Em comparativo, barragens no Paraná concentram volume de água maior que Brumadinho

Atingidos por barragens no Paraná exigem segurança, informações e fiscalização no estado

Pedro Carrano, Brasil de Fato

Aconteceu hoje (12) a audiência pública “Atingidos por Barragens”, proposta pelo deputado estadual Tadeu Veneri (PT), ao lado de outros oito deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), contando com a presença de Rasca Rodrigues representando o secretário de estado de Meio Ambiente.

A audiência colocou visível o problema das famílias atingidas e sem condições de reparação até o momento. Estavam presentes lideranças e bases da região sudoeste e centro do estado, atingidos pelo total de nove barragens ao longo da bacia do Iguaçu e baixo Iguaçu.

Já na região do Vale do Ribeira, existem além de hidrelétricas a ocorrência de três barragens de mineração, explica Robson Formica, dirigente do Movimento doa Atingidos por Barragens (MAB). 

Em nove reservatórios ao longo do leito do rio há um volume de água superior a casos vistos em que barragens romperam. A Usina Hidrelétrica Santa Clara apresenta, por exemplo, 545 milhões de metros cúbicos, ao passo que, como comparativo, 12 milhões de metros cúbicos eram armazenados em Brumadinho (MG). 

“Os reservatórios são seguros, mas o que preocupa é a administração”, critica Sergio Vieira da Fonseca, coordenador dos eletricitários do sul do Brasil – Intersul, que critica a lucratividade da Copel, ENG, sem a devida contrapartida social. 

Maristela da Costa Leite,  integrante da direção nacional do MAB, questiona se a barragem do Baixo Iguaçu apresenta um plano de construção, o que aumenta o potencial de risco. “A Vale, a ENG se autofiscaliza e a população não tem acesso a essas discussões e fica refém”, afirma a dirigente. Ela reivindica uma política estadual de monitoramento e fiscalização das UHs no estado. Uma vez que o povo não tem acesso a esses debates e informações. 

Condições de trabalho nos canteiros de obra também foram criticadas. O deputado Goura (PDT), presidente da Comissão de Meio Ambiente, sugeriu que o Ministério Público seja acionado para vistoriar as condições de trabalho nos canteiros de obras. 

Impactos permanentes

Atingida pela usina de Salto Santiago, Maria Helena Gandi fala dos riscos que ainda recaem sobre o povo local. “Olhamos o lucro que sai de nossas terras, a luz segue cara. E a nossa terra, que era nossa? Vai ser fiscalizada aquela barragem? Que orientação vão dar para o povo? Minha família ainda permanece na beira do alagado”, critica.

Já Daiane Machado, atingida pela usina de Salto Caxias, reassentada, aponta que os reassentados seguem com problemas de condições para os atingidos, caso do acesso ao crédito. “Hoje passamos por situações complicadas. Temos que pensar na segurança das populações. Ou a Copel não é mais responsável? Temos no Paraná muitas populações atingidas. Temos que pensar no desenvolvimento dessas comunidades”, convoca.

Edição: Laís Melo.

Imagem: A audiência colocou visível o problema das famílias atingidas e sem condições de reparação até o momento.  / Pedro Carrano

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