Terreiro é destruído por traficantes em Cordovil, Rio de Janeiro

Comissão de Combate à Intolerância Religiosa relatou que bandidos percorrem região com fuzil e pistola

Por O Dia

Rio – Um terreiro de candomblé foi destruído por traficantes, na madrugada desta quinta-feira, na Cidade Alta, em Cordovil, Zona Norte do Rio. Segundo denúncia da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, o local, na Rua Ministro Pinto Luz, foi depredado por bandidos.

Segundo relatos enviados ao WhatsApp do DIA (98762-8248) a mãe de santo do terreiro, conhecida por Didi, foi expulsa pelos criminosos junto com outros filhos de santo da região. “Os bandidos disseram que ela ‘estava botando esse negócio de religião na comunidade’, que ela ‘sabia que não podia fazer isso'”, diz o relato de uma testemunha, que não quis se identificar.

Mãe Didi pertence ao Ilê Asé Oya Omo Legy, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Ainda conforme a testemunha, bandidos andam de moto com fuzil e pistola ameaçando os praticantes da religião. Uma das filhas de santo chegou ao local após o crime, foi avisada do incidente e deixou a comunidade com medo de represálias. Outros religiosos foram expulsos no bairro.

“Lamentamos muito esse ocorrido, mais uma vez as religiões de matrizes africanas levam esse baque, e mais uma vez estamos a mercê da insegurança. De fato, isso vem acontecendo há muito tempo, e prova a falta de ação efetiva. Medidas sérias precisam ser tomadas”, afirmou o babalaô e interlocutor da comissão, Ivanir dos Santos.

Ainda neste mês, o Centro Espírita Caboclo Pena Branca, em Nova Iguaçu, foi depredado e incendiado por criminosos.

Segundo a Secretaria de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), o estado do Rio registrou um aumento de 56% no número de casos de intolerância religiosa em comparação aos quatros primeiros meses de 2017. A SEDHMI diz ainda que foram e 25 registros em 2018, contra 16 no mesmo período do ano passado. Ainda conforme a pasta, do início de 2017 até o dia 20 de abril deste ano, foram contabilizados 112 casos.

Foto: Marina Silva /Correio

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