Milicianos suspeitos pelo assassinato de Marielle foram homenageados por Flávio Bolsonaro

Um dos suspeitos recebeu de Flávio a medalha Tiradentes, principal honraria da Assembleia Legislativa

em Revista Fórum

Os dois principais alvos da Operação Intocáveis, deflagrada na manhã desta terça-feira (22), o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega e o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, foram homenageados, em 2003 e 2004, na Assembleia Legislativa do Rio, por indicação do deputado estadual Flávio Bolsonaro. Ele sempre teve ligações com policiais militares.

A operação é resultado de seis meses de investigações e é comandada pelo grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), com o apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil.

Os dois são suspeitos de integrar o Escritório do Crime, um grupo de extermínio que estaria envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). O grupo é considerada a mais letal e secreta falange de pistoleiros da cidade, que agia no Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio da Janeiro.

O ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, que ainda não foi encontrado pela polícia, foi alvo de duas honrarias, de louvor e congratulações por serviços prestados à corporação.

A primeira delas é uma moção, que ocorreu em outubro de 2003, por comandar um patrulhamento tático-móvel, quando estava no 16º BPM (Olaria). Na época, o militar era primeiro-tenente. O texto da moção de número 2.650/2003 dizia que ele era homenageado “pelos inúmeros serviços prestados à sociedade”. A segunda, em agosto de 2005, foi a medalha Tiradentes, principal honraria da Assembleia Legislativa, também com elogios à carreira do então militar.

Flávio Bolsonaro justificou o ato: “no decorrer de sua carreira, atuou direta e indiretamente em ações promotoras de segurança e tranquilidade para a sociedade, recebendo vários elogios curriculares consignados em seus assentamentos funcionais. Imbuído de espírito comunitário, o que sempre pautou sua vida profissional, atua no cumprimento do seu dever de policial militar no atendimento ao cidadão. É com sentimento de orgulho e satisfação que presto esta homenagem”.

Já o major Ronald Paulo Alves Pereira, um dos presos na manhã desta terça-feira, ganhou, em 2004, moção honrosa proposta por Flávio Bolsonaro. A moção de número 3.480 foi de louvor e congratulações pelos serviços prestados por ele, que na época estava no 22º BPM (Maré).

O major recebeu a homenagem menos de um ano depois de estar sendo investigado como um dos autores da chacina de cinco jovens na antiga boate Via Show, em São João de Meriti, em 6 de dezembro de 2003. Quatro policiais já foram condenados pelos quatro homicídios de jovens que foram sequestrados pelos agentes da casa de show. O único agente que ainda responde pelo crime é o oficial, que conseguiu postergar seu julgamento até hoje. O júri de Ronald está marcado para abril.

*Com informações do Globo

Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução Facebook

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