Para psicanalista, ódio e violência são cultivados por uma massa de ressentidos

Agressões motivadas por questões políticas evidenciam, segundo Maria Rita Kehl, o desejo de parte da população da volta de privilégios que já haviam sido superados quando o país combateu a desigualdade

por Redação RBA

Psicanalista, jornalista e escritora, Maria Rita Kehl vê os recentes episódios em que a violência verbal ganhou formas físicas, como o assassinato do mestre de capoeira Romualdo Rosário da Coisa, conhecido como Moa do Katendê, entre outros casos, como um desdobramento do “comportamento em massa” que permite, segundo a psicanalista, o despertar dos piores sentimentos sob a proteção do ambiente coletivo. 

Em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, da Rádio Brasil Atual, na edição desta terça-feira (9), Maria Rita fala sobre a intolerância e o ódio causados pela polarização eleitoral. Ela observa uma massa que, embalada por ressentimentos, principalmente pelos impactos da política de reparação histórica dos governos do PT, reivindicam condições de privilégios por meio da violência do Estado. “Uma parte grande da sociedade brasileira defende o atraso em um descaramento horroroso”, afirma a psicanalista.

Segundo ela, o “saudosismo” também conta com a participação de uma parcela da população de classe média baixa, que busca, na identificação com os setores mais privilegiados da sociedade brasileira, sentir-se também mais importante. “Parece que estão reivindicando a volta de privilégios velhíssimos que já foram superados em todos os países minimamente civilizados”, critica.

Para ela, neste momento que antecipa as eleições sob a ameaça do autoritarismo e da intolerância, representados pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), é preciso que as pessoas, ainda que não tenham grandes ideais humanos, se mobilizem para afastar a ameaça à democracia, “porque o autoritarismo também pode afetá-las”, avalia.

Ouça a entrevista completa.

Foto: Damião A. Francisco /CPFL Cultura.

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