Indígena rebate Medeiros e manda deputado levar recado a Bolsonaro; veja vídeo

Por Fabiana Mendes, no Olhar Direto

Vice-líder do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara, o deputado José Medeiros (Pode-MT) foi confrontado pela líder Tuíra Caiapó, após fazer críticas as Organizações não Governamentais (ONG’s) que defendem os povos indígenas. A situação foi registrada durante audiência pública na Câmara Federal, nesta semana. Na oportunidade, o parlamentar disse que os índios estariam em cima de jazidas, das quais não se podem tirar diamantes. “Leva minha mensagem para seu chefe [Bolsonaro] nos respeitar. Tem que respeitar a nossa Funai”, disparou a indígena.

A líder indígena, que estava sentada, se levantou e seguiu até a frente de Medeiros para respondê-lo. “Eu sou Kayapo, tem que ouvir minhas falas. Fiquei ouvindo você falar do dinheiro e agora vou falar pra você. É vocês aqui deputados que estão roubando dinheiro. Não foi nós Kayapo que roubamos dinheiro. É aqui nesta casa que vocês deputados desviam dinheiro (sic)”.

O deputado havia dito que “Tem malandro ganhando dinheiro em cima dos índios. Os índios estão em cima de jazidas que não pode tirar o diamante, tem madeira da qual não pode fazer o manejo, tem terra que não pode fazer agricultura”. Após o posicionamento, o parlamentar foi vaiado.

Tuíra Caiapó explicou que os indígenas não vendem minérios e pediu para que o deputado levasse a mensagem dela ao seu chefe, ou seja, Jair Bolsonaro, que editou a MP 870, cuja medida desmonta a Funai, órgão responsável pela política indigenista do Estado brasileiro, transferindo o mesmo do Ministério da Justiça para o recém criado Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comandado por Damares Alves.

Essa mesma medida retirou as atribuições de demarcação de terras indígenas e licenciamento ambiental nas terras indígenas da Funai e entregou para a Secretaria de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento  (MAPA), sob comando da bancada ruralista

“Nós mebengokré não estamos vendendo minério. É vocês que gostam de extrair minério. Deputado, leva minha mensagem para seu chefe nos respeitar. Tem que respeitar a nossa Funai [Fundação Nacional do Índio]. Deixa a Funai inteira para nós. A Funai é nosso órgão há muito tempo, por isso defendemos, deixa inteira para nós. Não fiquem bagunçando nossa saúde indígena. Deputado, deixa nossa saúde do mesmo jeito que está, para que possamos defender coisas, assim como: mata, rio, Funai, saúde, entre outros (sic)”, defendeu Tuíra.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário, desde a medida surgiram uma série de ataques e invasões articuladas contra as terras indígenas, perseguição e expressão de racismo e intolerância aos povos. Por último, o anúncio do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, acirrou ainda mais o desmonte, quando anunciou mudanças no atendimento à saúde indígena, objetivando a municipalização.

A intenção, conforme o Conselho, seria de desmontar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), levando a extinção do subsistema de saúde indígena, uma conquista histórica e resultado de muitas lutas do movimento. Diante deste contexto, durante os dias 23 e 27 de abril aconteceu o 15° Acampamento Terra Livre, com intensa programação em defesa dos direitos dos indígenas.

Polêmico

O deputado mato-grossense é conhecido por se envolver em confusões e prestar declarações polêmicas. Nesta semana, por exemplo, ele partiu para cima do colega de Câmara Federal, Aliel Machado (PSB-PR) e os dois quase trocaram socos durante sessão plenária ocorrida na última quarta-feira (24). O desentendimento aconteceu após citação de uma matéria da Folha de São Paulo, sobre decisão do governo de Bolsonaro de oferecer a parlamentares um aumento nas emendas em troca de votos pela reforma da Previdência.

No mês passado, em publicação no Twitter, o parlamentar afirmou que bacharéis do curso de Direito, que não obtêm o registro, estão se tornando “boys de luxo em escritórios de advocacia” e disse, ainda, que “a personalidade jurídica da OAB é uma gambiarra”. Em janeiro deste ano, Medeiros também comentou a renúncia de Jean Wyllys (Psol) e o chamou de “suaçu”, palavra sinônima ao termo “veado”, nas redes sociais. 

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