Indígenas não se beneficiaram do crescimento econômico da América Latina, diz Banco Mundial

Em novo relatório, órgão diz que indígenas do continente não usufruíram da ‘bonança da primeira década do século’ como os demais latino-americanos

Opera Mundi

Em um relatório divulgado nesta segunda-feira (15/02) na Cidade do Panamá, o Banco Mundial indicou que os povos indígenas da América Latina não usufruíram do crescimento econômico do continente da mesma maneira que os demais latino-americanos nos últimos 15 anos.

“A América Latina experimentou uma profunda transformação social que diminuiu a pobreza e aumentou a classe média, mas os povos indígenas se beneficiaram menos do que o resto dos latino-americanos”, declarou o vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Jorge Familiar, no ato de apresentação do relatório.

Intitulado “América Latina Indígena no Século XXI”, o documento afirma que os indígenas “reduziram seus níveis de pobreza” e “melhoraram seu acesso a serviços básicos”, mas ficaram à margem dos outros habitantes do continente.

“Se os povos indígenas assumirem seu papel como atores-chave na agenda pós-2015, suas vozes e ideias serão levadas em consideração”, disse Ede Ijjasz-Vásquez, diretor-sênior do Banco Mundial, acrescentando que “a inclusão não é somente moralmente correta mas é economicamente adequada para as nações”.

O estudo aponta que, por conta de políticas sociais aliadas ao crescimento econômico, 70 milhões de pessoas saíram da pobreza na América Latina nos últimos 15 anos.

Segundo os censos demográficos mais recentes, utilizados pelo Banco Mundial, 8% dos habitantes do continente são indígenas, o que representa 42 milhões de pessoas. Quatro países – México, Peru, Bolívia e Guatemala – concentram 80% da população indígena, ou 34 milhões. O relatório pontua ainda que, ao contrário do senso comum, aproximadamente a metade dos indígenas vive em zonas urbanas.

Foto: Existem 42 milhões de indígenas na América Latina, o que significa 8% da população da região

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