Povos indígenas do Brasil lideram protestos internacionais do “Janeiro Vermelho”

Survival International

Protestos contra as políticas anti-indígenas do Presidente Bolsonaro estão ocorrendo no Brasil e ao redor do mundo para marcar seu primeiro mês no poder.

Os manifestantes estão segurando cartazes dizendo “Sangue Indígena, Nenhuma Gota a Mais!”, “Pare o genocídio no Brasil” e “Bolsonaro: proteja as terras indígenas”.

Os protestos estão sendo liderados pela APIB, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, para sua campanha “Sangue Indígena – Nenhuma Gota a Mais”, e as atividades deste mês, o “Janeiro Vermelho”.

Antes de ser eleito presidente, Bolsonaro era notório por suas opiniões racistas. Um dos seus primeiros atos ao assumir o poder foi remover a responsabilidade pela demarcação de terras indígenas da FUNAI e entregá-la ao Ministério da Agricultura, ato que a Survival classificou como “praticamente uma declaração de guerra contra os povos indígenas do Brasil”.

O Presidente Bolsonaro também transferiu a FUNAI para o novo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, liderado pela pastora evangélica Damares Alves, em mais uma medida destinada a enfraquecer drasticamente a FUNAI.

Encorajados pelo novo presidente e por sua longa história de retórica anti-indígena, os ataques de fazendeiros e pistoleiros contra as comunidades indígenas aumentaram dramaticamente.

O território dos Uru Eu Wau Wau, por exemplo, foi invadido, colocando em risco indígenas isolados; e centenas de madeireiros e colonos estão planejando ocupar a terra dos Awá, um dos povos mais ameaçados do mundo.

Mas os povos indígenas do Brasil estão resistindo. “Nós temos resistido por 519 anos. Nós não vamos parar agora. Vamos juntar todas as nossas forças e vamos vencer”, disse Rosilene Guajajara. E Ninawa Huni Kuin afirmou: “Lutamos para proteger a vida e a terra. Defenderemos nossa nação.”

A APIB afirmou: “Temos o direito de existir! Não vamos recuar. Não vamos hesitar em denunciar esse governo e o agronegócio nos quatro cantos do mundo.”

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB – disse: “Nós povos indígenas estamos na linha de frente das ameaças porque sem território, deixamos de existir.”

O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje: “Tendo sofrido 500 anos de genocídio e massacres, os povos indígenas do Brasil não ficarão intimidados pelo Presidente Bolsonaro, por mais ofensivas e antiquadas que sejam suas opiniões. E é inspirador ver quantas pessoas ao redor do mundo estão ao lado deles.”

Imagem: Atriz vencedora do Oscar Julie Christie e manifestantes na Embaixada do Brasil em Londres, pedindo que o Presidente Bolsonaro proteja as terras indígenas e pare o genocídio no Brasil. – © Rosa Gauditano/APIB/Survival

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