M Facebook – 27 de janeiro a 2 de fevereiro, 2019

Por Natasha Bachini e João Feres Jr., no Manchetômetro

Entre os dias 27 de janeiro e 2 de fevereiro de 2019, as 158 páginas que monitoramos publicaram 7.689 posts, que geraram 6.101.077 compartilhamentos. As páginas que mais postaram nessa semana foram: UOL (387 posts), O Globo (380 posts) e Exame (375 posts). 

Os 20 posts da tabela (AQUI) concentram 14% dos compartilhamentos obtidos pelas 158 páginas ao longo do período. O recurso mais empregado nessas postagens foi a foto (70%), seguido por vídeo (25%) e texto (5%).
Três temas se destacaram entre os posts mencionados na tabela: o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), a disputa à presidência do Senado e o falecimento do irmão do ex-presidente Lula.

Entre os posts sobre a tragédia em Brumadinho, destaca-se o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que publicou vídeo gravado no hospital onde se recupera de cirurgia, manifestando sua solidariedade à população e agradecendo a ajuda do exército de Israel nas buscas. A ajuda israelense também foi comemorada em post da página Ranking dos Políticos.

Os vídeos do momento em que estourou a barragem publicados em posts do G1 e do Portal R7 viralizaram na rede, garantindo-lhes posições no rol. Outro vídeo que alcançou muitos compartilhamentos foi o de uma funcionária da Sodexo que prestava serviços no local no momento do rompimento da barragem. Segundo ela, era conhecido o risco de rompimento e deveria haver mais de uma sirene de alerta na região. Houve ainda um meme do Vem Pra Rua Brasil criticando o governo estadual de Minas Gerais, liderado pelo PT, pelo atraso nos salários dos bombeiros que estão realizando os resgates.

O segundo assunto mais comentado no período foi a disputa pela presidência do Senado. Nas páginas do Vem Pra Rua Brasil e do Movimento Brasil Livre foram publicadas críticas ao ministro Dias Toffoli, do STF,  por ter acatado o pedido de Renan Calheiros (MDB-AL) sobre a votação secreta. Os dois perfis realizaram intensa campanha negativa sobre Renan e, nos memes publicados, afirmaram que o senador foi favorecido por diversas decisões do ministro.

A senadora Katia Abreu (PDT-TO) também foi criticada nos posts destes grupos por ter tomado uma pasta do então presidente da mesa-diretora e atual presidente da casa, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Para a senadora, o candidato não deveria presidir a mesa de votação, passando a função para o senador mais velho, no caso José Maranhão (MDB-MA). Cabe esclarecer que tanto na disputa pela presidência da Câmara quanto na do Senado, Dias Toffoli definiu que o voto fosse secreto, seguindo assim os regimentos das casas.

O terceiro assunto que mais rendeu compartilhamentos foi a autorização obtida por Lula para ver a família após o falecimento do seu irmão, Genival Inácio da Silva. As páginas Ranking dos Políticos e MBL sugeriram rapidez na avaliação do pedido por parte do Judiciário e afirmaram que, quando estava livre, Lula deixou de ir ao enterro de dois outros irmãos. Mais uma vez, as páginas distorcem os fatos. Enquanto preso em regime fechado, o ex-presidente tinha direito de ter ido ao velório. O ministro Dias Toffoli concedeu a autorização tardiamente, já durante o sepultamento, para que o ex-presidente fosse a São Paulo encontrar sua família em uma unidade militar da região e ainda  sugeriu que a família poderia levar o corpo até Lula, se fosse sua vontade.

Em resumo, as formas de comunicação meméticas e as fake news continuam predominando no debate político do Facebook, que segue protagonizado pelas páginas da extrema direita. Entretanto, após empossado, Jair Bolsonaro deixou os ataques à oposição, especialmente ao PT, em segundo plano, e tal missão ficou a cargo dos grupos que o apóiam, como o MBL, o Vem Pra Rua e o Ranking dos Políticos. Outros atores atacados por essas páginas foram Dias Toffoli e Renan Calheiros, demonstrando a continuidade da estratégia de enfraquecer os poderes eleitos da República (no caso, o Legislativo) e de recorrer e, sobretudo, respeitar a Constituição, somente quando for conveniente. Após pouco mais de um mês do novo governo, há muitas polêmicas ao seu redor. Vejamos quais serão as cenas dos próximos capítulos.Para consultar dados de semanas anteriores, clique aqui

O Manchetômetro é produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), grupo de pesquisa com registro no CNPq, e sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

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