Bolsonaro é ameaça aos direitos humanos e à Comissão da Verdade

Em debate, filósofo e vítima da ditadura civil-militar, ao lado de integrante da Comissão avaliam que discurso do presidente fere a dignidade da pessoa humana e relativiza violência do regime militar

por Redação RBA

O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) representa um risco para permanência dos direitos humanos no Brasil, segundo análise do professor de filosofia da Universidade Federal do ABC (UFABC) Edson Teles em debate, nesta terça-feira (11), sobre a Comissão da Verdade na 1ª semana de Direitos Humanos realizada pela UFABC, série de debates que ocorre até quinta-feira (13), para celebrar os 70 anos da declaração que universalizou os direitos fundamentais. 

Vítima de tortura psicológica durante a ditadura civil-militar, quando o comandante do DOI-Codi de São Paulo, Carlos Alberto Brilhante Ustra, obrigou o filósofo, então com quatro anos, e sua irmã, a verem os pais Amelinha e César Teles desconfigurados após uma série de torturas, Teles lamenta a possibilidade de desconstrução das garantias sociais. “Direitos humanos estão ‘no olho do furacão’, eu diria, porque por um lado ele conseguiu ser construído por uma história de lutas e afirmações de direitos e hoje, no Brasil, ele corre o perigo na medida em que o governo próximo, recém eleito, tem discursivamente apontado um enorme desrespeito à dignidade da pessoa humana”, afirma.

Ao repórter Jô Miyagui, do Seu Jornal, da TVT, a integrante da Comissão de Familiares Mortos e Desaparecidos Vivian Mendes acrescenta que o trabalho da Comissão da Verdade também fica ameaçado diante do futuro governo.”(Tem) um discurso que remete a esse período de negação absoluta, que desfaz, relativiza as violências que aconteceram no passado, isso é muito grave”, avalia a professora.

Assista à reportagem do Seu Jornal: 

Imagem: Edson Teles (à esquerda) é filho de Amelinha e César Teles que foram brutalmente torturados por Ustra, herói de Bolsonaro – 
TVT/REPRODUÇÃO

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