Bolsonaro ignora Convenção 169 e diz que Linhão de Tucuruí será construído mesmo com manifestação contrária dos índios

Por Estadão Conteúdo, na Tribuna do Paraná

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 30, que a linha de transmissão entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR) será construída “independente da manifestação dos índios”. Em entrevista à TV Band, o presidente afirmou que a solução para essa questão será dada em 15 de maio. O objetivo do linhão é resolver o problema energético de Roraima, já que parte do Estado depende de energia vinda da Venezuela.

“Gastamos por dia um milhão de litros de óleo diesel para sustentar as termelétricas que abastecem Roraima por questão ambiental. Não conseguimos fazer o linhão de Manaus para Boa Vista porque tangencia uma reserva indígena, estamos com problema indígena ainda”, afirmou.

O presidente informou que a solução para a questão deve vir nas próximas duas semanas. “Dia 15 de maio vamos ter solução dos índios, se eles concordam ou não. Se não concordarem, nós já fizemos uma reunião do Conselho de Defesa: eu, o vice, o presidente da Câmara, do Senado, o ministro da Defesa, entre outros, e eles nos deram o aval, por unanimidade, para construirmos esse linhão da capital do Amazonas até a capital de Roraima independente da manifestação por parte dos índios”, disse.

Em fevereiro, o governo definiu que o linhão é uma “alternativa energética estratégia para a soberania e defesa nacional”. O linhão foi leiloado em 2011 e em sua extensão há uma parte pertencente aos indígenas Waimiri-Atroari, que vivem no sul de Roraima e norte do Amazonas.

Comissão critica

A Comissão Arns, grupo formado por 20 lideranças para denunciar violações de direitos humanos, criticou as obras do linhão no início deste mês. O grupo entende que as reservas e o processo de demarcação indígena têm sido alvo de críticas de diferentes setores da sociedade, notadamente políticos. Além disso, informaram que há relatos de ataques em comunidades, com destruição de estruturas e plantios.

Indígenas Waimiri-Atroari. Foto: Mário Vilela /Funai

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