Manifesto do ‪#‎ocupauerjcontraatocha‬

Nós estudantes, funcionários da UERJ, professores, secundaristas e demais setores da sociedade civil organizada, ocupamos a UERJ na tarde do dia 13/07/2016 como modo de resistência ao atual projeto do governo do Estado do Rio de Janeiro de precarização e privatização da educação e saúde publica em geral.

Não aceitamos que uma das maiores universidades públicas da América Latina seja utilizada como estacionamento olímpico enquanto não tem a mínima condição de funcionar. Cerca de 1000 funcionários terceirizados dos setores de limpeza, segurança e manutenção foram demitidos com seis meses de salários atrasados, demonstrando total descaso do governo do estado e da reitoria com a vida dessas pessoas. Como consequência desse projeto de precarização nossos estudantes estão sem aula desde o início do ano e nossos funcionários e professores estão com seus salários parcelados, causando-lhes endividamento e impossibilidade de sustento (incluindo seus familiares).

Percebemos que há um processo sistemático de exclusão de pessoas negras, indígenas e pobres nessa universidade, o que pode ser evidenciado pela não existência de alojamentos, falta de assistência a cotistas e limitação do bilhete único universitário, demonstrando que além da dificuldade de acesso há dificuldade de permanência dessas pessoas na universidade. Enquanto isso, as escolas públicas não têm infraestrutura básica, faltando materiais necessários à formação. Mesmo estando em uma escola pública os estudantes têm que custear xerox de textos e apostilas, uniforme e demais materiais mesmo não tendo condições para tal. Os livros didáticos não são distribuídos para todos os estudantes e a verba direcionada à escola não é remanejada de maneira transparente e nem visa a melhora das condições de infraestrutura. Os estudantes também são constantemente coagidos por diretores das escolas e funcionários da coordenação.

É de um caráter simbólico o fato de que a UERJ está fechada para estudantes e professores devido a falta de estrutura para a continuação da vida acadêmica e justamente no dia 13/7 a Universidade ser aberta para a COI, que usará o espaço para a organização dos jogos. Qual preço temos que pagar para a tocha olímpica estar acessa? Funcionários terceirizados com 8 meses de salário atrasados demitidos, bolsistas e professores sem receber, moradores sendo removidos de suas casas sem aviso prévio. O Hupe e a UERJ continuam sem suas verbas referentes aos seus custeios e sem condições de funcionamento. Trabalhadores e pacientes sendo submetidos a uma situação de riscos e danos quando a questão da biossegurança (limpeza incluída) e a falta de insumos são irresponsavelmente negligenciados pela reitoria e direção do Hupe. Essa situação se estende aos demais hospitais e escolas. Isso sim é calamidade pública, mas parece que o estado de calamidade não chegou nos eventos esportivos.

Essa ocupação tem um caráter diferente da atuação normal do movimento estudantil. Enquanto este pauta suas ações enquadrado na realidade posta pelo ambiente acadêmico, nós buscamos criar um ambiente propício para o construto de uma universidade popular. Esta ocupação é legítima porque a UERJ é o símbolo da crise do Estado e das Olimpíadas. Nossas pautas e reivindicações são de toda a população e transpassam os muros dessa universidade. Lutamos contra a meritocracia do vestibular e por uma Universidade verdadeiramente popular.

A UERJ está situada a poucos metros do Maracanã, um local estratégico das Olimpíadas, que gerou muitas remoções e prejuízos a população do Rio de Janeiro. Inclusive com a remoção da Universidade Intercultural Indígena Aldeia Maracanã e a comunidade Metrô-Mangueira que igualmente também estão tendo seus direitos violados pelo COI por causa das Olimpíadas. Mas também a UERJ é um símbolo de resistência, vamos combater as Olimpíadas em um Universidade sucateada pela própria. Todos os movimentos sociais estão convidados a participar da ocupação. Precisamos de apoiadores. Chamamos toda a sociedade civil e movimentos sociais para compôr a ocupação da UERJ. Não tem arrego.

Nossas reivindicações:

Contra a presença da COI e do centro de mídia na UERJ
Contra as remoções e o apartheid social
Fora UPP
Pela Universidade Indígena Aldeia Maracanã
Fim das terceirizações e pagamento imediato dos terceirizados que ficaram sem receber
Liberação imediata da verba da educação e, particularmente, da UERJ
Pela Moradia estudantil
Por Bandejão em todas as escolas e Universidades públicas
Por Tarifa Zero, passe livre
Pelo fim do parcelamento de salários dos funcionários públicos
Por creches universitárias
Pela revisão do currículo mínimo (tanto nas escolas quanto na UERJ)
Gestão popular das Universidades e escolas
Contra a precarização do HUPE
Fim do SAERJ para sempre
Infraestrutura nas escolas e universidades
Abertura do livro de contas das Universidades, escolas, SEEDUC e SECTI
Uniforme gratuito para todos os estudantes
Fim do pagamento de xerox
Contra a escola sem partidos
Contra a militarização dos espaços
Contra a presença da PM nas escolas

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Monica Lima.

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