Dicionário expõe pensamento de Gramsci em mais de 600 verbetes

O pensamento de Antonio Gramsci, destrinchado em uma enciclopédia com mais de 600 verbetes, elaborados por alguns dos mais importantes estudiosos de sua obra no mundo

No blog da Boitempo

Em seus últimos dez anos de vida, Antonio Gramsci reflete, na prisão, sobre a derrota do movimento comunista e a falência da revolução no Ocidente. Reelabora as questões de base de sua precedente atividade política, repensa as respostas dadas e as experiências vividas. Formula um verdadeiro léxico para expressar sua teoria política e todo um mundo de conceitos destinados a influenciar os mais diversos campos do saber. É uma linguagem que, com frequência, inventa ou reinventa palavras, enriquecendo-as com novos significados: americanismo e fordismo, hegemonia, filosofia da práxis, molecular, nacional-popular, Oriente-Ocidente, revolução passiva, vontade coletiva e tantas outras. Ao combinar, em seus mais de 600 verbetes, rigor científico e clareza textual, esta obra visa a divulgar com precisão o pensamento de um dos maiores teóricos marxistas da modernidade.

Antonio Gramsci (Ales, 22 de janeiro de 1891 – Roma, 27 de abril de 1937) nasceu na Sardenha, mas transcorreu sua vida adulta em Turim, cidade industrial no norte da Itália para onde se transferiu para estudar literatura, Viena e Moscou. Foi um filósofo marxista, jornalista, crítico literário e político italiano. Escreveu sobre teoria política, sociologia, antropologia e linguística. Com Amadeo Bordiga, foi membro-fundador do Partido Comunista da Itália (1921). Gramsci foi secretário-geral do partido e deputado pelo distrito do Vêneto. Em 1922, foi à Rússia representando o partido e lá conheceu sua esposa, Giulia Schucht, uma jovem violinista com a qual teve dois filhos. Em 8 de novembro de 1926 foi preso pelo regime fascista de Benito Mussolini. Em 1934, com a saúde muito debilitada, recebeu liberdade condicional [?] e morreu pouco depois, aos 46 anos.

Guido Liguori é professor de história do pensamento político na Universidade da Calábria e, atualmente, é presidente da International Gramsci Society Italia (IGS Italia). É autor de Gramsci conteso. Storia di um dibattito 1922-1996 (Editori Riuniti, 1996) e Sentieri gramsciani (Carocci, 2006), entre outros.

Pasquale Voza é professor de literatura italiana na Universidade de Bari e é diretor do Centro Interuniversitário de Pesquisa para os Estudos Gramscianos. Publicou Gramsci e la “continua crisi” (Carocci, 2008), L’utopia concreta e Il Sessantotto tra passato e presente (Manni, 2009).

Ficha técnica
Título: Dicionário gramsciano
Subtítulo: (1926-1937)
Título original: Dizionario gramsciano, 1926-1937
Organização: Guido Liguori e Pasquale Voza
Tradução: Ana Maria Chiarini, Diego Silveira Coelho Ferreira, Leandro de Oliveira Galastri e Silvia de Bernardinis
Revisão técnica: Marco Aurélio Nogueira
Prefácio à edição brasileira: Alvaro Bianchi
Orelha: Marcos Del Roio
Páginas: 832
ISBN: 978-85-7559-533-6
Preço: R$ 125 (brochura) | R$ 167 (capa dura)
Editora: Boitempo

Comments (1)

  1. Estou pensando em adquirir o livro, apesar do preço um tanto salgado.

    Só espero que não me depare com mais uma versão de um Gramsci social democrata, como agora virou moda. Gramsci sempre foi um revolucionário, mas seu pensamento poderoso tem sido usado frequentemente para toda sorte de contrafações conservadoras ou diluidoras.

    Enfim, acho que valerá a aposta.

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