Direitos são conquistados com luta e pressão política

Por Cáritas Tefé

Nos dias 30 e 31 de agosto, últimos, foi realizado o Fórum de Políticas indigenistas, no município de Maraã (AM). O evento reuniu 30 lideranças do povo Kanamari das aldeias São Francisco, Patauá e Ponta Branca para debater e intensificar a luta pelos direitos que têm e que estão sendo violados. Suas reivindicações não são novas. Já há vários anos o povo Kanamari denuncia e pede providências para a resolução dos problemas e reparação da violação de direitos junto às autoridades e órgãos competentes.

O projeto “Garantindo a defesa de direitos e a cidadania dos povos indígenas do médio rio Solimões e afluentes” vem apoiando a luta e buscando contribuir com o fortalecimento das capacidades indígenas e seu poder de incidência política. Pelo projeto, são realizadas diversas oficinas de formação, mutirões de defesa de direitos e encontros e reuniões de incidência política com o poder público, debatendo e documentando as violações de direitos que sofrem. Discriminação, preconceitos, tratamentos hostis, falta de fiscalização em seus territórios e descasos por parte dos órgãos públicos foram identificados e denunciados.

O Fórum de Políticas indigenistas reúne lideranças das aldeias que compartilham seus problemas e encaminham conjuntamente suas denúncias e reivindicações. Assim, mostram que as violações não são situações isoladas, mas que é resultado de políticas que desconsideram a realidade e as especificidades indígenas. Desconsideram seus direitos, sua cultura e sua vida.

Na busca pelo diálogo com o poder público são convidados para o evento os órgãos que têm poder de resolução dos problemas. Em Maraã, diferentes secretarias e órgãos públicos locais responsáveis por políticas públicas indigenistas foram convidados para este diálogo. No entanto, apenas a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) e o Conselho Distrital de Saúde, estiveram representados. A representante da SEMSA, Gerente de Serviços em Saúde, Sra. Dilene Alves Machado, falou que o evento foi uma boa oportunidade para a Secretaria falar às lideranças para que saibam do empenho da Secretaria na implementação das políticas de saúde indigenista: “A Secretaria de Saúde de Maraã vem planejando e desenvolvendo programas que atendam as necessidades específicas das populações indígenas, e ter a oportunidade de falar sobre eles para as lideranças das aldeias é muito importante, porque podemos mostrar os esforços para que isso se torne realidade”.

Além do diálogo com essas autoridades, os indígenas tiveram a oportunidade de compartilhar suas participações nas atividades do projeto. A professora Dieice Corrêa, da aldeia São Francisco, falou a importância que tem momentos como esse de troca de conhecimentos para o desenvolvimento de todos:”A gente tá aqui para aprender e temos aprendido muito. Sabemos o quanto nossos direitos estão sendo violados e vamos continuar lutando. O projeto tem feito isso por nós e, por isso, quero agradecer ao CIMI por ter feito esse projeto”.

O projeto “Garantindo a defesa de direitos e a cidadania dos povos indígenas do médio rio Solimões e afluentes”, é uma realização da Cáritas da Prelazia de Tefé e Conselho Indigenista Missionário (CIMI-Tefé), financiado pela União Europeia e CAFOD, Agência Católica para o Desenvolvimento Internacional.

Imagem: Fórum de Políticas Indigenistas de Maraã – AM. Exigindo direitos. Foto Nelma Catulino.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Ligia Apel.

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