores

Durante a 13ª Congregação Geral foram apresentados, na Sala do Sínodo, no Vaticano, os relatórios dos Círculos Menores [que são grupos menores com os/as participantes do Sínodo, e nesses grupos foram feitas as discussões a partir do instrumento de trabalho sinodal e depois foram socializadas em plenário, para todos e todas as pessoas]. Estavam presentes junto com o Papa 177 Padres Sinodais. As contribuições, entregues à Secretaria Geral, não constituem um documento oficial do Sínodo, nem mesmo um texto de magistério, mas a síntese de uma discussão franca e livre entre os participantes da assembleia.

Fonte / Imagens: Vatican News / CPT

O Sínodo é um dom precioso do Espírito para a Amazônia e para toda a Igreja tanto no aspecto teológico pastoral, quanto pela inevitável tarefa do cuidado da Casa Comum. É um kairós, tempo de graça, ocasião propícia para a Igreja se reconciliar com a Amazônia. Este é o ponto comum que aproxima os doze relatórios dos círculos menores apresentadas na Sala sinodal na quinta-feira à tarde (17).

(mais…)

Ler Mais

“Marco temporal desconsidera histórica violência contra os povos”, afirma dom Roque Paloschi no Sínodo da Amazônia

“No Brasil há um enorme esforço para desconstruir os direitos conquistados pelos povos indígenas em 1988”, avaliou o presidente do Cimi durante coletiva de imprensa em Roma

por Guilherme Cavalli, em Cimi

A realidade dos povos indígenas no Brasil foi tema levado por dom Roque Paloschi à coletiva de imprensa do Sínodo da Amazônia na tarde de ontem (17), em Roma. Em análise conjuntural, o o presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e arcebispo de Porto Velho lembrou os cortes orçamentários e de servidores dos órgãos estatais responsáveis pelas políticas indígenas.

(mais…)

Ler Mais

“Se não tiver LGBT, não pode ser nossa revolução”

Durante curso LGBT Sem Terra, mesa debate desafios para a resistência LGBT diante da atual conjuntura

Por Yuri Simeon, na Página do MST

Anteontem (19), aconteceu a mesa “Luta LGBTI+ em tempos de resistência, avanços e retrocessos” durante o último dia do XVIII Curso LGBT Sem Terra. A atividade acontece na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), de 14 a 19 de outubro, e tem como objetivos a formação política, a auto-organização e o aprofundamento sobre a identidade LGBT Sem Terra.

(mais…)

Ler Mais

Vozes que desafiam. Dorothy Stang, profetiza e mártir da Amazônia

Por: Cleusa Maria Andreatta, Susana Rocca, Wagner Fernandes de Azevedo, em IHU On-Line

Uma década antes de a encíclica Laudato Si’ ser publicada, nas terras de Anapu, na Amazônia brasileira, era “plantada em solo brasileiro” a semente de um modo de pensar, de se relacionar com o mundo, com a construção de novos valores, partindo da perspectiva de que “Deus está em todas coisas” e caminha com os desfavorecidos. Em 12 de fevereiro de 2005, a missionária estadunidense Dorothy Stang foi vítima daquilo que enfrentava: a exploração da terra e dos pobres em favor do lucro e da ganância de poucos. O seu legado ainda brota e se constitui como inspiração para o ponto de inflexão que se encontra a Igreja e todo o mundo.

(mais…)

Ler Mais

O ônus da desigualdade no Brasil

Por Sucena Shkrada Resk*, no Cidadãos do Mudo

Há uma máxima que deve ser respeitada: os fatos não mentem, quando se trata de analisar a desigualdade socioeconômica no Brasil, que inclui a injustiça ambiental. Os percentuais estatísticos se revelam diariamente, nos trazendo a uma realidade gritante: o país está entre os 15 mais desiguais no mundo e basta termos sensibilidade no nosso dia a dia para enxergarmos e nos sentirmos parte desta engrenagem.  Desemprego, déficit de acesso ao saneamento, ao atendimento à saúde e educação e índices de violência são alguns desses indicadores no chão. Uma posição que nenhuma nação deve se orgulhar, não é?

(mais…)

Ler Mais

As borboletas, a farofa e o PSL. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Borboleta amarela / no céu azul / infinita beleza. / Não fazer mal a ninguém / infinita beleza. (Avaju Poty Guarani)

Essa história é verdadeira? Quer que eu conte? Contarei o conto que ainda nem contei. Estamos no ano 2.025. A cadeia de lojas “Mariposão” dedicada ao ramo de exportação e importação comercializa borboletas da Amazônia exportando-as para a Europa e os Estados Zunidos. De lá, traz sucatas para vender em Manaus. Por isso, ninguém entendeu quando o seu proprietário, que respondia pelo nome autenticamente amazônico de Wuppslander Rienk – o Vupinho, para simplificar – comprou vastas extensões de terra em Coari, capital da banana, a preço da dita cuja:

(mais…)

Ler Mais

Pela primeira vez no Brasil, orquestra revive sons da ancestralidade da América

Por Marina Carvalho, na UFRGS

Após apresentar a ancestralidade ameríndia por meio do som para países de todos os continentes, a Orquesta de Instrumentos Autóctonos y Nuevas Tecnologías chega pela primeira vez ao Brasil. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul recebe, no dia 22 de outubro, às 19h, no Salão de Atos, o concerto que é considerado um museu vivo pela crítica especializada. O grupo conta a história da América Latina na voz dos povos originários – ou melhor, através dos sons. Aliando tradição e tecnologia, o projeto, fundado em 2004, é resultado de um intenso trabalho de pesquisa histórico-musical realizado na Universidade Nacional de Tres de Febrero (UNTREF), na Argentina. A apresentação integra a celebração pelos 20 anos do Salão de Extensão da UFRGS. 

(mais…)

Ler Mais