O Segundo Seminário Processos e Perspectivas do Campesinato no Brasil do Século XXI será realizado de 13 a 15 de agosto e discutirá soberania alimentar, agroecologia, reforma agrária, mudanças climáticas e estratégias de organização dos povos do campo
No MPA
As transformações ocorridas no campo brasileiro na última década e os caminhos para o fortalecimento da agricultura camponesa estarão no centro dos debates do Segundo Seminário Processos e Perspectivas do Campesinato no Brasil do Século XXI, promovido pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) entre os dias 13 e 15 de agosto de 2026, na Casa de Retiros Assunção, em Brasília.
O encontro pretende atualizar a análise sobre a realidade do campesinato diante das mudanças econômicas, políticas, ambientais e tecnológicas que vêm modificando o meio rural. Entre os temas estão a concentração fundiária, o avanço do agronegócio, a financeirização da agricultura, a crise climática, as políticas públicas, os mercados de alimentos, a juventude rural e as novas formas de resistência e organização camponesa.
O seminário também buscará projetar cenários para as próximas décadas e discutir o papel estratégico da agricultura camponesa na produção de alimentos, na preservação da biodiversidade e na construção da soberania alimentar.
Uma reflexão construída ao longo da trajetória do MPA
A primeira mesa será dedicada à trajetória da elaboração política do MPA sobre o campesinato brasileiro. O debate recuperará referenciais teóricos, metodológicos e organizativos desenvolvidos pelo Movimento desde sua fundação. As discussões terão como ponto de partida o acúmulo do primeiro seminário, Dinâmicas e Perspectivas do Campesinato no Século XXI, realizado em 2014.
Mais de uma década depois, o MPA pretende avaliar quais elementos da História Social do Campesinato continuam relevantes para compreender a realidade brasileira e quais conceitos precisam ser atualizados diante das transformações ocorridas no país. A constituição do campesinato como sujeito político também será analisada em sua relação com disputas contemporâneas envolvendo soberania alimentar, reforma agrária, agroecologia e a construção de um projeto popular para o Brasil.
Entre as questões propostas estão: como evoluiu a elaboração política do MPA sobre o campesinato? Quais desafios teóricos surgiram na última década? E quais categorias de análise precisam ser revistas para interpretar o campo brasileiro contemporâneo?
Campo brasileiro passou por profundas transformações
A segunda mesa colocará em discussão as mudanças estruturais ocorridas no campo brasileiro e latino-americano durante os últimos dez anos. O objetivo será construir uma leitura compartilhada da atual conjuntura, considerando os impactos das transformações econômicas, políticas, tecnológicas, ambientais e geopolíticas sobre a reprodução social das famílias camponesas.
A expansão do agronegócio e a concentração da propriedade da terra estarão entre os assuntos analisados, ao lado da crescente financeirização da agricultura. O seminário também pretende discutir como as mudanças climáticas interferem na produção agrícola e na permanência das famílias no campo, além de avaliar políticas públicas, transformações nos mercados de alimentos e mudanças nas relações de trabalho.
Outro desafio colocado pelo MPA é a permanência da juventude no meio rural, questão diretamente relacionada às possibilidades de sucessão familiar e continuidade da agricultura camponesa. A partir desse diagnóstico, os participantes buscarão identificar as principais contradições existentes atualmente no campo e as oportunidades e ameaças que se apresentam para a organização dos pequenos agricultores.
Diferentes movimentos discutem estratégias comuns
A terceira mesa ampliará o debate para as diferentes experiências de organização e luta existentes no campo brasileiro. A proposta é estabelecer um diálogo entre movimentos populares, organizações da agricultura familiar, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e redes ligadas à educação do campo. Apesar da diversidade de experiências, o seminário buscará identificar pontos de convergência capazes de fortalecer uma agenda comum.
Entre eles estão a democratização do acesso à terra, a agroecologia, a defesa dos bens comuns, a soberania alimentar e a construção de um projeto popular para o campo brasileiro. Uma das questões centrais será compreender qual papel a agricultura camponesa pode desempenhar na transformação social do país.
O debate também deverá avaliar as estratégias adotadas atualmente pelas organizações do campo, tanto na mobilização das bases quanto na formação de militantes e na construção de alianças. A ideia de “unidade na diversidade” aparece como um dos desafios colocados pelo seminário: identificar como diferentes sujeitos políticos podem preservar suas identidades e, simultaneamente, construir agendas e processos comuns de mobilização.
Soberania alimentar como eixo de articulação
A soberania alimentar atravessa as quatro mesas previstas no encontro. O conceito parte da compreensão de que os povos devem possuir condições para definir suas próprias políticas de produção, distribuição e consumo de alimentos, valorizando sistemas agrícolas sustentáveis, culturas alimentares locais e a autonomia dos produtores. No seminário, o tema será discutido também como possível elemento de articulação entre diferentes organizações populares. Nesse sentido, a agricultura camponesa é apresentada pelo MPA não somente como uma atividade econômica, mas como parte de uma disputa sobre o modelo de desenvolvimento rural e sobre quem controla a terra, a produção agrícola e os sistemas alimentares.
Mudanças climáticas entram no centro do debate
A questão ambiental deverá ocupar espaço importante nas discussões. As mudanças climáticas vêm impondo novos desafios à produção agrícola, com impactos relacionados a secas, enchentes, alterações nos regimes de chuva e outros eventos extremos. Para o campesinato, essas transformações se somam às disputas por terra, água, sementes e demais recursos necessários à produção. Ao relacionar agroecologia, biodiversidade e soberania alimentar, o seminário pretende discutir também a contribuição que os sistemas camponeses de produção podem oferecer para enfrentar os desafios ambientais das próximas décadas.
Que campesinato existirá nas próximas décadas?
A quarta e última mesa terá como objetivo olhar para o futuro. Sob o tema “Tendências do campesinato brasileiro para o próximo período histórico”, os participantes deverão construir cenários sobre as transformações econômicas, sociais, ambientais, tecnológicas e políticas que poderão influenciar a agricultura camponesa.
A questão fundamental será identificar quais condições permitirão ao campesinato permanecer como sujeito político e econômico relevante nas próximas décadas. Os debates deverão considerar seu papel na produção de alimentos, na defesa da biodiversidade, na soberania alimentar e nos processos de transformação social.
A mesa também pretende sistematizar parte das reflexões produzidas durante os três dias e estabelecer orientações para a atuação futura do MPA. Entre as perguntas que nortearão o encerramento estão: quais tendências deverão marcar o campesinato brasileiro nos próximos anos? Como ampliar seu protagonismo político? Quais desafios estratégicos precisam ser enfrentados? E quais prioridades devem orientar a atuação do Movimento no próximo período?
Do diagnóstico à construção de estratégias
Mais do que realizar um balanço da última década, o Segundo Seminário Processos e Perspectivas do Campesinato no Brasil do Século XXI pretende funcionar como espaço de reflexão estratégica. Ao colocar na mesma agenda questões como terra, alimentos, agroecologia, biodiversidade, mudanças climáticas, juventude, organização popular e soberania, o encontro busca compreender como as transformações em curso poderão determinar o futuro das populações do campo.
De 13 a 15 de agosto, em Brasília, o MPA pretende revisitar sua própria elaboração histórica, analisar as mudanças ocorridas desde o primeiro seminário de 2014 e projetar os desafios das próximas décadas. No centro dessa discussão estará uma questão que ultrapassa os limites do meio rural: qual será o papel da agricultura camponesa na produção de alimentos e na construção de um projeto de desenvolvimento para o Brasil no século XXI?





