Brasil pode ter presidente que acha que a justiça trabalhista é um erro, por Leonardo Sakamoto

No blog do Sakamoto

Enquanto 85% da população não deseja terceirizar para deputados e senadores a escolha do sucessor de Michel Temer, caso ele caia nos próximos meses, o poder econômico prefere o contrário. Sabe que quem defender a agenda das Reformas Trabalhista e da Previdência não sobreviverá à luz do sol, ou seja, a uma eleição popular.

Um dos mais bem colocados na bolsa de apostas do voto indireto hoje é o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Que, vale ressaltar, nem é citado como presidenciável em qualquer pesquisa de intenção de voto para 2018.

Maia, codinome ”Botafogo” na lista de pagamentos da Odebrecht, de acordo com delações de seus executivos, é um dos responsáveis por retirar o resto do tapa-sexo que mantinha uma certa aura de pudor no Congresso Nacional no que diz respeito à proteção aos mais vulneráveis. Se ele for nosso próximo presidente, terá mais poder para tornar parte dos direitos dos trabalhadores empeça de museu.

Ele afirmou que ”o excesso de regras no mercado de trabalho gerou 14 milhões de desempregados”, que defende a agenda ”pró-mercado” e que a ”Justiça do Trabalho não deveria nem existir”.

As leis e a justiça trabalhista, mesmo com suas imperfeições, têm sido responsáveis por garantir um mínimo de dignidade a milhões de brasileiros e a evitar que a lei da selva, ou seja, a sobrevivência do mais forte, prevaleça.

Como não pode acabar com esse ramo da Justiça, Rodrigo Maia, que está à frente de uma das piores legislaturas da Câmara da história, tem atuado para garantir a redução no número de trabalhadores que podem ter acesso a ela. Conseguiu aprovar o projeto da terceirização ampla – que deve precarizar a qualidade do emprego, colocar em risco a saúde e a segurança do trabalhador e tornar mais difícil processar os verdadeiros responsáveis pela exploração. E também a Reforma Trabalhista – cuja ponto mais importante é garantir que a negociação entre patrões e empregados fique acima do que diz a lei, mesmo em prejuízo ao trabalhador. Este último projeto está, agora, em análise pelo Senado.

Com o aprofundamento de uma crise econômica, os trabalhadores são os primeiros a sofrerem perdas substanciais. Deveriam ser os mais protegidos, portanto. Mas vendo as ações tomadas por Rodrigo Maia, a sensação é de que o grande empresariado e o mercado financeiro é que são os vulneráveis diante da sanha de uma horda de trabalhadores insensatos.

Pensando no governo Temer como um grande processo de desmonte do (já pequeno) Estado de bem- estar social, Rodrigo Maia é mais do que um nome de continuidade. Se ele já age como advogado corporativo sentado na cadeira da Presidência da Câmara dos Deputados, imagine o que faria no Palácio do Planalto.

Foto: Estadão

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