Artigo: “A extraordinária odisseia do comerciante Ijebu que foi escravo no Brasil e homem livre na França (1820-1842)”

O texto abaixo é a Apresentação de artigo escrito por Aderivaldo Ramos de Santana, publicado na revista Afro-Ásia n. 57 (2018) e disponibilizado no Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal da Bahia.  Vale ler. (Tania Pacheco)

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“Em 1820, o comerciante ijebu Osifekunde foi capturado numa emboscada e levado para Warri, próximo ao Delta do Níger. Após quatro dias, foi vendido a um traficante de escravos brasileiro que o embarcou num navio negreiro rumo ao Rio de Janeiro. No Brasil, ele viveu 17 anos e foi escravo doméstico de um negociante francês chamado Navarre que o levou a Paris em 1837, onde ele se tornou um homem livre. Quando viveu na França, Osifekunde foi questionado sobre os ijebus e sobre as regiões vizinhas à sua terra natal. Ele deu informações precisas sobre sua história pessoal, assim como sobre o contexto no qual ele acabou se tornando mais um entre os milhões de escravizados do infame comércio de seres humanos.

De acordo com a base de dados Slave Trade Database(1), o Brasil foi a nação que mais recebeu africanos deportados como escravos durante os três séculos em que durou o tráfico negreiro. Paradoxalmente, além da autobiografia de Mahommah Bardo Baquaqua(2) são quase inexistentes os relatos em primeira pessoa de escravizados que viveram no Brasil. Nos Estados Unidos, as narrativas de ex-escravos e libertos, como as de Frederick Douglass e Solomon Northup, serviram como um importante instrumento no combate à escravidão e constituem um gênero literário solidamente estabelecido. No Brasil, nos últimos anos, alguns trabalhos, em especial os do historiador João José Reis, se destacam pela pesquisa e reconstrução de biografias de escravos e libertos.(3)

O relato que nos deixou Osifekunde, assim como o de Baquaqua, são documentos valiosos para o estudo do tráfico transatlântico de escravos e para a história da escravidão no Brasil, na primeira metade do século XIX. O presente artigo reconstitui parte de sua biografia, com base nos documentos encontrados durante nossa pesquisa nos arquivos brasileiros e franceses. Para tal, dividimos o texto em três momentos. Uma parte dedicada ao contexto africano, relacionando-o com a história do tráfico de escravos, principalmente entre os anos 1820 e 1830, pano de fundo que possibilita entender as circunstâncias de sua captura. Uma segunda na qual nos concentramos na trajetória pessoal de seu segundo proprietário. E uma última parte, por sua vez subdividida em duas, em que buscamos demonstrar como Osifekunde se tornou um homem livre na França e de que maneira o seu retorno ao Brasil fazia parte de sua estratégia de negociação para garantir a liberdade e obter melhores condições de trabalho.(4)”

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Tenha acesso à íntegra do artigo AQUI.

Destaque: Navio negreiro. Rugendas, 1830.

[Dica enviada por Elizeu da Silva Xumxum]

Comments (2)

  1. Caros Tania Pacheco e Elizeu da Silva Xumxum,
    Obrigado por divulgarem meu trabalho. Tenho certeza que ainda existem outras biografia de africanos e seus descendentes que merecem ganhar visibilidade. Essas pesquisas nos auxiliarão a compreender um pouco mais sobre a subjetividade dos milhões de indivíduos que viveram esse triste drama da escravidão.
    Um abraço fraterno,
    Aderivaldo Ramos de Santana

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